Deputado José de Arimateia fala sobre a política nacional e estadual, e revela que lideranças comunitárias e partidárias defendem o nome dele como pré-candidato a prefeito de Feira de Santana

Deputado José de Arimateia Coriolano de Paiva atua há 17 anos na atividade político/partidária, é ex-presidente estadual do PRB, e presidente municipal do PRB de Feira de Santana.

Deputado José de Arimateia Coriolano de Paiva atua há 17 anos na atividade político/partidária, é ex-presidente estadual do PRB, e presidente municipal do PRB de Feira de Santana.

Pastor da Igreja Universal, jornalista, apresentador de rádio, ex-presidente estadual do PRB, presidente municipal do PRB de Feira de Santana, e deputado estadual pelo PRB da Bahia, José de Arimateia Coriolano de Paiva revela em entrevista exclusiva o que pensa sobre política, democracia, sociedade, e as eleições de 2016.

Completando 53 anos de vida nessa quarta-feira (13/01/2016) e 21 anos como cidadão radicado em Feira de Santana, o deputado José de Arimateia demonstra, durante a entrevista, profundo equilíbrio pessoal, respeito a pluralidade de pensamento religioso, defesa incansável dos interesses da comunidade, e capacidade de opor-se ao governo sem perder a percepção do que é fundamental para o progresso do povo baiano.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – O Jornal Grande Bahia entrevista o deputado estadual pelo PRB da Bahia, José de Arimatéia. Deputado, em 2014, nas eleições de 2014 o PRB manteve uma posição conflitante. Em plano nacional, apoiou o Partido dos Trabalhadores [PT] e no plano estadual foi para oposição ao Governo Rui Costa. Passado esse momento, atualmente, como o PRB se situa no plano nacional e no plano estadual?

José de Arimatéia – O nosso partido que tem mostrado credibilidade na forma de agir, nível Federal, estadual e municipal. Nós tínhamos uma aliança em nível de Estado com o Governo Jaques Wagner (PT). Porque foi um acordo que foi feito no processo das eleições, e nós mantivemos no projeto até quase o final do governo Wagner.

Em nível Federal, nós mantivemos nosso compromisso, tanto no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, como, também, no segundo mandato.

Na última eleição, de 2014, o partido, faltando três meses para as eleições, decidiu tomar a decisão de não apoiar o candidato do governador Jaques Wagner. Porque, de acordo com as pesquisas que tínhamos, observamos que existia um desejo de mudança da população para o novo. Apesar de observar que não é um nome novo, mas o que se tem mostrado no projeto que ia ser um Governo diferente, um Governo de Paulo Souto (DEM).

Compreendendo que o partido também pensa numa renovação, ele achou melhor apoiar Paulo Souto, e foi isso que foi feito. O governador Rui Costa (PT) ganhou a eleição. Então, mantivemos nossa linha como oposição. Oposição responsável. Não atuamos na Assembleia Legislativa da Bahia com sentimento de raiva contra o governo, pelo contrário.

Nas eleições o povo foi ouvido, elegendo Rui Costa e nos colocando na oposição. Agora, vamos estar votando, também, projetos do governo que sejam do interesse do povo. Observando que mesmo sendo da oposição, mas se aquele projeto é favorável para a população, então nós estaremos votando favorável.

JGB – Como o senhor analisa os protestos realizados por diferentes segmentos da população contra o governo Rousseff e a corrupção?

José de Arimateia – Essas mobilizações que tem ocorrido no Brasil eu acho que foi diferente daquele sentimento do tempo do então presidente Fernando Collor. No tempo de Collor, houve aquela manifestação espontânea. Essa agora, eu não vi como 100% espontânea. Eu vi que ocorreu, em vários casos, uma participação induzida pela oposição. Porque a oposição foi a diferença pouca da vitória da presidente Dilma Rousseff para do Aécio Neves. É como se fosse um terceiro turno.

E essa questão dos escândalos que está chegando a cada dia que passa está sendo descoberto, está chegando à tona, não acredito que foi construído tudo no governo do ex-presidente Lula para cá. Porque foram coisas que, segundo as testemunhas, vem de outros governos.

A presidenta Dilma teve a coragem de deixar a Polícia Federal livre para poder agir seriedade. Hoje, estamos vendo essa sujeira. Nós ficamos tristes, porque milhões e milhões de recursos financeiros do povo brasileiro foram desviados. Mesmo que uma parte dos recursos desviados sejam resgatados, acredito que não se conseguirá recuperar uma boa parte do que foi roubado.

JGB – Como avalia a necessidade de uma reforma política mais aprofundada?

José de Arimateia – Na condição de mandatário do povo, desejo que o processo político evolua, para que a população possa se sentir bem representada. Vários eleitores que votam conosco ao longo desses 17 anos em que atuo como político, tendo exercido mandatos de vereador e deputado, se sentem bem representados. Porque defendo importantes valores, a exemplo da família, da melhoria dos serviços públicos de saúde, e da causa animal. Além de pautar a atuação por uma conduta ética.

