Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que impeachment é processo jurídico-político e que presidente só pode ser deposto do mandato se houver “clima político”

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, o ex-presidente da Fernando Henrique Cardoso, e governadores tucanos em reunião na sede da Executiva Nacional do PSDB.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, o ex-presidente da Fernando Henrique Cardoso, e governadores tucanos em reunião na sede da Executiva Nacional do PSDB.

Os principais nomes do PSDB reuniram-se quinta-feira (10/12/2015) à noite em Brasília. O senador e presidente nacional do partido, Aécio Neves, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foram alguns dos presentes no encontro. Para o ex-presidente da República, existem motivos suficientes para concretizar o impeachment de Dilma Rousseff.

“Você desrespeitar reiteradamente a Lei de Responsabilidade Fiscal tendo em vista benefícios eleitorais, porque houve abundância de uso de recursos para uso em programas sociais em ano de eleição, é uma razão consistente”, disse FHC. Ele disse ainda que entende o impeachment como um processo jurídico-político e que um presidente só pode ser tirado no meio do mandato se houver “clima político”.

“Se esse clima se formar, há razões [para o processo de impeachment]. Se esse clima não se formar, não há razão que derrube um presidente da República que foi eleito, que teve voto. Não é um processo simples. Parece-me que o clima atual é de que o governo está muito paralisado. E um país como o Brasil, com tantos problemas pela frente, não pode ficar esperando que as coisas se resolvam por si. Precisa que haja ação política”, avaliou o ex-presidente da República.

Aécio Neves classificou o encontro como um momento para “afinar a orquestra” em torno do discurso favorável ao processo de impeachment. “Essa reunião é para ‘afinar a orquestra’ e estaremos cada vez mais conversando e convergindo no sentimento de que cabe à presidenta da República dar respostas formais e definitivas às acusações que lhe são feitas”.

O senador também pediu “serenidade” neste momento, mas disse que há justificativa jurídica para que o processo de impeachment corra no Congresso. “Existe um pleno Estado de Direito, os pilares básicos para que essa proposta fosse colocada em votação existem e nós temos que ter a serenidade para discuti-la”. Aécio frisou que a petista “deve ter todo direito à defesa”, mas afirmou que no PSDB há um “sentimento convergente” de que existem razões para a saída de Dilma da Presidência da República.

Já Alckmin criticou os recorrentes discursos do governo e seus aliados de que há uma tentativa de golpe no país. “O impeachment está previsto na Constituição Brasileira e a Constituição não é golpista. Não tem nenhuma justificativa para vir com essa história de golpe”.

O encontro também teve a presença dos governadores tucanos Pedro Taques (MS), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Beto Rixa (PR) e Reinaldo Azambuja (MS). Os senadores José Serra e Cássio Cunha Lima, além do líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio, também participaram da reunião, que durou cerca de uma hora.

Após um desentendimento com a ministra Kátia Abreu em uma festa ontem, bastante repercutido hoje na mídia e nas redes sociais, Serra saiu sem falar com a imprensa.

*Com informações da Agência Brasil.

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