O patriarca da Casa Grande | Por Luiz Holanda

Artigo 'O patriarca da Casa Grande' analisa posicionamento editorial de Mino Carta.

Artigo ‘O patriarca da Casa Grande’ analisa posicionamento editorial de Mino Carta.

O jornalista Mino Carta, proprietário e redator-chefe da revista Carta Capital, sempre defendeu, em seus artigos, o ex-sindicalista Lula da Silva, seu governo e o governo de dona Dilma. No último, indignado com a intimação do filho de Lula para prestar esclarecimentos nas investigações promovidas pela Policia Federal, afirmou que “há uma operação em curso que transcende a Operação Zelotes e quaisquer outras, como, por exemplo, a Operação Anti-Lula, Anti-Dilma e Anti-PT”. Segundo ele, “a operação a serviço do ódio de classe é ampla e complexa, conta com a instrumentação da mídia nativa e evoca situações pregressas”.

Em quase todos os artigos que escreve esse jornalista usa a expressão “Casa Grande” para atacar a “mídia nativa”, dando a entender que a elite brasileira é herdeira da propriedade fundiária do Brasil Colônia, cujos patriarcas teriam incorporado aos seus patrimônios todos os elementos da Casa Grande, citados pelo sociólogo Gilberto Freire. Para o jornalista, o domínio dos patriarcas de que fala Freire ainda existe, expresso nos proprietários da grande mídia, nos partidos da chamada direita e no poder econômico que domina a Casa Grande.

Em recente comentário publicado em sua revista, esse jornalista desfila uma intensa catilinária contra os “reacionários nativos”, que, “instalados solidamente na Casa Grande” e com “a colaboração dos editorialistas dos jornalões”, perpetraram o golpe de 1964. Pelo visto, ele esqueceu os elogios que fez nos editoriais que escreveu enaltecendo a ditadura sanguinária que matou milhares de brasileiros.

Outra característica desse senhor é que ele não perde uma oportunidade para demonstrar sua frustação em relação à Veja, da qual, segundo um dos seus grandes amigos, “não só fez a revista como nela mandava e desmandava”. O dono da Veja, que na época era o senhor Roberto Civita, só podia lê-la depois de impressa, “pois Mino não deixava ele dar palpite Antes de a revista rodar”. Em outras palavras, quem mandava e desmandava na Veja era Mino Carta, defensor, inclusive, da Operação Oban, segundo o jornalista Reinaldo Azevedo.

Insulta tanto o que inveja que Azevedo, em um dos seus artigos, afirma que “bastaram uns três artigos ou quatro textos – meus, de Fábio Pannunzio e de Demétrio Magnoli- relembrando quem ele foi, o que explica quem ele é, para que o aiatolá do suposto “progressismo” viesse espernear explicações que não resistem aos fatos, aos textos que assinou e às decisões que tomou”. E o jornalista Auguste Nunes, junto com Flavio Morgenstein, chama a atenção para o fato de que Mino Carta nunca descobriu qualquer escândalo ocorrido no Brasil, sequer através do jornalismo investigativo de sua revista, que, por sinal, jamais investigou coisa nenhuma.

Por ocasião da reportagem de Demétrio Magnoli criticando seu apoio à ditadura, Mino Carta afirmou no site de sua revista que estava “farto” de ser criticado, prometendo processar as pessoas que “caluniarem” sua biografia. Essa revolta deu-se em consequência de Demétrio ter dito que ele apoiou a ditadura nos tempos em que trabalhava na Veja. Realmente, diante desses fatos, fica difícil dizer que esse jornalista não seja um dos patriarcas da Casa Grande.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.