Mariana: Senador Walter Pinheiro cobra ações efetivas para evitar novas tragédias e cobra política para setor mineral

Senador Walter Pinheiro  defendeu maior cobertura da imprensa nacional sobre o evento, em Minas, e aproveitou para se solidarizar com as vítimas da tragédia em Paris, que teve cobertura com dimensões maiores do que a tragédia nacional.

Senador Walter Pinheiro defendeu maior cobertura da imprensa nacional sobre o evento, em Minas, e aproveitou para se solidarizar com as vítimas da tragédia em Paris, que teve cobertura com dimensões maiores do que a tragédia nacional.

O senador Walter Pinheiro (PT/BA) manifestou hoje (17/11/2015), no Plenário do Senado, preocupação com o que ele classificou de ausência de política para o setor de mineração. Pinheiro defendeu a adoção de medidas eficazes e preventivas para evitar novas tragédias, como o rompimento da barragem da mineradora Samarco/Vale, em Minas Gerais.

O plenário aprovou hoje a realização de sessão temática para debater o desastre que ocorreu em Mariana- MG. Para Pinheiro, neste debate sé preciso olhar o setor mineral, para além da arrecadação, mas considerar os aspectos ambientais e a preparação para os riscos.

“É muito importante, para além da solidariedade, chamar a atenção de dois aspectos: o primeiro que esse fato revela exatamente a ausência de política para esse setor de mineração. Não é chover no molhado aqui lembrar que nós já, por diversas vezes, cobramos um bom debate sobre a questão do Código de Mineração, mas não sob a ótica da arrecadação, como muita gente enxerga, mas principalmente para ajustar, nesse setor, o nível de funcionamento que leve em consideração os aspectos ambientais e principalmente a preparação para os riscos”, destacou.

Pinheiro destacou ainda a falta de ações defensivas que poderiam ter minimizada a tragédia. Ele lembrou o debate exaustivo, em janeiro de 2011, por conta das chuvas e a tragédia, no caso do Rio de Janeiro e, depois, no Estado de Santa Catarina. “Discutimos uma série de medidas, até com propostas de defesa civil, que, na minha opinião, não foram para lugar nenhum”, criticou.

O senador alertou ainda sobre os riscos de novos rompimentos e defendeu ações concretas para a execução de uma política de prevenção. “Nesse aspecto da mineração, o que aconteceu no Município de Mariana é algo que pode acontecer a qualquer momento. Aliás, o próprio Município de Mariana convive com uma expectativa das mais absurdas: a gente pode ter um segundo efeito daqueles problemas, que é o trincamento da segunda barragem, que inclusive é maior do que a primeira. Portanto, nós não temos uma política adotada para essas áreas e um plano efetivo de acompanhamento, de fiscalização, muito menos de defesa civil”, apontou.

O senador também defendeu maior cobertura da imprensa nacional sobre o evento, em Minas, e aproveitou para se solidarizar com as vítimas da tragédia em Paris, que teve cobertura com dimensões maiores do que a tragédia nacional. Para ele, é preciso aprender que o terrorismo praticado por esse ato de Mariana é um terrorismo de proporções gigantescas. “Nós não tivemos os nossos programas televisivos, não tivemos os telejornais reproduzindo, com tanta ênfase, as notícias e, ao mesmo tempo, o chamamento, como nós assistimos – eu diria até de forma correta – do que aconteceu, no domingo passado, em relação ao ato terrorista patrocinado na cidade de Paris. Não que eu não queira corroborar com toda essa campanha no combate ao terrorismo, agora, nós precisamos também aprender que o terrorismo praticado por esse ato de Mariana é um terrorismo de proporções gigantescas. Ou seja, há a perspectiva, inclusive, de banir uma das fontes mais importantes, que é o Rio Doce, e de consequentemente estarmos colocando vidas em risco”.

O senador concluiu cobrando ações concretas para evitar tragédias futuras. “Portanto, é fundamental que nós façamos e tenhamos todo o tipo de apoio, de solidariedade, mas também de materialidade, de ações concretas para que nós possamos não só socorrer aquelas vidas, como também preparar o caminho para que isso não se alastre no futuro. Espero que nós não repitamos o que aconteceu com as tragédias, com o que foi patrocinado pós-tragédias, como nos casos de Santa Catarina, Rio de Janeiro, e outros lugares do Brasil, até Salvador, quando vemos que, depois do fato, as coisas vão se acomodando e a implementação de políticas perenes e de acompanhamento sistemático dessas áreas vão se esvaindo”, disse.

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