Rompimento de barragens em Minas Gerais, uma tragédia com consequências incalculáveis | Por Ubirajara Coroa

Artigo aborda catástrofe ambiental/capitalista em Mariana, Minas Gerais.

Artigo aborda catástrofe ambiental/capitalista em Mariana, Minas Gerais.

Até o momento, os órgãos oficiais contabilizaram 11 mortos com o rompimento das barragens de rejeitos da mineradora Samarco – Fundão e Santarém -, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, localizadas entre os municípios de Mariana e Ouro Preto. É importante chamar atenção também para as perdas irreparáveis e que não podem ser numérica e imediatamente contabilizadas, a exemplo da destruição de milhares de espécies da fauna e da flora e, principalmente, a morte do Rio Doce, responsável pelo abastecimento de água de cidades inteiras, mas que foi completamente tomado pela lama tóxica, resultante do rejeito da produção de minério de ferro.

De acordo com o Ibama, o volume extravasado foi estimado em 50 milhões de metros cúbicos, quantidade que encheria 20 mil piscinas olímpicas. A lama atingiu o estado do Espírito Santo e já parte em direção à Bahia, ameaçando os recifes de corais do Parque Nacional de Abrolhos, mais antiga reserva natural dos mares brasileiros.

Não há caminho para olhar a tragédia em Minas sem relembrar o processo da desastrosa privatização da Vale do Rio Doce, em 1997, pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso. À época, a Vale era a segunda maior empresa do país e a maior do mundo em produção de minério. A venda da Vale do Rio Doce foi mais uma das tramas que marcou o Plano Nacional de Desestatização (PND) feito pelo PSDB, responsável pela privatização de cerca de 70% do patrimônio nacional.

Avaliada em R$92 bilhões, a empresa foi vendida por pouco mais de R$ 3 bilhões, ou seja, umas das importantes riquezas do Brasil foi entregue à iniciativa privada por um valor 28 vezes menor do que deveria. Não podemos deixar de destacar também o silenciamento de boa parte da mídia brasileira sobre a tragédia ocorrida em Minas Gerais, principalmente ao comparar com o enquadramento e cobertura feita com as mortes na França, em função do ataque terrorista realizado no final de semana.

*Ubirajara da Silva Ramos Coroa (Bira Corôa) é deputado estadual pelo PT da Bahia.

Outras publicações

MP e Instituto Chico Mendes lançam campanha com objetivo de proteger mata atlântica Campanha com objetivo de proteger mata atlântica é lançada pelo MP e ICMBio. Com o objetivo de proteger a mata atlântica da supressão de árvores nat...
Durante discursos na AL-BA, petistas destacam papel do Sindiquímica na luta pela democracia Petistas destacam papel do Sindiquímica na luta pela democracia. Durante Sessão Especial em comemoração aos 50 anos do Sindicato dos Trabalhadores d...
Volkswagen anuncia investimentos de R$ 520 milhões no Brasil A presidenta Dilma Rousseff recebe o presidente da Volkswagen do Brasil e presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Thomas Schmal...

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br