Atuação desqualificada do Inema compromete meio ambiente de Feira de Santana

Vista aérea de Química Geral do Nordeste (QGN), imagem registrada em 11 de maio de 2005.

Vista aérea de Química Geral do Nordeste (QGN), imagem registrada em 11 de maio de 2005.

Durante reunião do Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), realizada na manhã desta terça-feira (24/11/2015), o engenheiro Anderson Carneiro, químico do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia), técnico responsável por avaliar problemas ambientais, relatou sobre a atuação do órgão no município de Feira de Santana. Ele comentou, também, sobre os impactos ambientais resultantes das operação da QGN (Química Geral do Nordeste), dentre outras empresas.

No decorrer da explanação e do debate,  Anderson Carneiro reconheceu que empresas e cidadão contaminam o meio ambiente de Feira de Santana, degradando a fauna, a flora, e a vida na urbes. Ele reconheceu a pouco eficácia do Inema no que tange o conjunto de ações preventivas, que evitem que atividades poluidoras comprometam significativamente o meio ambiente. O engenheiro afirmou, de forma recorrente, que a degradação ambiental não pode ser atribuída a uma única empresa, e que várias atividades convergem para a degradação do meio ambiente, afirmando que o Lago de Pedra do Cavalo tem sido impactado por atividades poluidoras, a exemplo do lançamento de esgoto não tratado.

Destruição ambiental

Durante o evento, um membro da comunidade informou que cerca de 6 milhões de baianos são abastecidos pelo Lago de Pedra do Cavalo, e que o nível de degradação ambiental é assustador. Ele relatou que várias espécies de peixes desapareceram, comprometendo a renda e a subsistência das famílias dos pescadores.

A QGN e o riacho do Maia

A matéria-prima produzida pela QGN (Química Geral do Nordeste), mesmo fechada há três anos, continua oferecendo perigo ao meio ambiente, contaminando as águas do riacho do Maia, localizado no CIS (Centro Industrial do Subaé). Nas suas imediações pode-se constatar a presença de sulfeto e íon cloreto de bário, usados na fabricação de tubo de imagem usados nos televisores antigos, que contamina o terreno e a água.

Revelou que, devido ao problema, a QGN já foi multada em R$ 5 milhões por dispensar água contaminada no riacho do Maia e outros R$ 100 mil por contaminação do solo. E que a empresa alega ter investido aproximadamente R$ 10 milhões em iniciativas para a descontaminação da área. E engenheiro disse que foi construída uma trincheira para descontaminar a água destinada ao riacho e que outro deste equipamento será feito. “A empresa está monitorando oitenta pontos diferentes”.

Anderson Carneiro afirmou que o aterro tem manta que impede maior contaminação do solo, mas a área não deve ter aterro onde os resíduos devem ser dispensados. O secretário de Meio Ambiente, Roberto Tourinho, disse que o município está ciente do problema e que vem acompanhando o desenrolar do processo atentamente. “Vamos (o Condema), nos próximos dias, acompanhados pelo Inema, fazer uma inspeção no local e, assim, tirarmos as nossas conclusões”.

O Inema 

Observa-se que a atuação do Inema, em Feira de Santana, tem sido marcada por recorrente incompetência. Exemplo disso é o passivo ambiental acumulado pela QGN.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]