Papa Francisco: sacerdotes são pais e irmãos e não funcionários

Papa Francisco: “Faz-se padre para estar no meio da gente. O bem que os padres possam fazer nasce sobretudo da sua proximidade e de um terno amor pelas pessoas. Não são filantropos ou funcionários, mas padres e irmãos.”.

Papa Francisco: “Faz-se padre para estar no meio da gente. O bem que os padres possam fazer nasce sobretudo da sua proximidade e de um terno amor pelas pessoas. Não são filantropos ou funcionários, mas padres e irmãos.”.

No final da manhã desta sexta-feira dia 20 de novembro, o Papa Francisco recebeu em audiência na Sala Régia os participantes do encontro promovido pela Congregação para o Clero, nos 50 anos do documentos conciliares Optatam Totius e Presbyterorum Ordinis dedicados à formação e ministérios dos sacerdotes.

O tema deste encontro é: “Uma vocação, uma formação, uma missão. O caminho discipular do presbítero”. No discurso que proferiu o Santo Padre pediu aos sacerdotes para viverem no meio do povo não como profissionais da pastoral e da evangelização mas como pais e irmãos.

O Papa Francisco considerou os decretos conciliares sobre a formação dos sacerdotes como sendo um semente que “o Concílio lançou no campo da vida da Igreja”. A semente da formação inicial e permanente dos sacerdotes.

O Papa recordou que Bento XVI com o Motu Próprio Ministrorum Institutio deu uma forma concreta jurídica à realidade da formação, atribuindo à Congregação para o Clero também uma competência sobre os seminários. “E o caminho de santidade de um padre começa no seminário” – afirmou o Santo Padre.

Precisamente, sobre a vocação sacerdotal o Papa Francisco considerou fundamental o papel da família e sublinhou a dimensão essencial do povo na vida de um padre. Porque este foi “escolhido de entre os homens” para o serviço “em favor dos homens” e para “estar no meio dos homens”, no meio do povo – salientou o Santo Padre.

Os sacerdotes são anunciadores da alegria do Evangelho, que não perdendo as suas próprias raízes e a cultura do povo onde nasceram – disse o Papa – não devem ser “profissionais da pastoral e da evangelização”, que trabalham como se desenvolvessem uma profissão:

“Faz-se padre para estar no meio da gente. O bem que os padres possam fazer nasce sobretudo da sua proximidade e de um terno amor pelas pessoas. Não são filantropos ou funcionários, mas padres e irmãos.”

O Papa Francisco concluiu a sua alocução convidando cada um dos sacerdotes a um exame de consciência com uma simples pergunta: “se o Senhor voltasse hoje, onde me encontraria?”

Papa: a Igreja não seja apegada ao poder mas à Palavra de Jesus 

Na Missa em Santa Marta o Papa Francisco exortou os cristãos a não serem apegados ao dinheiro ao poder. O Santo Padre recordou que Jesus expulsou do templo os vendedores.

Na sua homilia o Papa Francisco partiu da leitura do Livro dos Macabeus que narra a alegria do povo pela reconsagração do Templo profanado pelos pagãos e pelo espírito mundano. O povo festejava porque tinha reencontrado a sua “própria identidade” – disse o Papa – que é algo que a mundanidade não sabe fazer. Pode fazer um pouco de barulho, divertir-se, mas não com aquela alegria que vem da fidelidade à Aliança com Deus.

Entretanto, no Evangelho do dia, S. Lucas narra-nos o episódio em que Jesus expulsa os vendedores do Templo. A este propósito o Papa afirmou que o Templo estava sujo porque era um covil de ladrões:

“Sempre há na Igreja a tentação da corrupção. É quando a Igreja, em vez de ser apegada à fidelidade ao Senhor Jesus, ao Senhor da paz, da alegria, da salvação, quando em vez de fazer isto, é apegada ao dinheiro e ao poder. Isso acontece aqui, neste Evangelho. Estes são os chefes dos sacerdotes, estes escribas eram apegados ao dinheiro, ao poder e esqueceram o espírito. E para se justificarem e dizer que eram justos, que eram bons, trocaram o espírito de liberdade do Senhor pela rigidez. E Jesus, no capítulo 23 de Mateus, fala desta rigidez.”

“Jesus não expulsava do Templo os sacerdotes e os escribas” – explicou o Papa – mas sim os vendedores, aqueles que faziam negócios. Mas uns estavam ligados aos outros pois eram pagas ‘comissões’ por tal comércio no Templo. Os sacerdotes e os escribas estavam apegados ao dinheiro e ao poder e por isso tentavam matar Jesus – frisou o Santo Padre – pois a força de Jesus era a sua palavra, o seu testemunho, o seu amor.

