Lava Jato alcança núcleo do poder do partido Democratas

Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP), José Agripino Maia (DEM/RN) e Eduardo Cosentino da Cunha (PMDB/RJ) unidos na oposição ao governo, no envolvimento com o Caso Lava Jato, e em inquéritos no STF.

Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP), José Agripino Maia (DEM/RN) e Eduardo Cosentino da Cunha (PMDB/RJ) unidos na oposição ao governo, no envolvimento com o Caso Lava Jato, e em inquéritos no STF.

De acordo com a PGR, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) é acusado de receber dinheiro da empreiteira OAS nas obras da Arena das Dunas, em Natal.

De acordo com a PGR, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) é acusado de receber dinheiro da empreiteira OAS nas obras da Arena das Dunas, em Natal.

Ao requerer do Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para investigar o senador José Agripino Maia (DEM-RN), presidente nacional do Democratas, por indícios de corrupção no esquema desvelado pelo Caso Lava Jato, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enterrou o discurso ético da direita golpista e reacionária que tenta apear presidenta Dilma Rousseff do poder.

Ao lado do senador José Agripino Maia, figura outro personagem ilustre da República, o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cosentino da Cunha. Filiado ao PMDB do Rio de Janeiro, Cunha uniu parte do PMDB, aos setores mais retrógrados da sociedade com a finalidade de desestabilizar o governo Rousseff.

Aloizio Nunes Ferreira é outro protagonista da oposição ao governo Rousseff que tem o nome envolvido em tenebrosas transações. Membro do PSDB, o senador Aloizio Nunes, com discurso da ética e da moral, ao lado do colega Agripino Maia e do aliado Eduardo Cunha formam a troika dos líderes da desestabilização política. Em comum, além dos indícios de envolvimento no Caso Lava Jato são os processos que respondem no STF por indícios de corrupção.

Inicialmente, a estratégia de enfraquecer o governo através de seguidas derrotas na Câmara Federal surtiu efeito, mas, o indiciamento do deputado por autoridades da Suíça, em decorrência de envolvimento no esquema de corrupção revelado no transcorrer do Caso Lava Jato, expôs uma verdade que une os líderes partidários, Agripino, Cunha e Nunes, através das evidências de corrupção que resultaram no desvio de recursos financeiros da sociedade brasileira. Essas evidências conduzem os políticos a protagonizarem inquéritos no STF com a finalidade de revelar o nível de envolvimento no Caso Lava Jato.

Ao analisar os recentes relatos e documentos envolvendo esses personagens da República, percebe-se um nítido interesse em destituir o governo Rousseff, não com o objetivo de pôr fim a um governo corrupto, mas com o finalidade de encobertar os possíveis crimes praticados pelos protagonistas da desestabilização política.

Observa-se que não existem heróis nesse episódio da República. Fica a nítida impressão que se trata de um jogo de interesse para saber como é possível perpetuasse no poder, mantendo inconfessáveis esquemas de corrupção.

Observa-se, também, que a presidente Dilma Rousseff falhou, como falhou o governo do ex-presidente Lula em conter esquemas de corrupção na máquina pública. Mas, ao mesmo tempo, é no governo dos petistas que os fatos são revelados e os processos judiciais transcorrem sem que ocorra obstrução do Poder Judiciário, da Polícia Federal, ou do Ministério Público Federal.

Fica a pergunta: onde está a legitimidade moral e ética desses políticos e partidos em conduzir um processo de impeachment?

Conclui-se que vivemos um momento histórico onde bandidos tentam passar por heróis. Em uma história que se existem heróis, eles não foram apresentados.

O caso Agripino Maia

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu na segunda-feira (05/10/2015) ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito para investigar o senador José Agripino Maia (DEM-RN) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com a procuradoria, o parlamentar é acusado de receber dinheiro da empreiteira OAS nas obras da Arena das Dunas, em Natal, estádio construído para Copa do Mundo de 2014.

As suspeitas surgiram em depoimentos de investigados na Operação Lava Jato, mas a PGR pediu que o inquérito não seja remetido ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos oriundos da operação no Supremo.  Para a procuradoria, as acusações não estão relacionadas com os desvios de recursos da Petrobras, principal linha de investigação da Lava Jato.

Após ser informação do pedido de abertura de inquérito, o senador Agripino Maia disse que a acusação é absurda, inverídica e descabida. O parlamentar se colocou à disposição do Judiciário para prestar esclarecimentos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.