O nome da sorte

Qual o nome da sorte? (Foto: Alberto Peixoto)

Qual o nome da sorte? (Foto: Alberto Peixoto)

Diante das dificuldades da vida atual, grande parte dos casais que gerassem um filho, com certeza colocaria um nome que lhe desse a mínima esperança de que atraísse muita sorte para a criança. Geralmente, quem pensa desta forma, costuma colocar nomes exóticos ou oriundos da união do nome do pai com o da mãe, como por exemplo: Carlângela – união de Carlos com Ângela, etc.

Com certeza o nome mais adotado seria Kadu, e para reforçar a possibilidade de ter muita sorte o sobrenome seria Cunha, que para os amigos mais próximos teria como cognome, Cunhão. Certamente esta criança quando atingisse a idade adulta, não teria problemas financeiros e deveria sem dúvida ingressar na política onde, com certeza, faria seu “pé de meia”. Teria contas na Suíça e por ser uma pessoa de “muita sorte”, alguém ou alguma empresa de Trust, administraria seus bens sem que fosse preciso sequer, assumir que era dono desta fortuna e muito menos informar na sua declaração do Imposto de Renda.

Em pouco tempo Cunhão – por ser portador de uma “sorte” incrível – se tornaria pastor Evangélico e, além dos seus dividendos aplicados no exterior – digo, daqueles que “pertencem ao Trust e não a ele” – haveria também o “dizimão” onde todo dinheiro arrecadado seria em nome do Senhor e não do astuto Cunhão.

Sua esposa, certamente uma pessoa muito hábil – desposar Cunhão não pode ser para qualquer mulher – tomaria aulas de um destes esportes caríssimos. De maneira evidente, ela escolheria um esporte que requer muita dinâmica e que a possibilitasse “aplicar” também no exterior.

Como político, Cunhão chegaria muito fácil à Presidência da Câmara dos Deputados, se aproveitando do cinismo do seu nome, enganando os brasileiros, que na sua grande maioria são analfabetos funcionais. Seria necessário ter muito cuidado com o Cunhão, porque ele tem mania de entrar onde não é chamado com a maior cara de pau.

E se um dia ele fosse denunciado? Bobagem. Por ser uma pessoa que no passado viveu na “dureza”, sem dinheiro, ele poderia dizer que toda fortuna acumulada não era dele ou foi fruto de trabalho árduo. E se ele fosse destituído do cargo e preso? Então, todos gostariam de ver como o “nobre Cunhão” se sairia desta, mesmo sabendo que muitos caras de pau iriam inocentá-lo.

Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. Saiba mais visitando: http://www.albertopeixoto.com.br