Filarmônicas 25 de Março, Vitória e Euterpe Feirense fazem parte da história cultural de Feira de Santana

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense em 7 de outubro de 2009.

“Se o tempo permitisse e a vossa paciência me tolerasse, longo e interminável o desfie, aqui, dos grandes inolvidáveis beneméritos da 25 de Março’ e da ‘Victória, benfeitores estes que têm servido de padrão aos beneméritos da Euterpe”. Jornalista Martiniano Carneiro (1952).

Está muito distante o tempo em que as filarmônicas tinham intensa participação na vida da cidade de Feira de Santana. Inauguração de novas lojas, de casarões residenciais, festas de debutantes, casamentos, comemorações de bodas, formaturas, visitas de autoridades, atos públicos e tantos outros eventos, lá estavam elas, impecáveis nas suas apresentações. 

Patrimônios da Feira de Santana, as centenárias 25 de Março, Vitória, e Euterpe Feirense não possuem a mesma atuação como no passado. Não existem mais as retretas aos domingos e feriados, até desapareceram as exibições no coreto da Matriz após o novenário de Santana. Resta apenas a tímida participação na procissão solene encerrando a Festa da Padroeira. Tímida, dada a dificuldade em reunir músicos, alguns trazidos às pressas, sem ensaios, de vizinhas cidades do recôncavo.

Apenas para ilustrar, vale lembrar que no distante janeiro de 1900 a solenidade de posse na Câmara Municipal de Feira de Santana, para mais um mandato do intendente José Freire de Lima, foi encerrada com a ‘Philarmônica Victória’ executando o ‘Hino de Feira’ do maestro Bastos. Um século depois, em 2001, na virada do milênio, na posse dos novos vereadores e do prefeito José Ronaldo, os presentes ouviram o “Hino à Feira”, de Georgina Erismann com uso de um aparelho eletrônico tipo CD, tocado pelo serviço de som do Poder Legislativo.

Desconhecidas da grande maioria da população, poucos são os que sabem do papel importante que elas desempenharam na vida social, cultural e artística da Feira de Santana. Que foram elas, principalmente as seculares 25 de Março e Vitória, as responsáveis pelos primeiros passos culturais do nosso povo na arte da música.

A pioneira Filarmônica “25 de Março”

Fundada em 1868 por abnegados homens como “João Manoel Laranjeiras Dantas, Eduardo Franco, Afonso Nolasco, Antonio Joaquim da Costa, José Pinto dos Santos, Joaquim Sampaio, Francisco Costa, Galdino Dantas, Juvêncio Erudilho, José Nicolau dos Santos, Alexandre Ribeiro, Joviniano Cerqueira, Pedro Nolasco Néu e Tibério Constancio Pereira”, a “25 de Março” não foi apenas a banda de música que saia às ruas da cidade “tocando coisas de amor”. 

Em 1941, por exemplo, foi no próprio salão, com direito a apresentação de dobrados, que os homens de negócios se reuniram para a fundação do primeiro Clube de Rotary de Feira de Santana. A reunião de instalação contou com a presença do Governador distrital do clube, prestigiando a posse da primeira diretoria presidida por João Marinho Falcão, secretariada por Áureo de Oliveira Filho e formada por outras tantas personalidades.

Outro fato a testemunhar a importância da “25 de Março” na vida feirense ocorreu em 1944. Em razão da II Grande Guerra Mundial, a micareta inaugurada em 1937 estava na eminência de não se realizada. A diretoria da filarmônica após decidir abrir os salões devidamente decorados e iluminados, publicou nota na imprensa local informando ao quadro social e aos foliões em geral que “continuará a festejar a micareta desta cidade a fim de não perder a marcha triunfal”. Assim, de 15 a 17 de abril, a cidade de Feira de Santana viveu a festa momesca nos três bailes noturnos realizados em seus salões.

Há quase quatro décadas, em 1977, outro grande feito para orgulho da Feira e de toda a Bahia, foi a sua participação, como representante do Estado, no Festival Nacional de Bandas, promovido pelo MEC e Funarte, com direito a transmissão pela Rede Globo de Televisão. Ao final do festival, realizado no ginásio de esportes da Capital Federal com a presença do presidente Ernesto Geisel, a Filarmônica 25 de Março obteve o terceiro lugar entre as dezenas de concorrentes. Colocação que rendeu, além do troféu, a importância de 50 mil cruzeiros em equipamentos musicais.

