Morre empresário José Carvalho, fundador da Ferbasa e da Fundação José Carvalho

Engenheiro e empresário, José Corgosinho de Carvalho Filho criou um das mais importantes entidades de atendimento social do país, a Fundação José Carvalho.

Engenheiro e empresário, José Corgosinho de Carvalho Filho criou um das mais importantes entidades de atendimento social do país, a Fundação José Carvalho.

Morreu hoje (21/10/2015) em Salvador o empresário e engenheiro mineiro, José Corgosinho de Carvalho Filho, de 84 anos. José Carvalho é um bom baiano nascido em Minas Gerais, pois se radicou na Bahia desde 1960. O empresário é considerado um dos mais importantes nomes da história do empresariado e da educação da Bahia. Com grande visão e propósitos humanitários, fundou uma das maiores empresas do estado, a Companhia de Ferro Ligas da Bahia – FERBASA na área de mineração, metalurgia e reflorestamento.  Entretanto, o maior legado do empresário foi a Fundação José Carvalho, entidade sem fins lucrativos que proporciona a milhares de crianças e adolescentes acesso ao estudo de qualidade. O velório e o sepultamento do empresário serão nesta quinta-feira (22/10/2015), às 8h (aberto ao público), no templo da Fundação José Carvalho, local idealizado e construído por ele no município de Pojuca, onde fincou sua história. A cerimônia de sepultamento será fechada aos familiares, às 16h.

Local: Fundação José Carvalho, Estrada de Santiago,s/n, Central, Pojuca/ Ba

Sobre José Carvalho

Nascido no dia 11 de janeiro de 1931, na cidade de Abadias, hoje Martinho Campos, em Minas Gerais, José Corgosinho de Carvalho Filho levou o mesmo nome do pai, que junto com a mãe Maria das Flores o criou com outros cinco irmãos. Filho de dentista prático e mãe agricultora, José Carvalho e os irmãos não possuíam muitos recursos financeiros, mas apesar das dificuldades, todos tiveram acesso a uma boa educação, afinal, o casal, apesar da simplicidade, sabia da importância do conhecimento para a garantia de um futuro melhor. Os próprios pais foram exemplos para as crianças, como lembra José Carvalho. “Muitos anos depois, quando estávamos crescidos, meus pais começaram a estudar, e já adulto, eu assisti às formaturas deles, ele em odontologia e ela em farmácia, ambos em faculdades públicas”.

Ainda cursando o primário, José Carvalho foi selecionado pela Secretaria de Educação de Minas Gerais como melhor aluno da rede estadual e ganhou uma bolsa para estudar no Colégio Jesuíta Santo Inácio, o Aloisianum, no Rio de Janeiro. Na então capital do país ele ficou por quatro anos, onde teve o privilégio de estudar em uma instituição de excelente qualidade. Com o fim da bolsa, o jovem retornou para Belo Horizonte onde concluiu os estudos escolares no Colégio Mineiro. Após o encerramento desta etapa, ele seguiu para a cidade de Ouro Preto, onde em 1955 concluiu a faculdade de engenharia de minas, metalurgia e civil.

O primeiro emprego, como engenheiro residente, foi no Paraná, na Companhia Carbonífera do Cambuí. Em 1956, com menos de um ano de trabalho, José Carvalho sentiu-se desafiado a participar da construção de Brasília. O espírito audacioso e visionário fez com que o jovem engenheiro se mudasse para a futura capital federal, onde assumiu a função de engenheiro fiscal na empresa Novacap. Em 1957, fundou a própria empresa a Construtora J. Carvalho Filho.

Inquieto José Carvalho começou uma pesquisa de campo por todo o Brasil à procura de novidades que lhe chamassem a atenção, passando a construtora para um sócio. A peregrinação foi árdua, mas os inúmeros contatos profissionais e o bom faro para os negócios, fez com que ele encontrasse no ferromanganês a matéria-prima para a próxima empresa, a Feliminas. O empreendimento não foi para frente, porque a Usiminas, parceira no projeto, desistiu de usar o minério como elemento industrial.

