Feira de Santana, um organismo doente; como os casos de Dengue, Chikungunya e Zika explicam a degradação socioambiental do município

Vista aérea de mananciais hídricos de Feira de Santana, próximos a UEFS, evidenciam ocupação irregular.

Vista aérea de mananciais hídricos de Feira de Santana, próximos a UEFS, evidenciam ocupação irregular.

Vista aérea de mananciais hídricos de Feira de Santana, próximos a UEFS, evidenciam ocupação irregular.

Vista aérea de mananciais hídricos de Feira de Santana, próximos a UEFS, evidenciam ocupação irregular.

Calçada na área da Vila Olímpia, em Feira de Santana, é ocupada irregularmente por atividade privada.

Calçada na área da Vila Olímpia, em Feira de Santana, é ocupada irregularmente por atividade privada.

Barracas ocupam praças que deveriam ser áreas verdes de Feira de Santana.

Barracas ocupam praças que deveriam ser áreas verdes de Feira de Santana.

Os dados divulgados em 13 de janeiro de 2016 pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), através do boletim epidemiológico da Dengue, Chikungunya e Zika na Bahia – nº 12 – indicam o preocupante quadro em que se encontra o controle das doenças epidemiológicas transmitidas pelo Aedes Agepyti em Feira de Santana.

Entre os municípios com maior frequência de casos suspeitos e prováveis de Dengue, na Bahia, em 2015, Feira de Santana apresentou 2696 casos notificados; 2048 casos prováveis; e com 334,64 incidências por 100 mil habitantes. Em números absolutos o município aparece em 5ª posição no estado, quando observado a incidência por 100 mil habitantes, perde apenas para Salvador.

Entre os municípios com maior frequência de casos suspeitos de Chikungunya, na Bahia, em 2015, Feira de Santana apresentou 4101 casos suspeitos, e 670,10 incidências por 100 mil habitantes. Em números absolutos o município aparece na 1ª posição no estado.

Entre os municípios com maior frequência de casos suspeitos de Zika, na Bahia, em 2015, Feira de Santana apresentou 1521 casos suspeitos, e 248,53 incidências por 100 mil habitantes. Em números absolutos, o município aparece na 6ª posição no estado e na 1ª posição quando observada a incidência por 100 mil habitantes.

Organismo doente

Como explicar a elevada incidência de casos de Dengue, Chikungunya e Zika na população?

Contribuem para o elevado número de casos de Dengue, Chikungunya e Zika, na população feirense, diversos fatores: uma comunidade com significativa baixa formação escolar; ocupação urbana com elevado nível de degradação ambiental; ocupação irregular dos manais hídricos, a exemplo de córregos, nascentes e lagoas; ocupação irregular de calçadas e margens de rodovia; a degradação ambiental atrai cidadãos que não são naturais do municípios, mas em decorrência da facilidade de ocupação irregular de terrenos, migram para o município e passam a ocupar áreas impróprias para habitação e comércio; má gestão do recurso público da saúde por parte da Secretaria Municipal da Saúde; falta de política sanitária; inapetência técnica do poder público municipal no combate à proliferação do mosquito transmissor Aedes Agepyti; incapacidade de gestão técnica da formação e informação de pessoal; falta de modernização no uso de equipamentos para controle da epidemia; e incapacidade de aplicar a Lei de Uso e Ocupação do Solo.

Conclui-se que a conjunção dos fatores constrói um ambiente favorável a proliferação de doenças infectocontagiosas, degrada a vida na urbe, e desconstrói o conceito de cidadania plena.

Baixe

Boletim Epidemiológico da Dengue, Chikungunya e Zika na Bahia, nº 12, 13 de janeiro de 2016

Confira imagens que comprovam o elevado nível de degradação socioambiental de Feira de Santana

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.