Impeachment tem poucas chances de prosperar, diz ministro Joaquim Levy

Ministro Joaquim Levy avalia que tentativas de derrubar governo Rousseff não terão êxito.

Ministro Joaquim Levy avalia que tentativas de derrubar governo Rousseff não terão êxito.

A possibilidade de impeachment da presidenta Dilma Rousseff é pequena e não tem chance de prosperar, disse hoje (18/12/2015) o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em café da manhã com jornalistas, ele repetiu que a economia reagirá bem, assim que acabarem as incertezas políticas, mas reiterou que são necessárias reformas estruturais e comprometimento com o ajuste fiscal para que o país recupere o crescimento sustentável.

“Superando as incertezas políticas, acho que nossa economia vai reagir bem. No momento, a perspectiva de impeachment é pequena. As pessoas não querem mais incertezas. Na medida em que governo puder articular, apontar com clareza o que se espera nos próximos três anos, as incertezas vão diminuir”, afirmou.

Levy fez uma brincadeira e comparou o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao impeachment de Dilma, divulgado nesta semana, ao engajamento da entidade com o modelo do setor elétrico. “Vou ser um porquinho mais direto dada a insistência e a dinâmica. Vejo o apoio da Fiesp ao impeachment da mesma forma que o apoio que ela deu às mudanças do setor elétrico em 2012, até teve um papel inspirador [nas mudanças]. É sempre importante ver quem paga o pato depois”, ressaltou.

A Fiesp foi uma das grandes apoiadoras ao modelo de subsídios para as empresas de energia, que reduziu os preços em 2013 e 2014. O sistema deixou de vigorar este ano, depois que o Tesouro Nacional informou não ter mais dinheiro para bancar a Conta de Desenvolvimento Energético.

O ministro lembrou que a economia brasileira tem vantagens em relação a outros países para superar a crise, como o fato de não existir uma bolha imobiliária e as famílias serem menos endividadas que nas economias avançadas. Ele disse, no entanto, que o Brasil precisa estar atento a países vizinhos, como Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai e Paraguai, que estão promovendo reformas para dinamizar a economia.

“Ao longo do ano todo, a presidente Dilma ressaltou a importância de que algumas políticas implementadas tinham se esgotado e que o país tinha de tomar novas direções. Quanto mais transparente o governo é em relação à situação, mais as pessoas se sentem confiantes. Não adianta passar cenário rosa num país com o nível de informação do Brasil. Quanto mais transparente, aumenta confiança das pessoas, mais tranquilidade se dá”, declarou.

De acordo com Levy, as saídas em relação à economia passam pelas reformas estruturais e o equilíbrio das contas públicas. “Fui administrador, costumava lidar com a incerteza e o risco. Vamos prestar atenção aos riscos relevantes”, ressaltou. O ministro destacou que o país precisa se preparar para uma nova realidade mundial, em que os Estados Unidos e a China deixaram de conceder estímulos que elevaram o preço das commodities – bens primários com cotação internacional.

“O mais importante é preparar a economia para o desafio pós-commodities. Esse boom que a gente viveu nos anos anteriores foi reflexo de políticas anticíclicas dos nossos maiores parceiros. Nos Estados Unidos, o Banco Central deu dinheiro para os americanos gastarem. Na China, a política foi investir. Isso levou a um aumento global no fluxo de gastos e de investimentos, mas foi uma resposta anticíclica, portanto temporária”, concluiu Levy.

*Com informações da Agência Brasil.

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