Transporte público é debatido pela Câmara Municipal de Feira de Santana

Vista aérea de Feira de Santana. Câmara Municipal  debate sistema de transporte do município.

Vista aérea de Feira de Santana. Câmara Municipal debate sistema de transporte do município.

Por iniciativa da Comissão de Obras, Urbanismo e Infraestrutura Municipal, Agricultura e Meio Ambiente, a Casa da Cidadania realizou na manhã desta quinta-feira (10/12/2015), audiência pública para debater a situação do transporte público no âmbito do município de Feira de Santana.

O evento foi conduzido pelo presidente da referida comissão, vereador Alberto Nery, que compôs a mesa juntamente com o presidente do Legislativo feirense, Reinaldo Miranda – Ronny; coronel Pedro Nascimento Boaventura, secretário municipal de Transporte e Trânsito (representando o prefeito José Ronaldo de Carvalho); além do advogado e do consultor técnico das empresas Rosa e São João, Carlos Daniel Rolfisem e Claudiney Aparecido Castanha, respectivamente.

Após saudar os presentes, Alberto Nery ressaltou a importância de se discutir o transporte coletivo urbano de Feira de Santana, tendo em vista os problemas detectados no setor ao longo dos anos e as ações do poder público para tentar melhorar o sistema, sobretudo com a chegada das empresas Rosa e São João.

Foram discutidos, entre outras coisas pelos debatedores, os investimentos das empresas que vão gerir o sistema de transporte coletivo urbano de Feira de Santana, geração de emprego no setor, ações do poder público, sistema BRT, transporte clandestino, Plano Diretor, situação dos corredores de tráfego, ciclovias, equipamentos para acessibilidade e a importância de capacitação dos profissionais para uso de elevadores nos ônibus.

Representantes das empresas Rosa e São João

Carlos Daniel Rolfisem ressaltou que as empresas supracitadas decidiram investir na cidade por acreditar no seu potencial. “Pela pujança desta cidade, pela perspectiva de ter o retorno do investimento e, principalmente, no atendimento de ponta para a população”, disse o consultor técnico das empresas Rosa e São João, afirmando que ambas investiram, mesmo sem exigência da licitação, em uma frota zero quilômetro para prestar um serviço de qualidade.

Segundo Carlos Daniel, foram investidos mais de R$ 80 milhões na aquisição de 270 ônibus novos, que terão tecnologia de ponta, a exemplo de sistema de bilhetagem eletrônica com biometria facial, GPS, três câmeras internas, além de mais capacidade de assentos.

“É importante também colocar que essa frota representa um acréscimo de cerca de 40% de mais veículos à disposição em relação à frota das antigas empresas. Foram criadas novas linhas e as atuais empresas vão cumprir rigorosamente o que foi determinado no processo licitatório”, afirmou, acrescentando que as linhas alimentadoras que operam com Kombi vão ser operadas por microônibus.

Carlos Daniel salientou ainda que o edital de licitação previa que seriam cerca de 20 veículos Padron. “Mas as empresas compraram cerca de 80 carros Padron”. E assinalou que com uma frota maior as empresas gerarão mais empregos de motoristas e cobradores.

Na oportunidade, o consultor técnico das empresas Rosa e São João pediu ao poder público municipal que fiscalizasse o transporte clandestino, para que possa atrair mais pessoas no transporte regulamentado e, consequentemente, diminuir os custos.

Ele finalizou sua explanação afirmando que não há nenhuma cidade brasileira, de médio porte, com o nível de investimento no transporte coletivo como está sendo feito em Feira de Santana. “Entre frota, garagem, pessoal e equipamentos foram investidos em torno de R$ 100 milhões. Então, é importante também que a população nos ajude e ajude a Prefeitura a preservar esse transporte”, pontuou.

Em consonância Com Carlos Daniel, o advogado Claudiney Aparecido Castanha afirmou que as empresas do transporte coletivo urbano acreditam bastante no investimento que estão fazendo no município de Feira de Santana e, por conta disso, precisam da colaboração “muito firme” da população, inclusive para que deixe de usar o transporte clandestino e passe a utilizar o transporte regulamentado.

