Panorama da Aviação Civil Brasileira mostra 1.695 ocorrências em 10 anos

Dados da Aviação Civil Brasileira indicam bom nível de segurança nos voos.

Dados da Aviação Civil Brasileira indicam bom nível de segurança nos voos.

Com a missão de promover a prevenção de ocorrências aeronáuticas, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) realiza todos os anos diversas ações nas áreas de investigação, segurança de voo, cursos, análises de dados, emissão de recomendações, entre outras. O “Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira”, divulgado em 2015 pelo CENIPA, mostra que foram registradas 1.695 ocorrências aeronáuticas em 10 anos (2005 a 2014). Os dados são divididos em acidentes e incidentes graves, que apontam detalhes como categoria, tipo e fase de operação da aeronave, além dos fatores contribuintes nas ocorrências.

A divulgação do relatório faz parte de uma das iniciativas do CENIPA para promover a transparência na aérea de investigação e prevenção de ocorrências aeronáuticas. Em 2015, a unidade aderiu ao sistema de dados abertos, onde o usuário pode pesquisar detalhes das ocorrências aeronáuticas da última década. As informações podem ser utilizadas para gerenciar a prevenção nas empresas aéreas, embasar estudos científicos ou esclarecer as dúvidas dos usuários do transporte aéreo.

Segurança de voo – Na área de segurança de voo, o CENIPA promoveu durante o ano inúmeras ações de norte a sul do País com a realização de seminários, estágios de padronização e simpósios. “As atividades educativas realizadas por meio de seminários, simpósios e reuniões, em todas as regiões do Brasil e focadas nos principais problemas específicos de cada área, têm o objetivo de promover de forma eficaz a cultura de segurança de voo”, explica o Chefe do CENIPA, Brigadeiro do Ar Dilton José Schuck.

Um dos destaques foi o III Encontro de Segurança de Voo para Asas Rotativas, realizado em São Paulo (SP) pelo Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV). O evento reuniu pilotos, mecânicos, engenheiros, inspetores, supervisores, gestores, estudantes, proprietários e empresários da aviação civil para discutir temas relacionados aos fatores contribuintes em acidentes aeronáuticos, envolvendo manutenção e operação, com foco na prevenção de ocorrências.

Segundo dados da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero, voar de helicóptero no Brasil está mais seguro. Entre 2011 e 2014, a frota aumentou de 1.717 para 2.510 aeronaves, enquanto a ocorrência de acidentes caiu de 30 para 20.

E a queda nas taxas de acidentes aeronáuticos foi registrada não só com os helicópteros, mas na aviação em geral. Segundo dados do CENIPA divulgados em 2015, houve uma redução de 12% no número de acidentes aeronáuticos no Brasil o ano passado. “De todas as atividades realizadas, a mentalidade de segurança difundida em todos os níveis das organizações e a capacitação dos profissionais são fundamentais para a prevenção de acidentes aeronáuticos”, destaca o Brigadeiro Schuck.

A aviação agrícola também foi tema durante o ano. No Rio Grande do Sul, o Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V) realizou o curso de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – Aeroagrícola (CPAA-AG), com duração de duas semanas. Os alunos assistiram a aulas sobre fadiga de voo, sobrecarga autoprovocada, automedicação, combustíveis e lubrificantes, erro humano, perda de controle em voo, reação à mudanças e colisão com solo, entre outros. O objetivo foi provocar mudanças comportamentais nos profissionais que operam nesta atividade.

Risco de Fauna, perigo baloeiro e laser verde – Em 2015, o CENIPA divulgou o relatório de Risco de Fauna registrado no último ano, que apontou mais de 4 mil incidentes envolvendo animais e aeronaves no Brasil. Estima-se que somente uma em cada quatro colisões com fauna no Brasil seja efetivamente reportada. No Brasil, todas as ocorrências envolvendo aeronaves e animais, como colisão, quase colisão e avistamentos, devem ser reportadas ao CENIPA e os casos são tratados como incidentes aeronáuticos.

O perigo de acidentes com balões aumentou 75% no mês de junho, devido ao período de festas juninas. A região sudeste é onde se concentra a maior parte das ocorrências: dentre as notificações registradas neste ano, 88% foram nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Além de a prática ser considerada crime ambiental, passível de multa e detenção, pode trazer sérias consequências à aviação. Se uma aeronave estiver realizando aproximação para pouso a 460 km/h e colidir com um balão que tenha apenas 1kg de cangalha – estrutura onde são colocados os fogos de artifício – o impacto pode gerar uma força capaz de atravessar o para-brisa do avião.

 Outro problema abordado pelo CENIPA e que pode colocar em risco a vida de muitas pessoas é a utilização do laser verde. Até setembro foram registradas mais de 600 ocorrências do tipo. A luz intensa pode ofuscar a visão dos pilotos e contribuir para que ocorram acidentes. Além de perigoso, apontar laser para aviões e helicópteros também se constitui crime. O artigo 261 do Código Penal Brasileiro prevê sanções para quem expor a perigo ou praticar qualquer ato que possa impedir ou dificultar a navegação aérea. Já existe, também, um projeto de lei (PL 3151/12) para punir quem usar de forma indevida as canetas de raio laser.

“Foi possível observar uma constante evolução na estrutura e nos recursos empenhados em prol da segurança de voo. Isso é fruto da crescente conscientização dos gestores da atividade aérea, sejam militares ou civis, fazendo com que o Brasil se mantenha dentro do rol dos países mais respeitados pelos seus padrões de segurança”, avalia o chefe do CENIPA.

CENIPA e sociedade

Em novembro de 2015, o CENIPA recebeu jornalistas de diversos veículos de comunicação do País para uma programação especial de palestras e visitas aos laboratórios, durante o I Seminário de Investigação de Acidente Aeronáutico para a Imprensa. O intuito foi aprofundar os conhecimentos desses profissionais de comunicação nos processos relacionados à investigação de acidentes aeronáuticos e, assim, informar melhor a sociedade brasileira, já que os acidentes aeronáuticos geram interesse público.

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