Na conclusão da sua homilia o Papa Francisco afirmou que onde está Jesus, não há lugar para a mundanidade, não há lugar para a corrupção! “Não é possível servir a Deus e ao dinheiro; servir a Deus e ao poder”.

Papa Francisco: onde está Jesus não há lugar para a corrupção

A sua homilia partiu da primeira leitura extraída do Livro dos Macabeus, que narra a alegria do povo pela reconsagração do Templo profanado pelos pagãos e pelo espírito mundano.

O Papa comentou a vitória dos que foram perseguidos pelo pensamento único. O povo de Deus festeja, porque reencontra “a própria identidade”. “A festa – explica – é algo que a mundanidade não sabe fazer, não pode fazer! O espírito mundano nos leva, no máximo, a nos divertir um pouco, a fazer um pouco de barulho, mas a alegria vem somente da fidelidade à Aliança”. No Evangelho, Jesus expulsa os mercantes do Templo, dizendo: “Está escrito: a minha casa será casa de oração. Vocês, ao invés, fizeram um covil de ladrões”. Assim como durante a época dos Macabeus o espírito mundano “tinha tomado o lugar da adoração ao Deus Vivo”. Agora, isso acontece de outra maneira:

“Os chefes do Templo, os chefes dos sacerdotes – diz o Evangelho – e os escribas tinham mudado um pouco as coisas. Entraram num processo de degradação e tornaram o Templo ‘sujo’. Sujaram o Templo! O Templo é um ícone da Igreja. A Igreja sempre – sempre! – sofrerá a tentação da mundanidade e a tentação de um poder que não é poder que Jesus Cristo quer para ela! Jesus não diz: ‘Não, isso não se faz. Façam fora’. Diz: ‘Vocês fizeram um covil de ladrões aqui!’. E quando a Igreja entra neste processo de degradação, o fim é muito feio. Muito feio!”.

É o perigo da corrupção:

“Sempre há na Igreja a tentação da corrupção. É quando a Igreja, em vez de ser apegada à fidelidade ao Senhor Jesus, ao Senhor da paz, da alegria, da salvação, quando em vez de fazer isto, é apegada ao dinheiro e ao poder. Isso acontece aqui, neste Evangelho. Estes são os chefes dos sacerdotes, estes escribas eram apegados ao dinheiro, ao poder e esqueceram o espírito. E para se justificarem e dizer que eram justos, que eram bons, trocaram o espírito de liberdade do Senhor pela rigidez. E Jesus, no capítulo 23 de Mateus, fala desta rigidez. As pessoas tinham perdido o sentido de Deus, assim como a capacidade de ser alegres, também a capacidade de louvar: não sabiam louvar a Deus, porque eram apegadas ao dinheiro e ao poder, a uma forma de mundanidade, como o outro no Antigo Testamento”.

Escribas e sacerdotes ficam com raiva de Jesus:

“Jesus não expulsava do Templo os sacerdotes, os escribas; expulsava estes que faziam negócios, os mercantes do Templo. Mas os chefes dos sacerdotes e dos escribas tinham ligações com eles: havia a ‘santa propina’ lá! Recebiam deles, eram apegados ao dinheiro e veneravam esta ‘santa’. O Evangelho é muito forte. Diz: ‘os chefes dos sacerdotes e os escribas tentavam matar Jesus e assim também os chefes do povo’. A mesma coisa que acontecera nos tempos de Judas o Macabeu. E por que? Por este motivo: ‘Mas não sabiam o que fazer porque todo o povo seguia suas palavras’. A força de Jesus era a sua palavra, o seu testemunho, o seu amor. E onde está Jesus, não há lugar para a mundanidade, não há lugar para a corrupção! E esta é a luta de cada um de nós, esta é a luta quotidiana da Igreja: sempre Jesus, sempre com Jesus, sempre seguindo suas palavras; e jamais procurar seguranças onde existem outras coisas e um outro patrão. Jesus nos havia dito que não se pode servir a dois patrões: ou Deus o as riquezas; ou Deus ou o poder”.

“Nos fará bem – concluiu o Papa – rezar pela Igreja. Pensar aos tantos mártires de hoje que, para não entrar neste espírito de mundanidade, de pensamento único, de apostasia, sofrem e morrem. Hoje! Hoje existem mais mártires na Igreja que nos primeiros dias. Pensemos. Nos fará bem pensar a eles. E também pedir a graça de jamais, jamais entrar neste processo de degrado em direção à mundanidade que nos leva ao apego ao dinheiro e ao poder”.

*Com informações da Rádio Vaticano.

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