Amadeu Alves e o luar sobre Itapuã

Amadeu LuauAmadeu Alves é músico, diretor musical e produtor cultural, diretor da Casa da Música, situada às margens da encantadora Lagoa de Abaeté. Nesta função, tem tido bastante êxito nos projetos de inclusão social através da arte e da música.

O belo e sonoro nome — Itapuã — de origem tupi-guarani, designa um praieiro e encantador bairro da Cidade do Salvador (Bahia), situado no vértice norte da populosa urbe. Todavia, Itapuã é substantivo mais que feminino. Pois, antes de ser bairro, é bela praia nordestina, reino do sol.

Outrora batizado de “Principado Livre e Autônomo de Itapuã”, tinha como principal fidalgo o gravurista Calazans Neto, erigido em príncipe daquelas plagas, pela generosa amizade do Poetinha camarada. E foi ele mesmo, o Poetinha, quem cantou a delícia que é “passar uma tarde em Itapuã”… ai. Antes, Dorival Caymmi, cantor das graças da Bahia, bradou: “saudade de Itapuã… me deixa… deixa!”

Outro bardo, Caetano Veloso, em feitio de oração, rezou: “Itapuã, o teu sol me queima e o meu verso teima / em cantar teu nome, teu nome sem fim”. Assim é Itapuã, tão versejada. Do “vento que faz cantiga / nas folhas do alto do coqueiral“ ao “diz-que-diz-que macio / que brota dos coqueirais” sua mítica persiste, agora no sonho de Amadeu Alves.

Diante daquele mar que não tem tamanho, Amadeu saúda a Pedra-Q-Ronca, morada de Mamãe Yemanjá, reavivando o seu mito. Ele está em pleno habitat natural. Nascido e criado no local, quando Itapuã era apenas uma colônia de pescadores, com alguns veranistas e poucos moradores, Amadeu, junto com seu irmão, o escritor Carlos Ribeiro, podem se dizer nativos do lugar.

Amadeu Alves é músico, diretor musical e produtor cultural, diretor da Casa da Música (Espaço Cultural), situada às margens da encantadora Lagoa de Abaeté. Nesta função, tem tido bastante êxito nos projetos de inclusão social através da arte e da música.

Para coroar o empenho deste jovem músico em interagir com a comunidade, em estreito contato artístico-musical com a nova e velha guarda do bairro, o grupo musical “As Ganhadeiras de Itapuã”, por ele produzido, venceu o 26° Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Álbum Regional, agora no ano de 2015.

O grupo As Ganhadeiras de Itapuã foi formado em 2004 e conta com a participação de senhoras, jovens mulheres e músicos da comunidade de Itapuã, que executam cantigas e sambas, rememorando a lida cotidiana dos negros escravos e libertos, que ganhavam o sustento nas ruas da Bahia.

Alguns projetos exitosos capitaneados por Amadeu: oficina de pandeiros, sarau musical, projeção de filmes, lançamentos de livros, discos, palestras, debates, exposições de artes plásticas, e promove caminhadas nas dunas do Parque Metropolitano de Abaeté.

Destaco entre essas importantes realizações, o Luau da Casa da Música em Abaeté. Sempre na Lua Cheia de cada mês, este projeto teve início em 2014, e dele me fiz habitué, junto a minha consorte, a muito amada Cecília. Com muitas edições memoráveis na temporada de primavera-verão de Salvador, quando as condições meteorológicas são propícias a eventos desta qualidade. E que qualidade!

Artistas populares e ícones da Música Popular Brasileira se apresentam no singelo palco armado nas areias de Abaeté, com a magnífica Lua Cheia surgindo plácida por trás dos cantores e músicos, e frente aos olhos deslumbrados da plateia (nós), seu rastro de prata se derramando sobre a Lagoa de aguas escuras, arrodeada de areia branca.

Na superlua cheia de setembro, memorável noite foi vivida, embalada pelas canções românticas do velho novo baiano Guilherme Arantes. Entre o mar que não tem tamanho de Itapuã e a caymmica Lagoa, doce mera coincidência foi entoarmos, uníssonos: “Terra… Planeta Água”.

O Amigo Amadeu Alves promete novos eventos, no mesmo batlocal e mesmo bathorário, para as Luas Cheias que hão de vir.

Vamos?

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.