O caos provocado pelo mosquito | Por Janguiê Diniz

Artigo aborda infecções várias causadas pelo Aedes aegypti.

Artigo aborda infecções várias causadas pelo Aedes aegypti.

Mais de um 1,6 milhão de casos suspeitos de dengue foram notificados no ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde. Um crescimento de 178% em comparação a 2014. Do total de casos de 2015, mais de 840 pessoas morreram – 80% mais óbitos que no ano anterior. Vivemos a maior epidemia de dengue desde os anos 1990.

Entretanto, não só de dengue vive o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. Ele é, também, responsável pela transmissão da febre Chikungunya e o vírus Zika, que ao infectar gestantes pode causar aos bebês a má formação conhecida como microcefalia.

Os dados são alarmantes e, mais do que a dengue e a Chikungunya, a maior preocupação tem sido com o alto índice de crianças nascidas com microcefalia, principalmente em Pernambuco. O Zika vírus infectou ao menos meio milhão de brasileiros neste ano, de acordo com a estimativa mínima do Ministério da Saúde. Considerando expectativas de casos não informados, o número sobe para 1,4 milhão de pessoas contaminadas, segundo o Protocolo de Vigilância e Resposta à Microcefalia e ao Zika.

Infelizmente, em meio à crise política e econômica, os problemas na saúde pública se agravam com a epidemia dos vírus, lotando ainda mais os hospitais e levando a espera por atendimento a se arrastar por muitas horas. E no meio do caos, talvez a assertiva mais correta seja dizer que a população é vítima do seu próprio descaso.

Hoje, o exército está nas ruas para ajudar a combater o mosquito. 80% dos focos de reprodução estão nas casas, que, infelizmente, não conseguem ser vistoriadas pelos agentes de saúde ou pelos soldados porque os donos não liberam a entrada ou porque os imóveis estão fechados.

No final de 2015, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o registro da vacina contra a dengue. A vacina é considerada eficaz na prevenção dos quatro tipos de dengue, no entanto, não protege contra Chikungunya e Zika. Claro que algumas perguntas surgem diante da notícia: por que demorou-se tantos anos para buscar uma vacina para a dengue? A medicação será disponibilizada pelo SUS? E partir de quando será possível encontrá-la no mercado?

Ainda sobre a eficácia da vacina, um estudo que envolveu quase 21 mil crianças e adolescentes da América Latina e Caribe demonstrou que a vacina foi capaz de reduzir em 60,8% o número de casos de dengue.  Em outro estudo, feito com mais de 10 mil voluntários da Ásia, a vacina conseguiu reduzir em 56% o número de casos da doença. Ou seja, não é uma solução definitiva.

O fato é que a epidemia de Dengue, Chikungunya e Zika só irá diminuir caso a população mude de atitude, que envolve uma meta fácil: não permitir que haja água parada em pneus velhos, vasos de plantas, ralos e caixa d’água destampada. É em meio ao caos que a população tem que mostrar sua força. É preciso denunciar criadouros, entrar em imóveis fechados ou abandonados e acabar, de uma vez, com o que causa as três doenças: o mosquito.

*Por Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional

*E-mail:  janguie@sereducacional.com

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