Briga na “25” faz surgir a “Vitória”

Segundo os estudiosos, a segunda filarmônica feirense, a “Victória”, surgiu por conta de desentendimentos entre os diretores da “25 de Março”, quando ainda engatinhava nos cinco anos de existência. Os dissidentes se juntaram ao Pedro Ovídio Alves de São Boaventura, de tantos legados à Feira e criaram a nova “philarmônica” que teve em Tranquilino Bastos o primeiro maestro e em Tertuliano Santos aquele que mais se destacou no seu comando. 

Se confirmada a versão desses estudiosos a origem da segunda filarmônica de Feira de Santana na segunda metade do século XIX (1873), faz lembrar episódio ocorrido nos anos 1960. Naquela década, uma acirrada disputa pela presidência do Feira Tênis Clube, levou o grupo derrotado a se unir na fundação de outra agremiação social, culminando com o surgimento do Clube de Campo Cajueiro.

A Filarmônica Vitória teve sua sede edificada também na Rua Direita e vizinha à coirmã Filarmônica 25 de Março. A primeira grande reforma aconteceu em 1979, gestão do presidente Celso Ribeiro Daltro, que contou com o decisivo apoio do então prefeito Colbert Martins. A partir daquele ano o clube passou a patrocinar as mais concorridas serestas da cidade, iniciativa que Antonio Caribé, o falecido Tuíta.

Antes, em 1973, ano em que a cidade de Feira de Santana comemorou o centenário de emancipação política, aconteceu outro grande momento nos salões da Filarmônica Vitória. Foi a realização da festa ‘Baile dos Aristas’, evento promovido pelos fomentadores dos movimentos artísticos e culturais. O  ‘Baile dos Aristas’ abria, oficialmente, a tradicional micareta de Feira de Santana. 

Impossível enumerar os fatos marcantes encontrados nos livros de anotações da entidade. Em 1897, por exemplo, coube a Vitória homenagear aqueles que retornaram da Guerra de Canudos, e em 1924 foi incluída na concorrida programação que marcou a inauguração do palacete do coronel Agostinho Fróes da Motta. Três anos depois, em 1927 juntamente com a Filarmônica 25 de Março abriu o desfile estudantil que antecedeu a inauguração da escola Normal de Feira de Santana. 

Euterpe Feirense surge como 3ª opção

Fundada em 13 de dezembro de 1921 por Leonidio Ramos Junior, Mário Pereira Ramos, Augusto Fróes da Motta, Bernardino Lima, Manuel Porto, Porcinio Rodrigues, Augusto Ribeiro Soares e tantos outros, a Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense surgiu como opção para os alheios às aguerridas disputas entre as filarmônicas 25 de Março e Vitória.

Pouco depois de fundada e até que fosse construída sua sede social três décadas depois, também na Rua Direita, a Euterpe funcionou no imóvel em frente a Igreja Senhor dos Passos, adquirido por Eduardo Fróes da Motta, assim que o Paço Municipal, foi transferido pelo intendente Arnold Silva para o atual prédio da Prefeitura, em 1926. Destaca-se que o imóvel foi cedido pelo líder político sem ônus para a instituição.

A “Euterpe” (Deusa da música e da poesia lírica) surgiu também como clube social e ao contrário da Vitória e 25 de Março não se esvaziou com o advento do Feira Tênis Clube na década de 40 e do Clube de Campo Cajueiro nos anos 60. Seus salões, na movimentada Rua Direita, continuaram sendo palco de grandes matinês e boates, quase sempre com a presença de grande nomes da MPB, sem falar dos concursos de beleza e eventos similares. 

Construída em terreno doado pelo presidente e baluarte Hermínio Santos, a inauguração da sede própria da Euterpe, ocorrida na manhã de domingo, 13 de abril de 1952, foi um ato que entrou para a história não apenas do clube, mas da própria cidade. Afinal a Feira de Santana, a partir daquele dada ganhou o edifício com maior numero de andares e de quebra dotado de elevador, um elemento novo nos prédios da cidade.

Além de Hermínio Santos, foram muitos os presidentes que contribuíram para o engrandecimento da instituição. Na segunda metade do século XX dois se destacaram pelo longo período que ficaram no comando sempre oferecendo grandes atrações.. João Augusto Pires e José Falcão da Silva, sendo deste a idéia de dotar o associado também de um clube de campo, inicialmente às margens da BR/324 e tempo depois transferido para o Anel de Contorno.

*Com informações da PMFS e Adilson Simas.

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