Em Salvador, a Basílica Santuário do Senhor do Bonfim e a festa do Bonfim

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Vista aérea da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Baianas participam da Lavagem do Bonfim, em frente a Basílica Santuário do Senhor do Bonfim.

Baianas participam da Lavagem do Bonfim, em frente a Basílica Santuário do Senhor do Bonfim.

Devoção é expressa durante Lavagem do Bonfim.

Devoção é expressa durante Lavagem do Bonfim.

Nasce a devoção. Uma história de fé! – As atividades em louvor ao Senhor do Bonfim foram introduzidas, em Salvador, logo após a chegada da primeira imagem, em 1740, pelas mãos de Theodózio Rodrigues de Faria, Capitão de Mar e Guerra do reinado de Portugal. Por ocasião da Ressurreição do Senhor, em 18 de abril de 1745, com grande festividade, o Capitão devoto colocou a imagem para veneração dos fiéis na Capela de Nossa Senhora da Penha de França de Itapagipe. Naquela mesma solenidade, foi fundada uma irmandade de devotos leigos que, após eleição, passou a denominar-se “Devoção do Senhor do Bonfim”.

Foi construída uma Capela e, em 1746, foram iniciadas as obras. Sua arquitetura seguiu o modelo das igrejas portuguesas do século XVIII. No dia 24 de junho de 1754, após a conclusão das obras internas, foi transladada a sagrada imagem da Capela da Penha para a colina do Bonfim. A data da celebração do Senhor do Bonfim já passou por diferentes períodos do ano, mas a partir de 1773, ficou afixada em janeiro, no segundo domingo depois da Festa de Reis.

Festa do Bonfim

A Festa do Bonfim é uma celebração religiosa que tem lugar em Salvador da Bahia, Brasil. Acontece no segundo domingo depois do Dia de Reis, no mês de Janeiro, com novenário solene e exposição do Santíssimo Sacramento pelo capelão da Igreja do Bonfim.”Símbolo do sincretismo religioso da Bahia”

A Festa não deve ser confundida com a tradicional Lavagem do Bonfim. A lavagem da Igreja teve início em 1773, quando os integrantes da “irmandade dos devotos leigos” obrigaram os escravos a lavarem a Igreja como parte dos preparativos para a festa do Senhor do Bonfim. Posteriormente, para os adeptos do candomblé, a lavagem da igreja do Senhor do Bonfim passou a ser parte da cerimônia das Águas de Oxalá. A Arquidiocese de Salvador, então, proibiu a lavagem na parte interna do templo e transferiu o ritual para as escadarias e o adro. Durante a tradicional lavagem, as portas da Igreja permanecem fechadas e as baianas despejam água de cheiro nos degraus e no adro, ao som de toques e cânticos de caráter afro-religioso (embora atualmente o ritual se revista de um perfil ecumênico), que ocorre na quinta-feira que antecede festa e conta com grande participação do povo, que chega em carroças enfeitadas, e das tradicionais baianas, com seus vasos com água de cheiro.

Origem

Teodósio Rodrigues de Farias, oficial da Armada Portuguesa, trouxe de Lisboa uma imagem do Cristo, que, em 1745, foi conduzida com grande acompanhamento para a igreja da Penha, em Itapagipe.

Em julho de 1754, a imagem foi transferida em procissão para a sua própria igreja, na Colina Sagrada, onde a atribuição de poderes milagrosos tornou o Senhor do Bonfim objeto de devoção popular e centro de peregrinação mística e sincrética. Foram, então, introduzidos motivos profanos e supersticiosos no culto.

O cortejo

A lavagem festiva acontece com a saída, pela manhã da quinta-feira, do tradicional cortejo de baianas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, o qual segue a pé até o alto do Bonfim, para lavar com vassouras e água de cheiro as escadarias e o átrio da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim.

Todos se vestem de branco, a cor do orixá, e percorrem 8 km em procissão, desde o largo da Conceição até o largo do Bonfim. O ponto alto da festa ocorre quando as escadarias da igreja são lavadas por cerca de 200 baianas vestidas a caráter que, de suas “quartinhas” – vasos, que trazem aos ombros – despejam água nas escadarias e no átrio da igreja, ao som de palmas, toque de atabaque e cânticos de origem africana. Terminada a parte religiosa, a festa continua no largo do Bonfim, com batucadas, danças e barracas de bebidas e comidas típicas.

No domingo seguinte à lavagem, os devotos se reúnem na Igreja dos Mares para a procissão dos Três Pedidos, que percorre o largo de Roma em direção ao Bonfim. Na chegada à Colina do Bonfim, os fiéis dão três voltas em torno da Basílica, fazendo três pedidos. Uma pregação, bem como uma missa solene e a benção do Santíssimo Sacramento encerram os festejos.

*Com informações da Irmandade do Senhor do Bonfim e da Wikipédia.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.