Para que a política evolua, acredito que é necessária uma mudança da forma da Lei. A Lei deve ser mais severa, para os políticos que se envolvem com corrupção. Defendo mudanças mais profundas, com a finalidade de diminuir os escândalos de corrupção envolvendo homens públicos. É necessária uma punição mais severa. Tinha que ter uma lei o que, o político se envolveu com corrupção, foi comprovado, foi apurado, então ele tem que esquecer a vida pública.

Defendo, também, o fim da reeleição para cargos do executivo e legislativo, a exemplo de governador, prefeito, deputado, e presidente da república. Então seria um importante avanço. Porque ocorrerá maior participação de cidadãos na vida pública, ampliando a pluralidade de pensamento na gestão pública. Acredito que obras que demorarm oito anos, poderiam ser executadas no período de um mandato. Estão, acredito que com o fim da reeleição as obras públicas podem se torna mais céleres

JGB – O PRB está um pouco mais próximo, hoje, do governo do prefeito Antônio Carlos Magalhaes Neto [ACM Neto, DEM, Salvador], ao mesmo tempo em que o senhor demonstra ser uma oposição moderada ao governo Rui Costa (PT), concomitantemente o partido tem apoiado, no plano nacional, a presidenta Dilma Rousseff (PT). Em algum momento essas posições vão entrar em conflito. Qual será a posição do partido nas eleições de 2016?

José de Arimateia – Uma das metas do partido é ocupar espaço. O PRB é um partido que tem apenas 10 anos de fundado. Mas é um partido que demonstra o desejo de ocupar espaço político.

Eu acho que a alternância de poder é muito importante para a democracia. A gente sabe que o ACM Neto é resultado do avô [ex-senador ACM]. Ele foi um homem que fez muito pela Bahia. Um político que participou de muitos embates e assim, realmente, é reconhecido. Então eu acredito que ele está tendo a oportunidade de governar a cidade de Salvador.

O PRB lançou candidato a prefeito em outro momento. Para as eleições de 2016 o partido ainda não definiu qual posição vai adotar. Mas, vai chega um momento em que o PRB não poderá abrir mão de uma candidatura própria. Ocorreu uma tentativa, que não obteve vitória eleitoral, êxito político

O PRB mostrou que tem coragem para disputar uma vaga para prefeitura de Salvador, e objetiva concorrer ao governo do Estado e a presidente da república. O PRB tem esse pensamento, de participar do debate político com candidatos próprios.

Possa ser que não haja um conflito, mas haja um acordo, de que o PRB vai ter, também, sua hora de ter um prefeito, do seu partido, de ter um governador, e de ter um presidente da república.

JGB – Se  tivesse a oportunidade de se encontrar com o governador Rui Costa, quais seriam os principais pontos que destacaria como importantes de serem observados pelo governo?

José Arimatéia – Abordaria a problemática da atenção básica no setor da saúde. Sabemos que atenção básica não é responsabilidade do Governo do Estado, e sim dos municípios. Mas, eu acredito que se fizesse uma força-tarefa para regular e fiscalizar a atenção básica dos municípios teríamos ótimos resultados.

O governo tem influência e interlocução com  o Ministério da Saúde. Se tivéssemos mais fiscalização na aplicação dos recursos, uma fiscalização envolvendo o Ministério da Saúde e o Governo do Estado, que objetivasse otimizar a aplicação dos recursos na saúde da atenção básica nos municípios, a situação melhoria significativamente.

JGB – No final de 2014, o Fantástico levou ao ar uma matéria denunciando a questão das cooperativas no setor da saúde. Como é que o senhor observa a presença das cooperativas na intermediação de mão-de-obra para sistema público de saúde da Bahia?

Jose de Arimateia – Tem algumas cooperativas que a gente sabe que tem sido, realmente, tem sido importante, mas acho que muitas vezes essas cooperativas, elas atuam sem uma fiscalização mais rígida, e, é ai onde entra essa questão da fiscalização do próprio Ministério da Saúde.

Porque o recurso, se tem as cooperativas é para facilitar, para ampliar, em termos de agilidade nos atendimentos, na questão de ter uma assistência melhor, mais médico e enfim, enfermeiras, tudo isso. Se não tiver uma fiscalização efetiva e mais transparente, então os serviços não vão funcionar adequadamente.

Não adianta ter dez, vinte cooperativas se não tiver fiscalização e transparência. Então umas fazem as coisas certinhas e outras não fazem a coisa certa. Acho que esse é um dos problemas maiores que existem com respeito à aplicação dos recursos públicos.

JGB – Como avalia a possibilidade do PRB lançar candidato a prefeito em Feira de Santana?

Jose de Arimateia – Várias lideranças comunitárias e partidárias têm nos estimulado a participar do pleito eleitoral de 2016 como candidato a prefeito por Feira de Santana. Município que me concedeu mandatos de vereador e deputado. Mantivemos contato com a executiva estadual e com a executiva nacional com a finalidade de debater a participação do PRB nas eleições municipais, para o cargo majoritário, inclusive com a possibilidade de alianças com outros partidos com a finalidade de desenvolver um novo projeto para o município, adotando modernas práticas de gestão da administração e do recursos público.

O desejo das lideranças comunitárias e partidária é sesse, de uma candidatura nossa, que defenda uma nova forma de desenvolvimento para o município. Nesse contexto, estamos unificando as ideias em torno do propósito de disputar o pleito municipal.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.