Dharamsala, o pequeno Tibet na Índia

Juarez Duarte Bomfim durante visita a Dharamsala, o Pequeno Tibet na Índia.

Juarez Duarte Bomfim durante visita a Dharamsala, o Pequeno Tibet na Índia.

Generosamente o governo de Nehru abrigou os tibetanos foragidos e permitiu que em seu território se organizasse o governo tibetano no exílio, mesmo sob forte ameaça chinesa.

Em nossa peregrinação espiritual pela Índia, eu e minha consorte, a muito amada Cecília, admiravelmente tivemos a oportunidade de conhecer um tranquilo e bucólico lugar, naquele superpopuloso e agitado país que é a antiga Bharata.

Chama-se Dharamsala, no estado de Himachal Pradesh, Norte da Índia, situado nas encostas do Himalaia, onde está implantado o governo tibetano no exílio.

Dharamsala é uma cidadezinha que se espalha pela encosta da montanha, em níveis, e ali entramos em contato com o drama daquele povo que sofreu uma diáspora após a violenta invasão chinesa, com características de genocídio étnico-cultural.

Generosamente o governo de Nehru (Jawaharlal Nehru, 1889 – 1964) abrigou os tibetanos foragidos e permitiu que em seu território se organizasse o governo tibetano no exílio, mesmo sob forte ameaça chinesa. O lugar escolhido foi a região montanhosa de Dharamsala, o pequeno Tibet.

Este simpático lugarejo é a morada oficial do Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos, que renunciou ao poder político em 2011, encerrando o regime de viés teocrático.

Habitado por migrantes tibetanos em sua maioria, o cenário é marcado por profusão de monges com suas vestes de cores vermelho-vinho e amarelo, que caminham por ruas e pequenas praças de precária urbanização e modesto comércio.

Dharamsala mantém viva a cultura e as tradições do Tibet. O sistema escolar é administrado pelos próprios tibetanos e reproduz e preserva os traços fundamentais da cultura deste sofrido povo. Tivemos oportunidade de assistir, no pátio de uma escola de crianças, teatro, cânticos e danças nacionais tibetanas.

Na parte alta de Dharamsala foi erigido o templo e monastério de Tsuglagkhang, onde vive o Dalai Lama. Lugar de peregrinação de budistas e buscadores espirituais do mundo todo, a atmosfera deste lugar, sacralizado pela sincera devoção de muitos, o fez um ponto de luz especialíssimo aqui no Planeta Terra.

Logo a entrada do monastério, à direita, encontra-se um monumento em bronze em memória das milhares de vítimas da ocupação chinesa no Tibet. Mirando para a paisagem circundante, descortinam-se as grandes e nevadas montanhas do Himalaia.

O templo é lugar propício para as práticas religiosas budistas. No altar principal estão postas as imagens dos budas da tradição tibetana, a começar pelo Buda Sakyamuni e o guru Padmasambhava Rinpoche. Ali os devotos fazem sua reverências e prostrações e recitam mantras.

Om mani padme hum.

Se pratica a Kora, circundando o templo e fazendo girar as rodas de oração.

Kora é uma peregrinação do budismo tibetano, em que o devoto deve dar voltas em torno de um monumento, o circundando em contrição, recitando mantras. No templo de Tsuglagkhang fazem girar as rodas de oração.

A roda de oração é um instrumento auxiliar das práticas religiosas do budismo tibetano. Consiste de um cilindro oco que gira em um eixo ou cabo. No cilindro estão contidos mantras em papel ou pergaminho. Girar a roda no sentido horário equivale a recitar o mantra em voz alta.

Om mani padme hum.

A pouca distância do templo encontra-se uma praça, cercada de modestos edifícios. Este é o setor político-administrativo do governo tibetano no exílio. Ali está o Parlamento e os órgãos ministeriais. É tudo em escala modesta, muito simples. Comparativamente, como se fosse os órgãos estatais de uma cidade do interior do nordeste brasileiro.

A diáspora tibetana levou milhares de tibetanos ao exílio, principalmente nos países vizinhos Índia e Nepal. Apesar de quase seis décadas de migração, muitas famílias ainda detêm o status de refugiados, e isso dificulta o acesso a direitos civis, principalmente no Nepal, república aliada politicamente com a China.

O Governo Tibetano no Exílio tem como principal missão buscar autonomia política para o Tibet e preservar a cultura e religiosidade tibetanas, fortemente imbrincadas.

As tradições culturais do Tibet é um valioso patrimônio espiritual da humanidade.

Om mani padme hum.

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.