Não há nenhuma diferença | Por Luiz Holanda

"O PMDB e o PT sempre foram partidos aliados.".

“O PMDB e o PT sempre foram partidos aliados.”.

O PMDB e o PT sempre foram partidos aliados. Conhecido como o partido da boquinha e da corrupção, o PMDB preside a Câmara e o Senado, um antro do que de pior tem o país. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, sabe que vai cair, mas precisa passar para a história como o personagem que detonou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mesmo que para desviar o foco de acusações contra a sua pessoa.

 A ideia de que parlamentares usam o mandato para obter vantagens ilícitas já causou mais revolta. Hoje essa noção está diluída em escândalos que já não conseguem provocar qualquer indignação. A maioria dos nossos representantes é corrupta e pronto. Isso é a coisa mais natural do mundo.

Apesar desse ambiente, vivemos completamente anestesiados. Mesmo assim, não podemos deixar de fazer alguma reflexão a respeito das afirmações do então senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, de que o Senado virou um teatro de mediocridade e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Segundo o peemedebista, “Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”.

Para Jarbas, “A maioria se incorpora a essas coisas pelas quais os governos vêm sendo denunciados: manipulação de licitações dirigidas e corrupção em geral”. Não é sem razão, pois, que o então senador e atual deputado federal considera o PMDB um dos mais corruptos e homofóbicos partidos do país. Na época em que o parlamentar fez essas declarações o PMDB tinha 76 deputados federais, 18 senadores e cinco governadores; a segunda maior bancada do Congresso. Desses, quatro governadores e oito deputados federais estavam respondendo a processos na Justiça.

Nessa época o partido foi medalha de ouro no número de políticos barrados pela “Lei da Ficha Limpa”. No campo da homofobia, o “bandido” Eduardo Cunha propôs o dia nacional do orgulho hétero, e muitos dos prefeitos do partido proibiram o movimento LGBT de utilizar os espaços públicos mantidos pela prefeitura.

Para piorar, o deputado federal Washington Reis, peemedebista fanático, apresentou à Câmara um projeto de lei garantindo o “direito” de pastores e padres expulsarem gays das igrejas e templos. Para piorar, a senadora Marta Suplicy, especialista em sexo, se filiou ao partido defendendo um “Brasil livre da corrupção”.

O PMDB, atualmente, comanda as duas Casas do Congresso nacional. Seus dois presidentes são acusados de corrupção e outras fraudes, além de responderem a processo no Supremo Tribunal Federal. Um deles, Eduardo Cunha, declarou, com a maior descaração, ser “usufrutuário” de contas na Suíça. Não se sabe quem é o titular; conhece-se apenas o usufrutuário.

Esse senhor, segundo Ciro Gomes, é “o maior bandido de todos”, além de “calhorda”. Mesmo assim, para se safar de uma cassação, esse “bandido” detonou o processo de impeachment contra a presidente Dilma, que, mesmo não sendo atingida pessoalmente, administra o governo mais corrupto de nossa história.

Para piorar, o vice-presidente Michel Temer, conhecido como o homem do Porto de Santos, pode assumir a presidência no lugar de dona Dilma. Se isso acontecer, a corrupção vai continuar do mesmo jeito, pois um governo corrupto não pode tolerar um substituto que não seja também corruptor.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.