É preciso seguir o dinheiro da corrupção, diz promotor italiano anti-máfia

Maurizio de Lucia: “Não é que nós lutamos contra todo o poder político, porque não é toda política que é má, mas tem uma parte da política que convivia com a máfia".

Maurizio de Lucia: “Não é que nós lutamos contra todo o poder político, porque não é toda política que é má, mas tem uma parte da política que convivia com a máfia”.

Na luta contra a máfia e a corrupção, o mais importante é seguir o dinheiro dos criminosos e confiscar os seus patrimônios. Nisso se incluem também os políticos, que devem pagar para devolver o que tiraram do povo, segundo a receita do vice-coordenador nacional antidrogas do Ministério Público da Itália, Maurizio de Lucia, que ficou famoso em seu país pelo combate sem trégua aos mafiosos e corruptos.

“Não é que nós lutamos contra todo o poder político, porque não é toda política que é má, mas tem uma parte da política que convivia com a máfia. E aí tivemos que usar instrumentos jurídicos e, sobretudo, fomos procurar dinheiro e riquezas que não eram justificáveis. Para combater a máfia, para combater quem ajuda a máfia, para combater os políticos, tem que tirar o dinheiro e tirar o patrimônio que eles tiraram dos pobres”, declarou o promotor, que está no Brasil para participar do 21º Congresso Nacional do Ministério Público e da 5ª Conferência Regional da International Association of Prosecutors para a América Latina, que começou no Rio nesta terça-feira (6) e vai até sexta-feira (9).

Indagado sobre quais conselhos poderia dar aos colegas brasileiros que também lidam com casos de corrupção, como os da Operação Lava Jato, Maurizio de Lucia respondeu que o mais importante é aprender a trabalhar juntos.

“Na Itália, nós aprendemos a lutar contra a máfia colocando juntos os conhecimentos. Nós temos uma estrutura central que coordena todas as investigações sobre a máfia e contra a grande corrupção. Esta estrutura ajuda os procuradores, que depois passam [as informações] adiante. O princípio fundamental é que se o crime é organizado, a Justiça também tem que ser organizada. A estrutura central é a Direção Nacional contra a Máfia e Antiterrorismo, da qual eu faço parte, que foi desejada pelo [juiz] Giovanni Falcone, antes que ele fosse assassinado pela máfia, em 1992, e tem a obrigação de juntar todas as informações e investigações”, disse de Lucia.

Segundo o promotor, a larga experiência de luta contra os mafiosos em seu país pode ser aproveitada em outros lugares, inclusive o Brasil. “O sentido [de eu estar no Brasil] é explicar como é o fenômeno italiano, que é um pouco diferente de todos os outros, porque na Itália a máfia tem, pelo menos, 150 anos. Então nós conhecemos como trabalha e fizemos leis contra ela, que hoje podem ser exportadas e podem ajudar os outros países a combater a criminalidade organizada”.

Solicitado a fazer uma comparação entre a Operação Mãos Limpas italiana e a Operação Lava Jato brasileira, Maurizio de Lucia disse que nem tudo foi resolvido na Itália, mas que o maior ensinamento é seguir o caminho do dinheiro, para saber se ele tem origem criminosa.

“Nós também continuamos tendo problemas grandes de corrupção. É um problema de todos os países. A solução é ter maior transparência nas decisões públicas e a possibilidade de seguir o dinheiro, que foi o que o Falcone sempre disse. Porque é preciso explicar como as riquezas se criam e como elas são justificadas. Se são riquezas criminais, então têm que ser seguidas.” O promotor italiano também ressaltou que é preciso haver muita integração entre a polícia e os promotores de Justiça para que os resultados sejam alcançados.

A programação completa do encontro do Ministério Público pode ser acessada na página do evento na internet (www.congressomp2015.com.br).

*Com informações da Agência Brasil.

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