Igrejas devem participar da luta pela preservação do planeta, avalia diretor de Relações Institucionais da Coppe

Luiz Pinguelli Rosa é um físico brasileiro. É mestre em engenharia nuclear e doutor em física. É professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Eletrobrás.

Luiz Pinguelli Rosa é um físico brasileiro. É mestre em engenharia nuclear e doutor em física. É professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Eletrobrás.

A Carta Encíclica Laudato Si, divulgada pelo papa Francisco em junho deste ano, que pede urgência de um diálogo sobre o meio ambiente e o controle das emissões de gases de efeito estufa, foi discutida na segunda-feira (05/10/2015) em encontro que reuniu o Fórum de Mudanças Climáticas e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O evento ocorreu no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujo Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) é sede, desde 2004, da secretaria-executiva do fórum.

O secretário executivo do fórum e atual diretor de Relações Institucionais da Coppe, Luiz Pinguelli, disse que é “bem-vinda” a participação, não só da Igreja Católica, mas de todas as religiões, no esforço pela conservação do planeta. Segundo ele, a Encíclica do papa deu apoio e publicidade a um problema grave que afeta a todos. “Seja qual for a religião que venha a se interessar por problemas de ordem técnica e que têm importância para a vida humana, isso é bem-vindo”. As igrejas, afirmou Pinguelli, podem atingir um número maior de pessoas devido à sua característica de massa. “Isso é bom”.

A capacitação das pessoas para que entendam e participem da luta pela preservação do planeta pode e deve ser uma atribuição das religiões, disse o coordenador do Ivig-Coppe, Marcos Freitas. Para o professor, as religiões acabam assumindo um papel importante, por sua abrangência, na tomada de decisões da população. “À medida que a igreja vai aderindo a discussões que andavam longe da discussão religiosa, que nesse caso específico está mais concentrada na questão do aquecimento do clima, essa participação pode dar uma musculatura maior para o tema”.

A aproximação com a CNBB para debater temas vinculados ao meio ambiente não é novidade para o coordenador do Ivig-Coppe que, em 2003, quando diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), promoveu seminário para esclarecer dúvidas dos religiosos sobre a cobrança pelo uso de água. Marcos Freitas disse que é preciso “aproveitar a onda” do papa Francisco e debater assuntos de interesse para o futuro da humanidade, como aquecimento global, mudanças climáticas. Para ele, o caminho é integrar as religiões nessa discussão.

No último mês de agosto, lideranças de 12 comunidades religiosas assinaram, no Rio de Janeiro, a Declaração Fé no Clima, na qual manifestaram posicionamento de consenso sobre as mudanças climáticas. O documento pretende ser uma contribuição informal do segmento religioso brasileiro à 21ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), que ocorrerá a partir de 30 de novembro, em Paris.

Para o assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, que articula pastorais sociais da CNBB e movimentos sociais, Ivo Poletto, as religiões podem ajudar a aumentar a consciência de que os membros das comunidades das igrejas precisam ter uma relação amorosa e de cuidado com o ambiente na sua complexidade. Segundo ele, o homem pode e deve se juntar a outras pessoas de boa vontade para fazer avançar iniciativas, até em nível global, que evitem o agravamento das mudanças climáticas.

*Com informações da Agencia Brasil.

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