Senador Walter Pinheiro sugere caminhos para atravessar a crise

Senador Walter Pinheiro em reunião na Fieb.

Senador Walter Pinheiro em reunião na Fieb.

Durante palestra na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o senador Walter Pinheiro (PT/BA) apresentou uma série de propostas que vem trabalhando no Congresso Nacional, tendo como foco a recuperação da economia. Ele participou do II Fórum Bahia Econômica, no painel  “Perspectivas da Economia Baiana: Novos Investimentos, Ampliação da Infraestrutura e Prioridade para uma Estratégia de Competitividade”.

Pinheiro destacou que, neste momento de crise, falta por parte do governo rumo e projeto. “Atravessamos um verdadeiro atropelo na economia no último período, com um conjunto de disparates estabelecidos. É preciso ter incidência na economia e, independente da crise, o governo não pode parar, precisa tocar o país”. O senador destacou ainda que, desde 2011, o Senado tem proposto diversas matérias que incidem na economia do país, a exemplo das desonerações ao setor produtivo, a construção de políticas de inovação e incentivos à indústria. “A expectativa era que em 2015 a gente ia crescer, mas começamos a imbicar, só que o governo desfez várias dessas coisas que foram adotadas”, revelou.

Ainda de acordo com Pinheiro, o governo federal deveria adotar uma política de incentivos aos setores que podem crescer neste momento em que o dólar está em alta, como é o caso das empresas exportadoras. “É fundamental que a política industrial eleja os setores”, disse, ao criticar a falta de interação entre a Política de Infraestrutura e Logística (PIL) e a Política Industrial, lançadas este ano: “Claro que uma tinha que ser casada com a outra, não podia ser dissociada”.

Além disso, o senador criticou que a PIL não considerou as realidades locais, citando o exemplo da Bahia: “No dia 10 de junho, o governo tinha anunciado o PIL, com absolutamente nada para a Bahia, a não ser a duplicação da BR 101, no trecho que liga Feira de Santana a Gandu. É o gargalo na Bahia? Não. O gargalo na Bahia é justamente a Fiol, o porto Sul, o porto de Salvador e de Aratu, a área de energia, que é importante, sendo a Bahia o estado que mais apostou em eólica e agora solar e a área de mineração”, elencou.

O senador reconheceu que ajustes são importantes para o enfrentamento da crise, mas é preciso planejar o próximo passo. “Como garantir um novo ciclo de crescimento? Ainda que aprove a CPMF, faça o ajuste e promova os cortes, se não crescer em 2016, vou ter que aplicar o mesmo remédio para um paciente que já está moribundo? Não dá pra ficar no remédio a vida inteira”, disse.

Ele também criticou a possibilidade de volta da CPMF. “Será que, tirando o oxigênio de quem está de pé, eu vou conseguir resolver o problema? Eu poderia dizer que a CPMF é o [imposto] mais justo, mas é também o mais incidente e mais provocador de abalos na economia, porque incide em todas as etapas das cadeias econômicas e inclusive nos indivíduos, que são os atores mais importantes na cadeia econômica. Quem bota dinheiro na economia é cada um, é salário. É isso que vai para o consumo. É o consumo que estimula o comércio e é o comércio que ativa a indústria”.

A unificação do ICMS, com a criação de fundos de desenvolvimento e de compensação de perdas, também foi apresentada por Pinheiro como contribuição que o Congresso Nacional poderia oferecer neste momento de necessidade de recuperação da economia. Segundo Pinheiro, desde 2013 o Senado vem trabalhando esta pauta, mas ele reconhece que, se não houver prioridade, a votação pode acabar não ocorrendo neste ano. “O papel do Congresso é apontar alternativas que tenham efeito prático na vida das pessoas e incidam na economia, para o país sair da crise”, disse.

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