Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo do Estado da Bahia promove oficina para jornalistas

Trabalho escravo.

Trabalho escravo.

Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo do Estado da Bahia realiza curso para qualificar cobertura jornalística sobre o tema. Buscar novas e diversificadas fontes, não se ater somente aos dados oficiais e ter atenção com as vítimas estão entre os caminhos para uma cobertura jornalística qualificada sobre o trabalho escravo. Jornalistas dos principais veículos de comunicação do Estado da Bahia, assessores de imprensa e estudantes de Comunicação vão poder participar da Oficina temática sobre trabalho escravo para jornalistas, que terá como objetivo ampliar a visão jornalística na produção de reportagens especiais sobre trabalho análogo ao escravo, além de formar agentes multiplicadores no enfrentamento a essa prática criminosa que viola os direitos mais básicos do ser humano.

Realizado pela Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo do Estado da Bahia (COETRAE), como ação do Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, o curso faz parte do Projeto Ação Integrada, desenvolvido em parceria pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (Justiça Social), a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o Ministério Público do Trabalho e a Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas (OIT).

As inscrições estão abertas e devem ser feitas por meio de formulário online disponível no site da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social: www.justicasocial.ba.gov.br. As vagas são limitadas. O curso irá acontecer no dia 30 de novembro de 2015, a partir das 18h, no Auditório do Ministério Público, localizado na Avenida Sete de Setembro, 308, Corredor da Vitória, Salvador, com carga horária total de quatro horas e entrega de certificado.

Curso – A oficina traz à Salvador o jornalista especializado em Direitos Humanos e investigação sobre trabalho escravo Marques Casara, que vai dialogar sobre os principais desafios na cobertura de acontecimentos relacionados ao trabalho escravo, a exemplo da cautela na apuração de flagrantes em resgates de vítimas. Casara é aluno-pesquisador do Programa de Estudos Pós Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, é diretor da Papel Social Comunicação, foi roteirista na Central Globo de Produções, diretor no Globo Ecologia, produtor no Fantástico e repórter na revista Época. Vencedor de diversos prêmios, entre eles o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.

Já o coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo (NETP) da Secretaria de Justiça Social, Admar Fontes Júnior, apresentará o cenário do trabalho escravo na Bahia, enfatizando as duas vertentes quando se trata de políticas públicas para enfrentamento a esse crime: a repressiva e a preventiva.

Trabalho escravo – O trabalho forçado é definido pela OIT como “todo trabalho ou serviço exigido de uma pessoa sob a ameaça de sanção e para qual não se tenha oferecido espontaneamente”. A escravidão é uma forma de trabalho forçado que se constitui no absoluto controle de uma pessoa sobre a outra, ou de um grupo de pessoas sobre outro grupo social.

“Ainda hoje, pessoas são submetidas a condições análogas às de escravo, sendo utilizado o termo trabalho escravo para denotar essas situações. Ela ocorre principalmente em atividades rurais, tais como derrubada de florestas para pecuária, produção de carvão, café, cana-de-açúcar, preparação do solo na agricultura, entre outras, estando muitas vezes ligada à degradação ambiental”, explica Admar Fontes.

O aliciamento ocorre na maioria dos casos por “gatos”, que são os recrutadores da mão de obra. Há a oferta de trabalho em fazendas, com salário, acomodações e alimentação e não raro pagamento adiantando às famílias dos aliciados. Os gatos atuam nos centros urbanos do nordeste do País, onde há pouca oferta de empregos, ou em cidades próximas da zona da atividade.

Também existem trabalhadores sendo explorados em condições degradantes em zonas urbanas em setores como a construção civil e na confecção têxtil. Este último setor envolve, em geral, imigrantes de outros países da América do Sul. “São principalmente bolivianos e peruanos trabalhando em confecções clandestinas, sobretudo no estado de São Paulo”, explica o coordenador. “Diante deste cenário, o desafio que se coloca é do aprofundamento dessa agenda política de forma a contemplar as áreas de justiça, segurança pública, saúde, desenvolvimento social, educação, e outras que são relacionadas ao tema nas suas vertentes de prevenção, atenção às vítimas e sua reinserção na sociedade”, diz.

O quê: Oficina temática sobre trabalho escravo para jornalistas
Quando: 30 de novembro, das 18h às 22h
Local: Auditório do Ministério Público, Avenida Sete de Setembro, nº 308, Corredor da Vitória, Salvador – BA
Informações: 71 3115-9882
Inscrições: formulário disponível no site www.justicasocial.ba.gov.br

Agenda

18h – Abertura

19h – Oficina: O jornalismo e a cobertura de fatos envolvendo trabalho escravo

Marques Casara – Jornalista

20:30h – Palestra: Cenário e enfrentamento ao trabalho escravo no estado da Bahia

Admar Fontes Júnior – Coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo (NETP) da Secretaria de Justiça Social

21h – Perguntas e debate

21h45 – Encerramento e Coffee

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