Editorial: um terço dos votos favoráveis a Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara Federal foram oriundos de deputados baianos da base governista; vergonhosamente, um deles é filho do vice-governador

Carlos Felipe Vazquez de Souza Leão (Cacá Leão, PP-BA), Erivelton Lima Santana (PSC-BA) e João Carlos Bacelar (PR-BA) votaram contra os interesses da República, e contra as aspirações éticas do povo baiano.

Carlos Felipe Vazquez de Souza Leão (Cacá Leão, PP-BA), Erivelton Lima Santana (PSC-BA) e João Carlos Bacelar (PR-BA) votaram contra os interesses da República, e contra as aspirações éticas do povo baiano.

Despudor é quando alguém perde a excitabilidade da compostura, da modéstia, e do respeito. Significa, também, a inexistência de pudor, impudor, imoralidade, indecência ou sem-vergonhice. Desrespeito é um comportamento ou atitude que denota falta de respeito, afronta, descumprimento, desplante, desacato, desacatamento, insubordinação, desobediência, descortesia, desprezo, desconsideração, atrevimento, ultraje e insulto.

Foi com despudor e desrespeito que três deputados – Carlos Felipe Vazquez de Souza Leão (Cacá Leão, PP-BA), Erivelton Lima Santana (PSC-BA) e João Carlos Bacelar (PR-BA) – eleitos pelo povo baiano, representaram da forma mais canhestra e degenerada os valores da população, ao proferir votos favoráveis ao deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), e contra a aceitação do processo de cassação, durante reunião da Comissão do Conselho de Ética da Câmara Federal, ocorrida na terça-feira (15/12/2015).

Por 11 votos a 9, o Conselho de Ética da Câmara Federal votou a favor do parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), mantendo a admissibilidade da representação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quebra de decoro parlamentar. Observa-se que um terço dos votos favoráveis a Eduardo Cunha vieram de políticos baianos.

A marca da deslealdade

Soma-se, ao despudor e desrespeito, a falta de lealdade. Os deputados Carlos Leão, Erivelton Lima e João Carlos Bacelar são membros de partidos da base aliada ao governo Rousseff. Ao apoiarem Eduardo Cunha, de forma transversal, apoiaram um golpista. Conforme observa-se na declaração de 12 de dezembro de 2015, proferida pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, sobre o uso do instrumento do impeachment, por parte do presidente da Câmara Federal:

– O dispositivo [Processo de Impeachment] está sendo usado para satisfazer as ambições políticas daqueles que não conseguem obter maioria nas urnas. […] quando o [impeachment] se transforma em um processo exclusivamente político, o que se tem é um golpe.

Filho do vice-governador da Bahia, João Leão (PP), o deputado Carlos Leão perfilou ao lado de um conspirador da República, perfilou ao lado da bancada dos que apoiam os parlamentares envolvidos no caso Lava Jato. Observa-se que com o gesto, além de escrever uma página degenerada na própria história política, Carlos Leão traiu o apoio e confiança que o então governador Jaques Wagner depositou no pai João Leão, ao aceita-lo na aliança com Rui Costa (PT), para o governo da Bahia.

Unidos no caso Lava Jato

Associado as palavras, os atos determinam o caráter dos indivíduos. Observa-se que a forma de mensurar o caráter de homens públicos ocorre ao analisar o discurso e ação, nesse sentido, os deputados baianos formam um perverso triunvirato a favor das mais degeneradas práticas correntes no setor público.

Eles perfilam um comportamento favorável a corrupção, ao aviltamento, ao golpe, ao desrespeito a República. Observando que na figura política do deputado Eduardo Cunha encerram-se esses abjetos comportamentos humanos. Sob esse aspecto, os votos dos deputados simbolizam os valores que eles defendem.

Certamente, a população deve avaliar esse degenerado comportamento dos parlamentares, negando-lhes, nas eleições subsequentes, o prosseguimento na vida pública. Com o gesto e os valores encerrados na atitude, os deputados Carlos Leão, Erivelton Lima e João Carlos Bacelar definiram o que pensam e como agem. Infere-se que são valores e comportamentos distantes do esperado pela população baiana e brasileira.

Aliados de Catilina

O filósofo romano Marco Túlio Cícero (106 a.C. – 43 a.C.) no celebre discurso dirigido ao senador romano, traidor da República, Lúcio Sérgio Catilina, declarou:

– Portanto, Catilina, que podes mais esperar, se nem a noite com as suas trevas pode encobrir teus iniques congressos, nem a casa mais retirada conter com as paredes a voz da tua conjuração? Se tudo se faz manifesto, se tudo sai a público? Crê-me o que te digo: muda de projeto, esquece-te de mortandades e incêndios; por qualquer parte te haveremos às mãos.

Envolvidos no caso Lava Jato, parlamentares encontram aliados para conspirar contra a República. Mas, há dois mil anos, alertava Cícero:

– A todos os inimigos dos bons, a todos os adversários da pátria, a todos os ladrões da Itália [Nação], juntos entre si com o vínculo de seus delitos e abominável sociedade, vivos e mortos os castigarás com eternos suplícios.

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Apoio dos partidos ao Governo Dilma Rousseff no Congresso Nacional de 2011 a 2015

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*Carlos Augusto é jornalista e cientista social.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.