Baiano radicado na Suécia inicia turnê mundial do documentário Resiliência

Gravação de cena do documentário 'Resiliência'.

Gravação de cena do documentário ‘Resiliência’.

No dicionário, resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades. Na vida real, ela tem nome: Sidney Santos ou Meia Lua, como é conhecido. Ele é o personagem principal do documentário Resiliência, do cineasta baiano radicado na Suécia, Ricardo Koanuka, que retrata, entre outras coisas, o poder da capoeira no processo de inclusão social de Sidney. O resultado será apresentado aos baianos na próxima sexta-feira (15/01/2016), em evento para convidados, no Ciranda Café, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, às 20h, seguido de debate e show da banda Morena Dub.

Além da mostra para convidados, o documentário também poderá ser conferido nos dias 21 e 22 de janeiro, em apresentação gratuita durante o V Festival Internacional de Capoeiragem, no Forte da Capoeira, localizado no bairro do Santo Antonio Além do Carmo, em Salvador, que atrai pessoas de mais de 15 nacionalidades. “Nossa participação nesse festival, que é o maior evento de capoeira do mundo, é um reconhecimento a esse público. O objetivo é valorizar a cultura da inclusão por meio da capoeira”, destaca o cineasta.

O documentário surge após quatro anos de trabalho intenso. Mesmo antes do lançamento oficial, o doc já trilha um caminho de sucesso. Filmado em Salvador e editado na Suécia, o filme será apresentado em alguns festivais internacionais de prestígio, como o Gotemburgo Film Festival (Gotemburgo, Suécia), o Tempo Filme Festival (Stockholm, Suécia) e o Picture This Film Festival (Calgary, Canadá). “Conseguimos apoio do governo da Suécia, que acreditou na ideia, e de institutos de filme e cinema internacionais para poder concretizar esse projeto. Pretendemos levar o Meia Lua para participar de alguns destes festivais, na Europa”, conta Koanuka.

Documentário

Com 27 minutos de duração, Resiliência foi rodado em Salvador, entre os anos de 2012 e 2014, com edição e finalização na Suécia, no ano passado, e contou com o apoio da produtora Christina Wallin. O doc conta a história de um homem que, apesar de todas as dificuldades reais que a vida lhe impôs, enfrentou todos os obstáculos com resiliência.

“Nosso objetivo foi mostrar que, apesar de todas as dificuldades vivenciadas pelo Sidney, ele conseguiu transformar a sua realidade. O nosso personagem é cheio de energia, de esperança. O que me fez escrever e filmar a história dele foi justamente isso, o fato dele transformar toda a negatividade a seu favor”, avalia Ricardo Koanuka.

Salvador, Cidade Negra – O documentário também nos mostra as ruas de Salvador, pontos turísticos como Pelourinho e Mercado Modelo, a Feira de São Joaquim e o bairro de São Caetano, seguindo a rotina de trabalho do personagem, que percorre os ônibus da capital comercializando produtos. “Percorremos toda a cidade para contar a história do Sidney, uma história de superação e inclusão que muito nos orgulha. Além disso, o doc também é um marco para quem vê a Bahia de fora. Além dos pontos turísticos conhecidos, mostramos a cidade como ela é, uma Salvador que ninguém vê, a nossa baianidade e, sobretudo, a parte negra da Bahia, muitas vezes desconhecida”.

O personagem – Meia Lua, 38 anos, é casado, tem dois filhos, sendo um adotivo, é vendedor ambulante e morador do bairro de São Caetano. Paraplégico, Sidney nasceu sem deficiência, porém, aos dez meses de idade, ao lhe aplicarem uma injeção na coluna, ficou paraplégico. Ao longo do tempo, desenvolveu uma técnica própria de andar, tornou-se mestre de capoeira e vendedor ambulante. “Ele é um cara cheio de energia e em nenhum momento se sente limitado ou diminuído. Histórias como essa me inspira. Esse é um trabalho que fizemos com muito amor”, conta.

Sobre o cineasta – Cineasta, life coach e professor de capoeira, há sete anos o soteropolitano Ricardo Koanuka resolveu mudar de vida e viver fora do Brasil. Em Salvador, trocou seu emprego numa empresa norueguesa para levar o seu trabalho como professor de capoeira para a Suécia. “Vivi o tempo da capoeira, mas percebi que queria mais e resolvi estudar Mídia. Entrei numa faculdade, conclui o curso e, como empreendedor que sou, queria construir algo”, relembra. Foi então que o baiano-sueco montou a produtora Koanuka Films e começou a investir na produção audiovisual. “Aprendi muito durante este processo e foi justamente nesta época que desenvolvi a ideia do documentário, produzi um trailer e iniciei na Suécia a captação de recursos para o filme, muito bem recebido pelo governo sueco, que apoiou e apostou em nossa ideia”, finaliza.

Agenda

O Que: Turnê mundial do documentário Resiliência, do baiano-sueco Ricardo Koanuka

Quando e onde: dia 15 de janeiro (às 20h no Ciranda café, no Rio Vermelho), e nos dias 21 e 22 de janeiro (Festival Internacional de Capoeira, no Forte da Capoeira, localizado no bairro do Santo Antonio além do Carmo)

Confira o trailer: https://vimeo.com/koanuka/resilience

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