“Fernando Henrique Cardoso desfruta do renascimento da reputação”, diz Economist

Em publicação no Facebook, FHC avalia: "De todos os impostos, o mais cruel é a inflação. Primeiro porque pesa mais para os mais pobres. Segundo, porque é um imposto disfarçado: não assume o nome 'imposto', não precisa de aprovação do Congresso e esconde o grande responsável por ela, qual sejam, governos que descuidam do orçamento e gastam mais do que devem e podem.Terceiro porque é fácil jogar a culpa em terceiros: os responsáveis são os 'especuladores', as 'secas', ou as 'enchentes' e assim por diante. Pensei que depois do Plano Real nunca mais tivéssemos governos despreocupados com a inflação. Engano: está ela aí de novo, batendo mais forte na casa dos trabalhadores. Em outubro ela já ultrapassou os dez por cento. É só deixar o dragão andar que daqui a pouco ele toma conta de tudo de novo, e lá se vão os aumentos de salário, as aposentadorias, as bolsas e tudo mais, tragados pela incompetência de governos que para manter o prestígio eleitoral arruinaram nossa economia."

Em publicação no Facebook, FHC avalia: “De todos os impostos, o mais cruel é a inflação. Primeiro porque pesa mais para os mais pobres. Segundo, porque é um imposto disfarçado: não assume o nome ‘imposto’, não precisa de aprovação do Congresso e esconde o grande responsável por ela, qual sejam, governos que descuidam do orçamento e gastam mais do que devem e podem.Terceiro porque é fácil jogar a culpa em terceiros: os responsáveis são os ‘especuladores’, as ‘secas’, ou as ‘enchentes’ e assim por diante. Pensei que depois do Plano Real nunca mais tivéssemos governos despreocupados com a inflação. Engano: está ela aí de novo, batendo mais forte na casa dos trabalhadores. Em outubro ela já ultrapassou os dez por cento. É só deixar o dragão andar que daqui a pouco ele toma conta de tudo de novo, e lá se vão os aumentos de salário, as aposentadorias, as bolsas e tudo mais, tragados pela
incompetência de governos que para manter o prestígio eleitoral
arruinaram nossa economia.”

Em entrevista à revista The Economist desta semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou, entre outros assuntos, a situação econômica e política do Brasil e o lançamento de seu novo livro, “Diários da Presidência”, que trata sobre os bastidores da política durante os seus dois primeiros anos de governo. Até 2017, mais três livros devem ser lançados. As informações são do portal InfoMoney.

A publicação britânica afirmou que o tucano, aos 84 anos, está “desfrutando do renascimento de sua reputação”. Para o periódico, como ministro da Fazenda e, posteriormente, presidente da República, ele “desacelerou a inflação e modernizou a economia nacional privatizando empresa e abrindo o país para o comércio externo e investimento”.

A revista classificou Fernando Henrique como o “líder não-oficial da oposição a um governo fraco e impopular da sucessora escolhida por Lula, Dilma Rousseff”. “Enquanto as investigações sobre os esquemas de corrupção na Petrobras se voltam cada vez mais contra Lula, FHC goza de respeito como um estadista experiente. E como o Brasil afunda para o que ameaça ser sua pior recessão desde a década de 1930, a ficha econômica de seu governo parece muito melhor”, relatou.

Questionado sobre o livro, o tucano ressaltou que “as pessoas estão começando a reavaliar o que fizemos”. “O livro reflete esse contraste. Você tem que ter valores e mostrá-los”, disse. Segundo ele, na ânsia de se manter no poder, Lula e Dilma perderam de vista a sua agenda e fizeram alianças com partidos pequenos e retrógrados.

Ingovernabilidade

“A proliferação de partidos criou um modelo de ingovernabilidade. Se você tem a capacidade de falar com o país, o Congresso entra na linha. Quando você não tem, isso acontece”, explicou. A revista reportou ainda que esse é o drama atual do Brasil: Dilma Rousseff é vaiada sempre que ela fala e não consegue apoio para as reformas que o país precisa.

Ainda de acordo com a reportagem, apesar da petista não mostrar nenhum sinal de que irá concordar, FHC reforçou a ideia de que a presidente Dilma, num gesto de grandeza, deveria renunciar.

A Economist apontou que sua expectativa é de que o país florescesse na era da globalização com inovação, tecnologia e competitividade. No entanto, segundo o tucano, depois de 2007, o Brasil retrocedeu para uma “utopia regressiva” de protecionismo estatal e vê dificuldades na implantação de reformas. Para isso, o Brasil precisa de um “novo ponto focal e uma nova líder”, concluiu.

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br