Senador Walter Pinheiro alerta para as consequências da prolongada estiagem no Nordeste

Walter Pinheiro: "como diz o Bispo da Barra, Dom Luiz: ‘anêmico não doa sangue’. Nós estamos fazendo os canais da transposição e o São Francisco está anêmico. Para a água chegar lá está difícil”.

Walter Pinheiro: “como diz o Bispo da Barra, Dom Luiz: ‘anêmico não doa sangue’. Nós estamos fazendo os canais da transposição e o São Francisco está anêmico. Para a água chegar lá está difícil”.

Durante pronunciamento no Senado, nesta terça-feira (10/11/2015), o senador Walter Pinheiro chamou  atenção para a necessidade de obras de reservação de água no Nordeste, como alternativa para a convivência com prolongada estiagem, e lamentou a atual situação do rio São Francisco.

“Como construir, como empreender de maneira que área de reservação, que projetos dessa natureza possam ser aplicados no Nordeste como um todo? Essa é uma das obras mais importantes, mais até do que fazer a transposição do São Francisco, até porque, como diz o Bispo da Barra, Dom Luiz: ‘anêmico não doa sangue’. Nós estamos fazendo os canais da transposição e o São Francisco está anêmico. Para a água chegar lá está difícil”, disse.

Pinheiro revelou a triste realidade de Sobradinho, um dos maiores lagos artificiais do mundo, construído para o aproveitamento hidroelétrico do rio São Francisco. Segundo o senador, a principal preocupação neste momento não está nem na geração de energia, mas no armazenamento de água. “Não há mais vazão do rio São Francisco. Vários dos nossos afluentes estão secando”, lamentou.

O senador lembrou também que, nos últimos anos, a seca tem se agravado no Nordeste e diversas medidas provisórias foram editadas, a maioria no sentido de oferecer apoio aos agricultores que perderam suas safras, mas os mesmos encontram dificuldades burocráticas no Banco do Nordeste. “O Banco do Nordeste continua olhando os agricultores e dizendo ‘falta regulamentação. O Conselho Monetário vai fazer isso, vai fazer aquilo’. Quem está na ponta é que está sofrendo, vendo a cria ir embora, vendo a impossibilidade real de voltar a plantar. Ainda por cima tem o Banco do Nordeste no cangote, querendo receber um dinheiro que o agricultor não tem a menor possibilidade de fazê-lo girar, até porque não teve nem condição de plantar. Quando não é a desgraça da ameaça, inclusive, de tomar a terra, que fica essa cantilena no juízo”, frisou.

Segundo Pinheiro, nos dois últimos anos, o seguro Garantia Safra injetou recursos importantes para a sobrevivência do homem do campo, mas hoje é urgente a adoção de medidas que garantam o replantio. “Na Bahia, nós fizemos mais de 220 mil processos de Garantia Safra. Nós temos 600 mil famílias de agricultores familiares na Bahia. Foram esses 220 mil processos de Garantia Safra que propiciaram a injeção de algo em torno de R$170 a R$175 milhões no interior da Bahia. Esse dinheiro foi injetado para o agricultor comer. Agora, nós precisamos de duas outras coisas: recurso para o Agricultor comer, matar a sua fome, e recurso para esse agricultor se preparar para ver o que vai ser possível fazer na próxima safra”, destacou.

Pinheiro sugeriu ainda que a Bancada do Nordeste possa cobrar diretamente da Presidente da República a adoção de medidas e ações que possam mudar este cenário. “Vários dos nossos rios, que eram perenes, estão secando. Portanto, até a expectativa nossa com a chuva está frustrada. Não existe dinheiro para fazer obra de reservação. A água vai bater  e vai-se embora”, disse.

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