Lula assume, de fato, a presidência da República | Por Alberto Goldman

Alberto Goldman (São Paulo, 12 de outubro de 1937) é um político brasileiro filiado ao PSDB. Também já foi filiado ao PCB, MDB e PMDB.

Alberto Goldman (São Paulo, 12 de outubro de 1937) é um político brasileiro filiado ao PSDB. Também já foi filiado ao PCB, MDB e PMDB.

Lula durante seu segundo mandato decidiu eleger Dilma Rousseff como seu preposto para dar continuidade à sua manutenção, e de seu partido, no comando do país.

Em 2014 Lula gostaria de voltar a se candidatar e presidir o Brasil. A tentativa foi então frustrada pela resistência da própria Dilma que decidiu não abrir mão de disputar a reeleição.

Já se via em 2013 que o quadro econômico do país estava se deteriorando rapidamente e que a sustentação política de Dilma era frágil. Para enfrentar as dificuldades econômicas, especialmente quando as eleições se aproximavam, o governo Dilma tomou medidas fortemente equivocadas, com riscos enormes, com a finalidade de ultrapassar o período eleitoral, usando um discurso que não correspondia à realidade nada positiva que se anunciava. Todos os alertas foram dados, mas Dilma perseguiu a sua reeleição fazendo aquilo que tinha anunciado: “ vamos fazer o diabo”. Praticou um estelionato contra o povo brasileiro. Mentiu criminosamente.

Fez o diabo. Explodiu todas as bases saudáveis da economia, mesmo aquelas que Lula, principalmente em seu primeiro mandato, manteve. E o fez de forma totalmente irresponsável causando problemas que o país levará anos para superar.

Os resultados já eram visíveis antes das eleições de 2014, porém foram escancarados após o pleito e ganharam uma dimensão dramática nesse ano de 2015.

Após o esfarelamento do governo e do PT, o mandato de Dilma estava por um fio, com as investigações feitas pela PF, pelo MP e pela Justiça do Paraná. Essas investigações começaram a chegar perto de Lula. Aí voltou à cena, de maneira explícita, o verdadeiro comandante do governo: Luís Inácio Lula da Silva. A confiança e a delegação dada a Dilma chegara ao fim.

Lula fez aquilo que a oposição, até agora, não havia conseguido: destituir, democraticamente, a presidente. Sem recorrer a qualquer golpe, nem mesmo aos dispositivos legais apropriados. Simplesmente voltou ao Palácio do Planalto e passou a governar.

Dilma passou a ser uma figura quase decorativa. Patética. Seus discursos mostram a total perda de rumo, expressam uma profunda confusão mental. Nem indica seus ministros. Lula acedeu que ela mantivesse dois ou três ministros de confiança, Cardoso na Justiça, Mercadante na Educação, Barbosa no Planejamento e um ou outro de menor importância. Os demais foram postos por Lula e pelos partidos aliados, em especial, pelo PMDB. Levy é uma concessão ao “mercado”, o que serve para manter, por tempo limitado, o país à beira do abismo.

Lula preside de fato. Participa das reuniões com o núcleo central, inclusive com a participação de Dilma, e dá a diretrizes políticas. Na economia, como não entende lá grande coisa, não consegue afirmar uma política determinada. Flui entre uma e outra, tendendo mais à política aplicada nos últimos anos do que à uma política ortodoxa de ajuste fiscal. Em um pronunciamento se apresenta defensor da CPMF, no outro acha que o governo deve optar por uma política de ampliação do crédito para fazer a produção e o consumo aumentarem.

Seu arranjo no ministério, até agora, rendeu frutos. Cooptando os líderes das bancadas dos partidos aliados com cargos e benesses, pode manter o controle de comissões da Câmara e Senado ( os lideres podem substituir os membros das comissões, a qualquer momento, sem qualquer justificativa ). Assim foram rejeitados todos os requerimentos em que se pretendia pedir explicações sobre Lula, sua família e amigos. Não controlam os plenários mas dificultam que as investigações avancem.

Lula só quer salvar a si mesmo e proteger o seu futuro, quiçá de seu partido. Dilma luta dia após dia para se sustentar no cargo, ainda que em uma condição humilhante. Adiam assim as decisões que o Congresso tem de tomar.

Se todo esse jogo de proteção aos comandantes petistas consegue algumas vitórias, o mesmo não se dá no plano econômico. Pelo contrário, a percepção de todos os agentes econômicos é que essa situação política não se sustenta por muito tempo, enquanto o quadro econômico se deteriora a olhos vistos, sem a esperança de um futuro melhor.

Sem que se deixe de exercer a pressão para o impeachment de Dilma, feita de forma regular, legal, constitucional, já que formalmente mantém o seu cargo e assim sustenta as ações de Lula, o foco tem de ser Lula. Ele é o chefe, ele é o algoz da Nação brasileira, o maior responsável por estarmos perdendo essa década e recuando anos na história do país.

*Alberto Goldman (São Paulo, 12 de outubro de 1937) é um político brasileiro filiado ao PSDB. Também já foi filiado ao PCB, MDB e PMDB.

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