Agricultores familiares fazem balanço positivo de feira estadual

Secretário Jerônimo Rodrigues palestra durante Seminário com Gestores Públicos Municipais.

Secretário Jerônimo Rodrigues palestra durante Seminário com Gestores Públicos Municipais.

“A feira virou o nosso cartão postal. Além de nos preparar para o mercado, dando total visão empreendedora. Este ano está mais organizado e que, a cada dia, cresça mais, que mais pessoas possam participar, pois aqui conseguimos uma ampla divulgação de nosso trabalho”, destacou a expositora e membro do Quilombo Pitanga dos Palmares, Maria Bernadete Pacífico, que durante a VI Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária (FEBAFES), recebeu o Selo de Identificação de Produtos Quilombolas.

Dona Maria Bernadete foi uma das agricultoras e agricultores familiares e empreendedores da economia solidária, dos 150 estandes, divididos por Territórios de Identidade, que tiveram as suas expectativas atendidas pela participação na VI FEBAFES, que encerrou neste domingo (06), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador, em Salvador.
O evento foi promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES), com o objetivo de conceber um espaço para promoção, divulgação e comercialização dos produtos dos empreendimentos da agricultura familiar e da economia solidária, além de promover a capacitação dos expositores e agricultores familiares.
Segundo a pescadora artesanal, da Rede Mulher, de Sobradinho, Maria Aparecida Mendes, conhecida como Dona Cida Pescadora, que produz, entre os 30 itens derivados da tilápia, os seis tipos diferentes de linguiça de tilápia, as expectativas pela participação na feira foram superadas ainda no segundo dia do evento. Além da linguiça e hambúrguer de tilápia, a Rede Mulher trouxe para o estande as iscas de peixe, filés de tilápia, quibe, biscoitos e almôndegas para degustação dos visitantes.
“Para nós, da Rede Mulher, foi uma evolução muito grande. Não esperávamos que, no segundo dia, conseguiríamos vender os 240 quilos de linguiça e 70 quilos de hambúrguer de tilápia que trouxemos de Sobradinho. Eu tive que ir pessoalmente em Sobradinho, com um total de 1.200 quilômetros entre ida e vinda, para buscar mais 120 quilos. Só não trouxemos mais mercadorias, porque não deu tempo produzir”.
Outra experiência semelhante a da Rede Mulher, foi a da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), que esgotou seu estoque de cerveja do umbu, outra iguaria produzida pela agricultura familiar da Bahia. De acordo com a auxiliar comercial da Coopercuc, a cooperativa não tinha a expectativa de vender tanta cerveja. “Não imaginava que a procura pela cerveja e a aceitação dela seria tanta assim. Todo o nosso estoque foi vendido, e quem veio procurar a cerveja, conheceu e comprou também os doces, geleias e compotas que produzimos, superando a nossa expectativa”.
A Cooperativa de Produção da Região de Piemonte da Diamantina (Coopes), também comemora a participação da VI FEBAFES. Para a cooperada Rosana dos Santos Lima, a participação na feira teve um resultado mais que o esperado. “Além das vendas dos nossos diversos produtos derivados do licuri, aos visitantes da feira, três mercados da Central de Abastecimento do Rio Vermelho firmaram compromisso para assinatura de contrato com a Coopes. Além das vendas, aprendi muito com os cursos, a exemplo do curso de capacitação em atendimento, feito pelo Sebrae”.
De acordo com a coordenadora da VI FEBAFES e diretora de Agregação de Valor e Acesso à Mercados da Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF), órgão da SDR, Elisabete Costa, a 6ª edição da feira contou com o dobro de estandes, em relação ao ano anterior, de 75 pulou para 150, ampliando também o número de expositores e movimentou mais de R$1,2 milhão. Outro aspecto importante foi o número de visitantes, que está superando as expectativas. “Quem visitou a feira teve a oportunidade de conhecer uma diversidade de mais de três mil itens produzidos nos diversos Territórios de Identidade baianos”.
Costa destacou que, nesse ano, a feira, além de ter o diferencial de ser dividida por Território de Identidade, teve a presença de outros segmentos, a exemplo da participação de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, pescadores e do programa Crédito Fundiário. “Esse espaço criado para os agricultores familiares ajuda a fortalecer a organização e a produção dentro do Território e estimula o agricultor a investir em sua produção, socializando experiências, melhorando a produção, apresentação do produto e comercialização, entre outros benefícios.
A FEBAFES
A Feira da Agricultura Familiar foi planejada para fortalecer as ações de agricultores familiares, empreendimentos da economia solidária, agricultores assentados dos programas de reforma agrária e crédito fundiário, quilombolas, indígenas, cooperativas, associações e redes de comercialização, técnicos, profissionais, pesquisadores, professores, estudantes, gestores públicos de diversas instituições dos municípios, estados e da União.
Durante a feira aconteceram atividades importantes para a Agricultura Familiar e o Desenvolvimento Rural, a exemplo da criação da Rede de Pesquisa, Ensino e Extensão em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável e do Seminário sobre compras públicas que reuniu instituições públicas de organizações produtivas da agricultura familiar.
Capacitação e comercialização
A feira contou com uma programação diversificada entre atividades de capacitação por meio de cursos, palestras, oficinas e seminários, com temas voltados para o fortalecimento da agricultura familiar, do empreendedorismo, cooperativismo e da economia solidária no estado. Entre os temas abordados estavam legislação sanitária e ambiental, comercialização, marketing, boas práticas de fabricação e compras institucionais, entre outros.
Além da comercialização nos estandes, os expositores participaram de rodadas de negócios com empresários de redes hoteleiras, supermercados, bares e restaurantes, entre outros potenciais consumidores desses produtos.
O espaço contou ainda com uma praça de alimentação, praça de comunidades e povos tradicionais, espaço de produtos orgânicos e espaço cultural. Tudo organizado por Territórios de Identidade do estado, onde foram apresentados produtos típicos do local, cultura e culinária.  Durante o evento, os visitantes da FEBAFES tiveram a oportunidade de degustar, comprar e conhecer um pouco mais sobre os produtos da agricultura familiar, diretamente de suas origens.

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br