Secretário da SMTT

O coronel Pedro Nascimento Boaventura disse que o modelo mais adequado de mobilidade urbana para Feira de Santana é aquele que corresponde às reais necessidades dos feirenses e daqueles que passam diariamente pela cidade e que for menos oneroso tanto na sua implantação quanto na sua operacionalidade.

“Na verdade, o que se busca é que todos os cidadãos e cidadã, independentemente da posição socioeconômica passem a utilizar o transporte coletivo de qualidade”, declarou o secretário da SMTT, informando que esse tipo de mobilidade urbana já é viabilizada em vários países. “Então, é uma tendência e isso nós já estamos trazendo essa experiência para Feira de Santana, porque queremos ver esta cidade no cenário nacional com notícias positivas, que enleve, sobretudo a moral e a motivação do povo feirense, um povo que aprendi a respeitar, porque há mais de 15 anos estamos militando aqui neste município”.

Pedro Nascimento Boaventura destacou as ações do poder público para melhoria da mobilidade urbana, como por exemplo, o sistema BRT, contratação de “empresas renomadas” para elaboração do Plano de Mobilidade Urbana de Feira de Santana e atualização do Plano Diretor, aumento do número de agentes de trânsito e cursos de capacitação destes, além da maior integração entre a SMTT, 3ª Ciretran, Polícia Militar e a comunidade.

“Uma coisa já é certa: Feira de Santana faz uma gestão estratégica, uma visão de futuro excepcional no sentido de colocar a cidade no cenário nacional com ações positivas”, declarou o secretário da SMTT, acrescentando que o transporte clandestino será combatido sem perseguição.

Vereadores

O vereador Pablo Roberto lamentou a ausência de representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Feira de Santana (Sintrafs) e de usuários do transporte coletivo urbano no plenário. Em sua opinião, o evento não foi uma audiência pública, e sim um encontro que foi marcado para que as empresas pudessem falar acerca dos investimentos que fizeram.

“Nós queremos discutir aqui são os problemas que afligem a população de Feira de Santana no dia a dia”, queixou-se.

O vereador Alberto Nery rebateu o colega afirmando que o vice-presidente do Sintrafs e usuários do transporte coletivo se encontravam nas galerias. Disse também que a Comissão de Obras, Urbanismo e Infraestrutura Municipal, Agricultura e Meio Ambiente convidou vários segmentos da sociedade para participarem da audiência pública. “Agora, nós não podemos aqui obrigar as pessoas a participarem”.

O edil Ronny também explicou que a Câmara Municipal tomou a iniciativa de realizar a referida audiência pública por entender que o transporte público de Feira de Santana é um caos.

“Isso já acontece há muito tempo e a obrigação do poder público é melhorar mesmo, não está fazendo favor a ninguém, está fazendo a obrigação dele. Convocamos a audiência pública e convidamos todos os meios e todas as pessoas que entendem do assunto, a exemplo do Ministério Público. Agora, nós não podemos fazer com que as pessoas venham contra a sua vontade, contra o seu desejo. E quero dizer a Vossa Excelência (Pablo) que nós não estamos aqui para promover ninguém”, afirmou.

Ronny também disse que o papel da Câmara não é fiscalizar as empresas, e sim os órgãos públicos municipais. “Nós vamos fiscalizar é a Secretaria, para que cumpra a sua obrigação de fiscalizar as empresas, não são nós vereadores que temos que ir para as portas das empresas fiscalizar os ônibus”.

Com relação às pessoas que se encontravam nas galerias, o vereador deixou claro que todos tinham o direito a se pronunciar na audiência pública, independentemente de estarem ou não no plenário.

O vereador Edvaldo Lima afirmou que é o maior crítico do transporte público de Feira de Santana e, em vista disso, apresentou projetos e indicações visando à melhoria do setor. Ele disse, por exemplo, que propôs que o serviço do transporte coletivo urbano fosse operado por quatro empresas, e não duas.

