Evento promovido no âmbito da elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento de Feira de Santana é marcado por ausência de público, baixo nível organizacional e questionáveis abordagens intelectuais

Evento lançamento do programa de Capacitação do Conselho Municipal de Planejamento de Feira de Santana apresentou baixo nível organizacional.

Evento lançamento do programa de Capacitação do Conselho Municipal de Planejamento de Feira de Santana apresentou baixo nível organizacional.

Na tarde de quinta-feira (28/01/2016), na sede da Fundação Senhor dos Passos, em Feira de Santana, ocorreu mais uma etapa para elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM). A atividade foi coordenada pelo engenheiro Cláudio Mascarenhas e promovida pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pelo Grupo de Defesa e Promoção Socioambiental (GERMEN) e pelo Integra Feira, com a finalidade de lançar o programa de Capacitação do Conselho Municipal de Planejamento de Feira de Santana.

Com cerca de 30 pessoas presentes – 10 membros da equipe do PDDM, 10 membros do governo municipal e 10 membros da sociedade feirense – um dos destaques da atividade foi a significativa ausência de membros da comunidade. Esse aspecto, inclusive, foi ponto abordado por palestrantes, que afirmaram a necessidade de se verificar como a comunicação das atividades do PDDM estavam ocorrendo.

Outro ponto negativo do evento foi observado nas falas da equipe técnica do PDDM. Eram discursos estruturados de forma simplória, ambígua, e que pouco ou nada traziam de significativo ao debate sobre a elaboração do PDDM. Notadamente, os palestrantes evidenciaram pouco conhecimento sobre o município de Feira de Santana e não foram capazes de apresentar, de forma estruturada, os temas que iriam coordenar – meio ambiente, urbanismo e economia – com o processo de desenvolvimento do município de Feira de Santana e com a elaboração do PDDM. Ficou evidenciado que os palestrantes tinha pouca afinidade intelectual com a elaboração do Plano.

Observou-se, também, a existência de falhas primárias na apresentação do conteúdo. O resumido público presente não teve acesso a conteúdo impresso com síntese do tema a ser abordado. Faltou, também, síntese impressa com resumo biográfico e dados de contatos dos membros da equipe do PDDM. De forma cômica e trágica, uma das palestrantes informou que as pessoas poderiam enviar e receber informações através de um e-mail. Mas, não soube informar qual e para quem.

Todavia tenha segurado uma série de papeis organizados através de espiral de arame, a qual chamou de relatório de atividades executadas, Cláudio Mascarenhas não explicou onde e como a sociedade de Feira de Santana pode ter acesso aos dados. Ele falou, também, de um cronograma de atividades cumpridas e a serem executadas, mas foi incapaz de apresentar o “cronograma de atividades do PDDM”.

Formalidades

Lamentavelmente, a atividade pode ser objeto de questionamento jurídico. Observando que os presentes não assinaram uma ata e que não era observado, no local, uma pessoa responsável por colher as falas e transformá-las em texto no formato de ata.

Apropriação indevida

Outro aspecto extremamente negativo, e que depõe contra os organizadores da atividade, foi o fato de terem utilizado, sem autorização, diversas imagens de propriedade do Jornal Grande Bahia, produzidas pelo cientista social Carlos Augusto. Além de terem apresentado as imagens sem autorização, não concederam o crédito obrigatório. Para fechar o quadro de amadorismo, na referência da apresentação, citaram que Google Imagens era a referência dos dados. “Alguém pode emprestar aos responsáveis pelo evento o conjunto de normas da ABNT e a cópia da Lei de Propriedade Intelectual (LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998)?”.

Importante contribuição

Presente ao evento como representante do governo municipal, o secretário de Relações Interinstitucionais, Sérgio Carneiro, apresentou uma das mais importantes contribuições à elaboração do PDDM, ao entregar cópia digital dos Cadernos Feirenses. Os documentos foram publicados em 1985, durante a segunda gestão do prefeito José Falcão. Eles formam um conjunto de estudos sobre o planejamento do município de Feira de Santana.

Além de entregar os documentos, o secretário fez um apelo para que fosse encontrada uma cópia do Plano de Desenvolvimento Integrado de Feira de Santana (PDLI). O documento foi elaborado e publicado em 1969, pelo então prefeito João Durval Carneiro.

Concluindo a fala, de forma sutil, Sérgio Carneiro sugeriu que era necessário retomar esses documentos, estudá-los e apresentá-los como forma de compreender o presente, e planejar melhor o futuro.

Comprovando o baixo nível intelectual do debate, um dos palestrantes afirmou: “temos que olhar para frente, para o futuro”.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.