Nos limites do estado da Bahia, Matopiba é considerada nova fronteira agrícola do país

Mapa apresenta projeção gráfica da região de Matopiba. A expressão MATOPIBA resulta de um acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Essa expressão designa uma realidade geográfica que recobre parcialmente os quatro estados mencionados, caracterizada pela expansão de uma fronteira agrícola baseada em tecnologias modernas de alta produtividade.

Mapa apresenta projeção gráfica da região de Matopiba. A expressão MATOPIBA resulta de um acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Essa expressão designa uma realidade geográfica que recobre parcialmente os quatro estados mencionados, caracterizada pela expansão de uma fronteira agrícola baseada em tecnologias modernas de alta produtividade.

Preço baixo das terras e proximidade de portos exportadores têm atraído cada vez mais agricultores para a região do Matopiba.

Preço baixo das terras e proximidade de portos exportadores têm atraído cada vez mais agricultores para a região do Matopiba.

Formada por terras do Sul do Maranhão, do Leste do Tocantins, do Sul do Piauí e do Oeste da Bahia Mais, a região do Matopiba consolida-se como a mais nova fronteira agrícola do país. Próxima dos portos de Belém, de São Luís, de Pecém (CE) e de Suape (PE), a região caracteriza-se pelo baixo preço das terras e pela uniformidade do clima, do solo e do relevo, que facilitam a mecanização agrícola e têm atraído cada vez mais agricultores.

Com 337 municípios distribuídos em 73 milhões de hectares, o Matopiba tem quase 6 milhões de brasileiros e 324 mil estabelecimentos agrícolas. A região se ressente, no entanto, da falta de uma malha rodoviária mais eficiente para o escoamento.

Parte da safra do Tocantins e do Maranhão pode ser exportada pela Rodovia Belém-Brasília até o porto de Barcarena (PA) ou pela Ferrovia Norte-Sul, de Porto Franco (MA) até o porto de Itaqui, em São Luís. As demais áreas do Matopiba têm como caminho natural a BR-020, que liga Brasília a Fortaleza, que não tem asfalto num trecho de 460 quilômetros na Bahia e no Piauí.

Apesar da carência de infraestrutura, que encarece os preços dos fretes, o agricultor e presidente da Associação dos Produtores da Serra do Quilombo (PI), Leivandro Fritzen, diz que investir em lavouras na região tem vantagens. Ele ressalta que as produções de soja e milho têm crescido ano a ano.

Segundo o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão, Celestino Zanella, Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba, lançado em maio pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, ajudará a elevar a produtividade na região. Ele, no entanto, também reivindica melhorias na malha viária para o escoamento da safra. “Corrigida essa deficiência, a produção na região só tem a crescer”, diz.

Mesmo com as deficiências no escoamento, a região tem chamado a atenção pela produção e pela produtividade crescentes. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Matopiba produziu 8,7 milhões de toneladas de soja na safra 2013/2014. Na temporada 2014/2015, a produção da oleaginosa teve aumento de 21,7% e chegou a 10,5, milhões de toneladas, equivalentes a 11% da produção nacional de soja. A Bahia se destaca em produtividade, com 2.940 quilos por hectare (kg/ha) e 4,2 milhões de toneladas colhidas.

Potencial elevado

Na safra 2014/2015, a região do Matopiba colheu 9,4% das 209,5 milhões de toneladas de grãos produzidas no país. A região produziu 19,7 milhões de toneladas de algodão em pluma, soja, arroz e milho, em uma área de 5,7 milhões de hectares. De acordo com a Conab, mais 10 milhões de hectares podem ser incorporados à área plantada.

A produção poderia ter sido maior, não fosse a lagarta e a mosca branca que atacaram as plantações no início deste ano, além da falta de chuva, de acordo com o sojicultor Emir Wendler, de Balsas (MA). O sul do estado foi escolhido por agricultores do centro-sul para as primeiras experiências com soja em áreas de Cerrado, em 1978, mas a lavoura só ganhou impulso no final da década de 1990, avançando para outras áreas.

No ciclo 2013/2014, o Matopiba colheu 4,42 milhões de toneladas de milho. A produção subiu para 4,45 milhões de toneladas na safra atual, o que equivale a 5% do total nacional. O Maranhão sobressaiu com 1,3 milhão de toneladas. A maior produtividade foi registrada no Piauí, com 7.186 kg/ha.

O Matopiba também produz algodão. Numa área de 315 mil hectares, a produção na safra 2014/2015 chegou a 495 mil toneladas de algodão em pluma – a maior parte na Bahia. O volume equivale a 32% da produção brasileira.

Tocantins destaca-se na produção (605 mil toneladas) e na produtividade (4.745 kg/ha) de arroz no Matopiba. A região produziu 986 mil toneladas do cereal na safra 2014/2015, equivalentes a 8% do total nacional.

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br