Na oportunidade, Edvaldo cobrou a reativação das linhas de ônibus do conjunto Liberdade, no bairro Tomba, e da linha Uefs/Tomba, que, segundo ele, foram extintas. Em seguida, questionou se as duas empresas Rosa e São João têm algum vínculo entre elas e se os corredores de tráfegos já estavam pavimentados para oferecerem condições básicas aos ônibus de trafegarem.

O vereador José Carneiro afirmou ser de conhecimento de todos que o transporte coletivo de Feira de Santana sempre foi “um câncer, sempre foi uma inflamação no calcanhar de Aquiles de todos os governantes”.

No entanto, ele disse não se pode deixar de reconhecer que o prefeito José Ronaldo de Carvalho tem buscando, desde o primeiro mandato, melhorar o setor em Feira de Santana, principalmente quando implantou o Sistema Integrado de Transporte (SIT) e realizou uma licitação pública para contração de novas empresas para gerirem o transporte coletivo urbano, em substituição as que “prestavam um serviço de péssima qualidade”.

O líder do Governo salientou também que “as empresas Rosa e São João representam uma esperança viva não só do Governo, mas de cada usuário do transporte coletivo de Feira de Santana, que quer, precisa, exige e merece um transporte decente”, pontuou.

O vereador Beldes Ramos iniciou seu pronunciamento indagando qual seria o modelo de mobilidade urbana para Feira de Santana. “Porque nós temos nesta cidade atos arbitrários do Poder Executivo, por não respeitar a lei. Nós temos aí o BRT, que está sendo construído, uma obra de R$ 100 milhões, onde não existe o Plano de Mobilidade Urbana, que é pedido pelo Estatuto da Cidade, que o Ministério das Cidades obriga a ter esse Plano de Mobilidade Urbana em cidades acima de 500 mil habitantes”, salientou.

O petista reclamou também que o Plano Diretor de Feira de Santana é desatualizado. “É de 1992. E, para que o BRT fosse construído e qualquer obra neste sentido esse Plano Diretor teria que está atualizado”.

Já o edil Isaías de Diogo sugeriu aos responsáveis pelas empresas Rosa e São João que empregassem os pais de família que fazem transporte clandestino, para que eles possam trabalhar no transporte regularizado. Ela acredita que isso também é uma maneira de se combater a clandestinidade no setor.

O professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Antônio Rosevaldo Ferreira da Silva, fez questão de salientar que mobilidade urbana não é só transporte. “As pessoas andam por calçadas e de bicicleta também”, alertou.

Após desejar boas-vindas às empresas Rosa e São João, ele declarou: “por favor, tenham lucros, mas tenham lucros satisfazendo as necessidades das pessoas. Contem conosco, nós temos um grupo de mobilidade urbana, estamos aptos a ajudá-los, temos estudos para isso. Antes de sermos inimigos, vamos ser parceiros”, disse o professor da Uefs.

O radialista Juarez Fernandes, após afirmar que todos os corredores de tráfego de Feira de Santana estão com o pavimento danificado, questionou como é que os ônibus coletivos vão conseguir trafegar e prestar um serviço de qualidade.

O blogueiro e radialista Paulão indagou se os proprietários das empresas de ônibus estão preparados para enfrentar as situações adversas, a exemplo dos “corredores de tráfegos danificados e os ligeirinhos, que muitas vezes são apadrinhados por políticos poderosos e até militares”.

Ainda participaram do debate o advogado Sizino Oliveira, o engenheiro civil Danilo Ferreira e outras pessoas que se encontravam nas galerias da Casa da Cidadania.

A audiência pública também foi prestigiada pelos vereadores Correia Zezito e Eli Ribeiro; o diretor da empresa Rosa, Rodrigo Rosa da Silva; o diretor municipal de Transportes, Rodolfo Ferreira Júnior; o gerente da empresa São João, Marco Franco; o líder de operações das empresas Rosa e São João, Aduilson Varanda; além de estudantes, profissionais de empresa, representantes de movimentos sociais, rodoviários e pessoas da comunidade.

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