Diferença de acesso à internet é de gerações e não de renda, diz pesquisador

Celso Athayde é um produtor de eventos e ativista social, especializado nas favelas e periferias do Brasil. Nasceu na Baixada Fluminense, RJ, onde viveu até os 7 anos. Aos 16, já havia morado em 3 favelas, em abrigos públicos e na rua.

Celso Athayde é um produtor de eventos e ativista social, especializado nas favelas e periferias do Brasil. Nasceu na Baixada Fluminense, RJ, onde viveu até os 7 anos. Aos 16, já havia morado em 3 favelas, em abrigos públicos e na rua.

“É errado achar que smartphone e celular são coisas para poucos. Hoje, o maior viés de acesso à internet é geracional, não é de classe. A diferença entre gerações [de pessoas que acessam] é maior que a diferença entre as classes econômicas”. A afirmação é do presidente do Data Popular, Renato Meirelles. Segundo ele, a internet é tão acessível aos jovens das classes mais baixas quanto aos das classes A e B. O instituto faz estudos pelo país e acompanha as mudanças que levam à melhoria da qualidade de vida das populações mais pobres, incluindo a democratização da internet.

Meirelles, junto com o fundador da Central Única das Favelas (CUFA), Celso Athayde, é autor do livro Um País Chamado Favela, que traz a maior pesquisa já feita com moradores de favelas no Brasil, em 63 comunidades, de 35 cidades brasileiras.

Segundo ele, a internet talvez tenha sido uma das maiores revolução do comportamento das classes mais baixas da sociedade, pois ficou mais fácil se conectar e as pessoas terem acesso a seus serviços. “Ela [a internet] não é um fim, ela é um meio de consumo. Graças à internet, a população mais pobre consegue ser acessada para o emprego, já que boa parte dela é de trabalhadores informais, muitos prestadores de serviços, pedreiros, empregadas domésticas, pintores, os ‘faz-tudo’. Mesmo na zona rural, aqueles que trabalham por período de safra passaram, graças à internet e ao telefone, a serem melhor localizados”, disse.

O presidente do Data Popular conta que 59% das pessoas que moram nas favelas brasileiras estão conectadas à internet e, para ele, não há estranheza nisso à medida que o desenvolvimento tecnológico torna os produtos mais baratos e acessíveis.

Segundo dados fornecidos pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, referente à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aumentou o número de pessoas que têm celular entre os 20% mais pobres do país. O percentual subiu de 7,1% em 2001 para 82,6% em 2013. Em relação à posse de computador com internet, em 2001, uma parcela de 0,3% dos 20% mais pobres do país possuía o dispositivo; em 2013 o percentual subiu para 16,1%.

Subsidiado por essas informações, o governo lançou um aplicativo de celular do Programa Bolsa Família. Desenvolvido pela Caixa Econômica Federal, o aplicativo tem funções disponíveis para beneficiários e não beneficiários do programa. Aqueles que recebem a bolsa poderão saber, por exemplo, o calendário de pagamento, o local mais próximo para fazer o saque e a situação do benefício.

Segundo o MDS, o aplicativo é mais um meio de comunicação entre o governo e a população e um canal mas direto e seguro com as famílias beneficiárias. Até 2018, quando for concluído o processo de migração do sinal analógico de TV para a TV Digital, os beneficiários contarão com um outro canal de comunicação e poderão receber informações também por um aplicativo instalado nos conversores de TV, que serão distribuídos gratuitamente a essas famílias.

O Programa Bolsa Família é direcionado a famílias em situação de pobreza (renda por pessoa entre R$ 77,01 e R$ 154 por mês) e extrema pobreza (renda por pessoa de até R$ 77 por mês). Atualmente, são atendidas cerca de 14 milhões de famílias em todo o país. Em 12 anos, 36 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema com o auxílio do programa.

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