Mesa da Câmara Federal recua e reconduz Leonardo Picciani à liderança do PMDB

Deputado Leonardo Picciani foi reconduzido à liderança do PMDB com apoio de 36 deputados.

Deputado Leonardo Picciani foi reconduzido à liderança do PMDB com apoio de 36 deputados.

Depois de recusar as assinaturas, a Secretaria Geral da Mesa da Câmara dos Deputados voltou atrás e confirmou o apoio dos 36 deputados do PMDB à recondução de Leonardo Picciani (RJ) à liderança do partido na Câmara. A relação foi protocolada no fim da manhã de hoje (17/12/2015) mas os nomes de três parlamentares – Jéssica Sales (AC), Vitor Valim (CE) e Lindomar Garçon (RO) – estavam em questionamento por também terem assinado a lista anterior que pedia a substituição de Picciani.

“Houve um entrave burocrático. A Mesa estava reconhecendo as assinaturas anteriores. Mas os próprios deputados esclareceram que o apoio se tratava à lista presente”, explicou Picciani que, por quase duas horas, ficou na sala da Secretaria até que o apoio fosse reconhecido.

A mudança no comando do partido na Casa ocorreu quando uma ala do PMDB, que declarou ser contrária ao governo, criticou as indicações de Picciani para compor a comissão especial que analisará o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O grupo acusou Picciani de descumprir acordo feito com a bancada e compor a relação de acordo com orientações do Palácio do Planalto. Com 35 assinaturas, elegeram o deputado Leonardo Quintão (MG) como novo líder no dia 9 deste mês.

A recondução de Picciani é atribuída à mudança de posição de três parlamentares e o retorno à bancada de alguns filiados que ocupavam cargos executivos no estado do Rio de Janeiro. Entre os deputados fluminenses, estão Marco Antonio Cabral, que estava no comando da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude do estado, e Pedro Paulo Carvalho, que era Secretário municipal da Casa Civil do Rio de Janeiro.

Com Picciani novamente na liderança, o PMDB na Câmara deve enfrentar dias de impasse até a eleição de novo líder, marcada para fevereiro de 2016. Lúcio Vieira Lima (BA), um dos protagonistas da substituição de Picciani por Quintão, alertou hoje que grande parte dos peemedebistas não se sente representado.

“Foi uma bancada artificial [que apoiou a volta de Picciani]. Demitiram secretários para formar a maioria. Podemos dizer que ele é um líder paraguaio, porque não foi legitimado pela bancada que realmente atua nesta Casa.”

Mesa Diretora rejeita assinaturas de Picciani para voltar à liderança do PMDB

A Mesa Diretora da Câmara rejeitou há pouco a lista com as 36 assinaturas recolhidas por Leonardo Picciani (PMDB-RJ) para retornar à liderança do PMDB na Casa. Para a negativa, o órgão argumentou que o deputado Vitor Valim (CE) também foi signatário da lista anterior, que pedia a substituição de Picciani. Criou-se assim uma dualidade. Picciani prometeu recorrer e buscar novos apoios.

Picciani precisa reunir metade mais um da bancada do partido – hoje com 69 parlamentares – para poder voltar à função. As assinaturas foram obtidas devido ao retorno de alguns filiados que ocupavam cargos no estado do Rio e foram exonerados, reassumindo vagas na bancada da Câmara, e pela mudança de posição de alguns parlamentares. Entre os deputados fluminenses, estão Marco Antonio Cabral que estava no comando da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude do estado, e Pedro Paulo Carvalho, que era Secretário municipal da Casa Civil do Rio de Janeiro.

“Acho que fui vítima de um instrumento de força que é ruim para o partido, que constrange os deputados. Fui obrigado a fazer a lista porque foi a única forma de retornar à liderança e manter o calendário de eleição [para que novo líder seja escolhido em fevereiro do próximo ano]. Lamento que isto tenha ocorrido, mas agora restauramos a decisão democrática”, disse. Segundo ele, o argumento usado na conversa com deputados peemedebistas foi o alerta sobre o uso de listas para aprovação de nomes para o cargo em detrimento de eleição.

Saída

O motivo da saída de Picciani foi a lista de nomes do PMDB que ele apresentou para compor a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. As vagas foram disputadas por integrantes do partido aliados do governo e nomes ligados ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que desde o fim do primeiro semestre anunciou rompimento pessoal com o Palácio do Planalto.

Insatisfeitos com as indicações, uma ala da legenda chegou a acusar Picciani de descumprir um compromisso firmado com a bancada, que previa que metade dos nomes (quatro) fossem escolhidos entre parlamentares favoráveis ao processo e a outra metade entre mais aliados ao governo. De acordo com o grupo, Picciani “atropelou” a bancada e fechou uma lista que foi construída com o Palácio do Planalto.

Leonardo Picciani minimizou divergências e negou que tenha sido vítima de um golpe. “Creio que isso é fruto do momento tenso que o país vive, em que é preciso aprovar medidas fiscais, quando há um processo de impedimento em curso, e ainda divergências sobre a situação de [presidente da Câmara] Eduardo Cunha. Tudo isto tensiona o ambiente. É preciso que todos recolham suas armas para que o PMDB ajude o país a superar esta situação.”

Diálogo

O peemedebista afirmou que com a confirmação das assinaturas retomará a liderança, mantendo o diálogo com o Palácio do Planalto. “Continuarei dialogando com a presidente Dilma [Rousseff]. A maioria da bancada tenho certeza que preza o diálogo, embora alguns reclamem. Conversando é que se encontram os caminhos para os desafios”, concluiu.

*Com informação Agência Brasil.

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