20 de janeiro. Dia do Soldado Guerreiro Mártir São Sebastião

São Sebastiãoouviu-se um estrondo em uma das embarcações dos portugueses e os índios fugiram. Já os soldados viram um jovem guerreiro usando armadura e lutando para expulsar os invasores franceses. A partir de então, São Sebastião tornou-se o padroeiro do Rio de Janeiro.

O seu nome deriva do grego Sebastós que significa divino. Nasceu na Cidade de Narvonne na França e cresceu em Milão-Itália. A sua mãe era cristã, e isto não era tão comum naquela época, pois os cristãos eram perseguidos como inimigos do Estado pelo fato de não adorarem aos deuses pagãos. Todos os que adotassem essa nova religião seriam aprisionados e lhes eram confiscados os seus bens.

A mãe de Sebastião, transmitiu ao filho o dom da fé cristã. De acordo com a tradição oral, atribuídos a Santo Agostinho de Milão, ainda jovem, partiu para Roma e foi soldado como o pai por volta de 283 d.c. com a única intenção de confortar o coração dos cristãos enfraquecido diante das torturas.

Corajoso, logo conquistou a admiração dos colegas e do próprio imperador que o nomeou para ocupar o invejado posto de capitão da guarda pretoriana, em que era incumbido de zelar pela segurança da família do temido Imperador Diocleciano. Mas sua vontade de servir o exército diminuía a cada dia ao ver as atrocidades que os militares cometiam contra os cristãos a mando do governante.

Como guarda imperial tinha contato diário com prisioneiros condenados a morrer e ficava cada vez mais comovido com a situação deles. Sebastião aproveitou seu acesso irrestrito aos cárceres e começou a frequentá-los escondido dos superiores.

Para tentar amenizar suas dores, ele oferecia palavras de esperança e conforto. Muitos acabaram se convertendo ao cristianismo ao descobrir o Deus de Sebastião.

Soldados também começaram a se interessar pelas conversas do colega e decidiram abraçar a sua fé para se sentirem mais aliviados. Isso tudo acontecia durante o século III, quando era proibido seguir os ensinamentos de Jesus Cristo.

Não demorou para Sebastião ganhar fama e seus atos chegarem aos ouvidos do Prefeito de Roma, Cromácio. Mas o soldado acabou sendo poupado. Segundo uma das versões da história, o prefeito sofria com um grave reumatismo e pediu para Sebastião curá-lo de qualquer maneira. O militar, então, batizou Cromácio, que decidiu não puni-lo e ainda abandonou a política para abraçar a causa cristã.

Logo, o papa soube do ocorrido e aconselhou Sebastião a fugir de Roma para não ser castigado. Mesmo ameaçado, o soldado ficou e Diocleciano descobriu quem era o traidor de seu império.

Mesmo assim, tentou fazer Sebastião se arrepender, Ofereceu-lhe presentes e fez ameaças para ele abdicar de sua fé. Como de nada adiantou, mandou matá-lo.

O soldado foi despido, amarrado a uma árvore e alvejado por muitas flechas e conforme o desejo do Imperador, as flechas não atingiram nenhum órgão vital, para que morresse lentamente.

Depois de esperarem terminar o sofrimento do mártir, os algozes ouviram o que parecia ser o último suspiro do condenado e foram embora. Nesse mesmo instante, uma viúva que passava pelo local, chamada Irene, o socorreu. Mesmo sem conhecê-lo, ela levou Sebastião para sua casa e cuidou de cada um de seus ferimentos.

Anos mais tarde, a mulher foi condenada por ser cristã e morreu queimada, no ano de 304. Irene virou Santa Irene e sua festa é comemorada em 3 de abril.

Assim que se recuperou, demonstrando muita coragem, Sebastião se apresentou diante do imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos e pediu o fim das perseguições.

Diocleciano não acreditava no que via e, como castigo por tal petulância, mandou açoitá-lo com paus e bolas de ferro. O soldado morreu em 20 de janeiro de 288 e seu martírio foi assistido em Roma por uma multidão.

O imperador mandou que seu corpo fosse jogado nos esgotos de Roma para que o militar não fosse venerado pela população. Porém, de nada adiantou. Seus restos mortais foram recuperados por seguidores e guardados nas catacumbas da cidade, ao lado das relíquias de São Pedro e São Paulo. A veneração aconteceu ali mesmo.

Sebastião foi canonizado por aclamação popular e ganhou o título de Defensor Glorioso da Igreja de Cristo. Ele virou um exemplo de coragem e amor ao próximo. Após sua morte, textos sobre seu martírio eram afixados nas paredes de Roma e eram lidos também na biblioteca da cidade naquela época. Várias localidades tinham o mesmo costume.

Os milagres atribuí-los a São Sebastião começaram ainda em vida. Dois irmãos, prisioneiros capturados pelo Império Romano, resolveram tirar a própria vida para evitar as torturas e martírio. Ao saber da decisão deles, Sebastião levou suas palavras de fé e conseguiu encorajá-los a enfrentar seu destino. Os dois desistiram do suicídio.

Ao mesmo tempo, Zoé, a esposa de um dos carcereiros, que era muda, pediu perdão a Sebastião pelos maus-tratos que o marido cometia contra inocentes e recebeu o sinal-da-cruz sobre ela. Em seguida, Zoé recuperou a fala.

Outro milagre diz respeito ao dia em que suas relíquias foram transportadas para a Basílica de São Paulo, em Roma. Em 680, uma terrível peste assolava a população da cidade. Mas ela desapareceu de uma hora para outra depois que os restos mortais de Sebastião desembarcaram na Basílica. Ele, então, ficou conhecido como protetor contra a peste e as doenças contagiosas.

A tradição oral diz que por onde as relíquias passavam, acontecia um milagre parecido. E foi assim por duas vezes — em 1575, em Milão, na Itália, e em 1599, em Lisboa, em Portugal.

No Brasil não foi diferente. Seus milagres continuaram a acontecer. A devoção ao santo começou no período colonial. Em 20 de janeiro de 1567, dia da festa do santo, portugueses lutavam para expulsar invasores franceses da Baía de Guanabara quando os militares lusitanos foram cercados pelas canoas dos índios tamoios, aliados dos franceses. De repente, ouviu-se um estrondo em uma das embarcações dos portugueses e os índios fugiram. Já os soldados viram um jovem guerreiro usando armadura e lutando para expulsar os invasores franceses. A partir de então, São Sebastião tornou-se o padroeiro do Rio de Janeiro.

As festas em sua homenagem acontecem principalmente em cidades do litoral ou de beira de rio. Pela manhã, pescadores fazem uma procissão marítima e pedem ao santo que tenham bastante pescaria durante o ano. São Sebastião é padroeiro dos Bombeiros, dos que sofrem epidemias, também passou a ser conhecido como protetor contra a peste, a fome e protetor dos presidiários.

Na Umbanda carioca, São Sebastião é sincretizado com o orixá Oxossi Guerreiro. Nas religiões ayahuasqueiras brasileiras também é reverenciado: no hinário de Maria Damião (Santo Daime), ele é consagrado como representante de todos os mártires; na Doutrina da Barquinha os adeptos fazem Romárias e Penitências em seu louvor, venerado como santo protetor contra as pestes e as epidemias e exemplo de fé cristã.

O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na iconografia cristã, pintado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias flechas. Seu semblante traduz a intensidade de uma grande dor, e a inclinação do corpo descreve que ele se oferece a Deus em holocausto recebendo do anjo a coroa dos mártires.

Viva o Soldado Guerreiro Mártir São Sebastião!

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.