Continuando a sua busca por algo novo e conversando com especialistas, o empresário foi alertado de que no interior baiano, na cidade de Campo Formoso, o minério de cromo se tornaria, em pouco tempo, uma matéria prima estratégica no Brasil. Acreditando no potencial da descoberta, nasceu, em 23 de fevereiro de 1961, a Ferbasa – Companhia de Ferro Ligas da Bahia, que caminha para 55 anos de atuação no mercado (2016) como uma empresa sólida reconhecida no Brasil e fora do país. A indústria localizada em Pojuca, a 76 km de Salvador, produz ligas de ferrocromo alto e baixo carbono, ferrossilício cromo, areia de cromita, entre outros, sendo a maior produtora de ferroligas das Américas. Cidades como Andorinha, Euclides da Cunha, Entre Rios, Campo Formoso, entre outros, também tem negócios da companhia.

O pioneirismo da empresa ainda vai além. Atualmente, a Ferbasa é a única produtora integrada de ferrocromo do continente americano, desenvolvendo atividades de mineração, reflorestamento e metalurgia. A liderança no segmento classifica a empresa como uma das 500 maiores do país e 20 maiores da Bahia, com faturamento anual superior a U$ 500 milhões. Além da importância econômica, a Ferbasa conquistou, nessas pouco mais de cinco décadas, a característica de empresa marcada pela forte atuação em ações de responsabilidade social. Além de movimentar a economia local, a Companhia se preocupa com a preservação ambiental e, principalmente, com o desenvolvimento socioeconômico sustentável das comunidades localizadas em seu entorno.

A menina dos olhos

As questões sociais sempre foram motivo de preocupação para José Carvalho. “Ficava muito triste em ver meus negócios irem bem, tendo ao redor tanta miséria, colégios fracos e uma educação de péssima qualidade. O que adianta ter uma fábrica desse porte se em volta há um bolsão de pobreza e ignorância?”, pensava. Inspirado nessa filosofia, em 1975, o empreendedor decidiu retribuir os benefícios conquistados na infância. Naquele ano, nascia seu maior legado, a Fundação José Carvalho (FJC).

Sem fins lucrativos e com prazo de duração indeterminado, a entidade foi criada com o objetivo de proporcionar educação, prestar assistência técnico-pedagógica e social às crianças e jovens carentes.

A ideia era levar projetos de educação em comunidades pobres, onde não tivesse acesso à educação. José Carvalho sempre sonhou em poder oferecer às crianças desses locais às ferramentas para um futuro com mais esperança. “Nunca paguei escola na minha vida. Estudei sempre de graça. Acho que a gente deve ficar muito grato àquilo que recebe. Sempre tive oportunidade de estudar nos melhores colégios e universidades do Brasil. Minha filosofia de vida é fazer por minha comunidade  o que o país fez por mim”, dizia.

Os primeiros projetos começaram tímidos no município de Pojuca, mas pela seriedade como eram trabalhados e pelo empenho e cobrança do seu fundador, foram ganhando corpo, atravessando limites territoriais e chegando a outros municípios. Visionário, José Carvalho buscava formas de tentar fazer dos projetos da Fundação autossustentáveis. Foi então, que surgiu a criação das fábricas de laticínio Tina & Rolf e do Parque Aquático. Mas manter tantos projetos com a qualidade e padrão exigidos por ele nunca foi tarefa fácil.

Para garantir a sobrevivência financeira da FJC, ainda em 1975, no ato da inauguração da mesma, José Carvalho doou à Fundação a maioria das ações ordinárias que detinha da Ferbasa. Contrariando a regra geral de que as empresas doam às fundações parte do seu lucro anual, o empresário transformou a FJC em acionista majoritária da Companhia de Ferro Ligas da Bahia – Ferbasa, abrindo mão de grande parte dos seus bens.

Hoje, a Fundação cumpre a missão, mantendo, diretamente, cinco escolas e um colégio técnico, beneficiando aproximadamente 5000 alunos. Pelo reconhecimento dos inestimáveis serviços prestados a Bahia, em 2000, o empresário ganhou o título de Educador do ano, concedido pela Academia Baiana de Educação.

Um sonho que começou ainda criança, em meio a tantas dificuldades e José Carvalho decidiu que esse sonho de “fazer mais” ultrapassaria as barreiras, ganharia o mundo, para fazer diferença. Seu desejo era atingir a vida de milhares de pessoas, que em todos esses anos foram beneficiadas pelos projetos da Fundação, através da arte, cultura, esporte e educação. Tudo porque a essência desse visionário sempre foi baseada em um lema que sempre levou consigo “morrer rico é falta de imaginação, preciso fazer mais do que isso”.

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