Vaqueiro lamenta “profissão vem perdendo a graça. A caatinga acabou”

Raimundo Ferreira de Oliveira, 78, o Raimundo da Rei Joel, disse que a profissão vem perdendo a graça. Motivo? “A caatinga acabou. Não faz sentido correr em campo de capim”.

Raimundo Ferreira de Oliveira, 78, o Raimundo da Rei Joel, disse que a profissão vem perdendo a graça. Motivo? “A caatinga acabou. Não faz sentido correr em campo de capim”.

Depois de uma vida correndo enfrentando touros e os perigos que se escondem atrás de cada árvore da caatinga, Raimundo Ferreira de Oliveira, 78, o Raimundo da Rei Joel, disse que a profissão vem perdendo a graça. Motivo? “A caatinga acabou. Não faz sentido correr em campo de capim”. Ele quer adrenalina. “Com tudo limpo qualquer um pode se dizer vaqueiro. Sem caatinga perde a emoção”. A mata seca e fechada é a razão da existência do vaqueiro.

É, o velho vaqueiro reclama de que não mais existem as árvores e a caatinga fechada por onde touros e vacas entravam em disparada. “A gente não ouve mais os animais quebrando a madeira da caatinga”. Para ele, a pessoa que nasce vaqueira morre como tal. Mas a decepção do velho vaqueiro com o destino na profissão é mais do que evidente. “Já não se faz mais vaqueiro como antigamente”. Os que são formados hoje desconhecem os perigos da caatinga.

Outro vaqueiro à antiga, Antônio Miranda dos Santos, o Tonzinho do Mucambo, é outro que se diz decepcionado com os rumos da profissão que abraçou há quase 40 anos. “Tem gente que nem sabe colocar um cambão ou dominar o animal e prender os seus chifres”. São situações que demonstravam toda a técnica do profissional. E o domínio do homem sobre o touro.

Chegar ao povoado tangendo um conhecido touro pela braveza tornava o vaqueiro um herói entre seus pares. Como os animais que estão no pasto estão cada vez mais manso, estes confrontos estão cada vez mais raros. “Touros valentes não existem mais”. Os dois veteranos das caatingas gostam de contar história, mas desconversam quando perguntados sobre os melhores das selas que já viram: “somos todos bons”, esquivam-se.

Caio Gabriel foi a única criança trajada de vaqueiro em Jaguara. Foi um presente de aniversário que familiares lhe deram: completou oito anos no domingo. Neto de vaqueiro, deseja manter a tradição familiar. Morador do vizinho município de Tanquinho, foi levado para a festa pelo primo Ubiratan, também vaqueiro. “Ele já tá dando suas corridinhas no pasto”, diz o primo.

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