A ciência da religião

Juarez Ciça S J RibamarAprendi com os grandes Instrutores Espirituais da humanidade a estudar a Ciência da Religião em seus múltiplos aspectos, utilizar o método científico de religião comparada, buscar o que é subjacente a todas ou muitas das religiões. “Não importa o nome de Deus, desde que seja o princípio supremo que rege todas as coisas”.

Alguns de nós já tivemos a felicidade de louvar ao Senhor do Bomfim da Bahia participando da Missa das sextas-feiras, que encerra com a gloriosa entrada da imagem do Nosso Senhor Jesus Cristo, Basílica adentro, recebida triunfalmente por majestoso hino e intensa devoção dos fieis.

Outros tiveram o privilégio de receberem um darshan (benção) da própria divindade encarnada, em visita a Prashanti Nilayam, na Índia – morada da paz suprema e de Bhagavan Sri Sathya Sai Baba.

Alguns mais participaram de festa de santo no Ilé Axé Opó Afonjá, de Mãe Stela de Oxossi, no São Gonçalo do Retiro (Salvador – Bahia) e viram os ogãs, uníssonos, cantarem em louvor aos orixás.

É festa no Gantuá? Então vamos lá. Acompanhar a dança dos deuses, em comunhão com os homens, sentado ali pertinho a Mãe Carmem e Mãe Ângela.

Ah e assistir uma missa da novena de Nossa Senhora, na Igreja de São Pedro, no Largo da Piedade (Salvador-Bahia), celebrada pelo padre cantor Aderbal? Ou a Missa de canto gregoriano nas igrejas de São Bento em São Paulo e Salvador? Experiência única.

Em périplo espiritual pela Índia, nos finais de tarde cumpríamos o ritual do Arathi nos templos hinduístas que visitávamos. O Arathi é um ritual hindu de queima de cânfora, diante de uma imagem divina, acompanhado de cantos sagrados, os bajhans.

Celebramos o Arathi num templo Hare Krishna, em Nova Delhi; num templo shivaísta, em Jaipur, e na beira do Rio Ganges (Rishikesh), realizando o Ganga Arathi. Ele, o Rio Ganges, sendo em si mesmo uma divindade.

Realizar práticas devocionais e pujas nos templos do budismo tibetano, em Dharamsala (Índia) ou no Vale de Kathmandu (Nepal), é deveras enriquecedor.

Voltando ao Brasil, à Bahia: em Santas Romarias louvamos ao Bom Jesus da Lapa, em sua Catedral, esculpida pelo próprio Deus em monumental gruta, às margens do Velho Chico.

Ainda no sertão baiano, em contrição subimos o Monte Santo, meditativos, seguindo os passos do Nosso Senhor Jesus Cristo na Via Dolorosa — majestoso cenário glauberiano no sertão de Canudos.

Nas muralhas de Ávila (Espanha) muito nos comoveu adentrar a Capela onde a futura Santa Teresa de Jesus rogou à Virgem Mãe, aos sete anos de idade, que lhe aceitasse como filha, após a perda da mãe terrena.

Vimos, eu e minha consorte, a muito amada Cecília, em Alba de Thormes (Salamanca-Espanha), o incorruptível coração da mística cristã, doutora da Igreja, Santa Teresa, que vivíssimo pulsa dentro do belo relicário doado pelo Papa João Paulo II, com respiradouros em filigranas de ouro para que os movimentos de sístole e diástole não rompam o cristal.

Na monumental Cidade de Salamanca, Espanha, onde estávamos em doutoramento, rezávamos periodicamente o Terço e Ladainha de Nossa Senhora na esplendorosa Igreja de San Estebán, em duo com o provecto cura:

Reina de la Paz!

Rogai por nosotros!

Em Salvador, no bairro da Federação, revitalizante é meditar em Kriya Yoga, nas noites de quintas-feiras (Dia do Guru, na Índia) num Serviço Devocional da Self-Realizacion Fellowship, fundada por Paramahansa Yogananda.

No 23 de novembro, os buscadores de Deus têm um compromisso: festejar o aniversário de Bhagavan Sri Sathya Sai Baba, com distribuição de vibuthi (cinza sagrada) e confraternização com substanciosa prashada (merenda).

Aprendi com os grandes Instrutores Espirituais da humanidade a estudar a Ciência da Religião em seus múltiplos aspectos, utilizar o método científico de religião comparada, buscar o que é subjacente a todas ou muitas das religiões. “Não importa o nome de Deus, desde que seja o princípio supremo que rege todas as coisas” (Leonardo Boff).

Em contrição, visitamos uma casa de luz e rezamos o Rosário para os Mestres Ascensionados da Grande Fraternidade Branca na “Summit Lighthouse do Brasil”, ali na Avenida Valdemar Falcão, em Brotas (Salvador-Bahia).

Quem aí já recebeu o Tao no amplo e belíssimo templo Ten Tao da Boca do Rio, louvando o Buda Maitreya? Considera-se que ao receber o Tao desperta-se a nossa  verdadeira Identidade e ocorre a libertação de nossos condicionamentos.

“Bem-aventurados aqueles que são limpos de mãos e puros de coração, que não entregam a sua alma à vaidade, nem juram enganosamente” (Jesus Cristo).

Na tradição ayahuasqueira, experiências místicas, transcendentais: alcançar o êxtase divino balançando o maracá, cantando e bailando o hinário do Mestre Irineu.

Obter o êxtase divino bailando e cantando, irradiado pelos Seres de Luz na dança circular sagrada do Barco Santa Cruz, tendo ao leme o Mestre Daniel.

Em transe místico subir a escada do vegetal e alcançar o infinito, contemplando os mistérios e encantos revelados pelo Mestre Caiano.

Assistir uma concorrida Sessão Doutrinária no Centro Espírita Paulo e Estevão, na Pituba (Salvador-Bahia), é muito ilustrativo; generosamente ser autorizado por dona Lívia a participar de uma Sessão Mediúnica na Casa de Caridade Irmã Elizabete é um importante serviço e aprendizado. Tomar um passe na câmara da Fundação Lar Harmonia, do irmão Adenauer, é revigorante e curativo.

Com as forças reunidas das silenciosas vibrações do pensamento, poder estar às 18 horas de um dia qualquer da semana, em comunhão fazendo soar a Chave da Harmonia na Sede do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, no centro de São Paulo, desejando Harmonia, Amor, Verdade e Justiça é uma experiência transcendente.

Ah e tantas e tantas outras vivências e experiências místicas e religiosas temos vivido nesta caminhada em busca do Divino, que pode se realizar dentro de nós mesmo.

Tantos e tão bons amigos colecionamos nestas congregações espirituais que visitamos e frequentamos — algumas esporadicamente, outras com atenciosa regularidade.

Que dizer àqueles que não trilham esses caminhos… Não estudam a Ciência da Religião em seus múltiplos aspectos… Não utilizam o método científico de religião comparada… Não buscam o que é subjacente a todas ou muitas das religiões…

Que dizer?…

Digo a mim, digo a todos: segue il tuo corso, lascia dir le genti (Dante Alighieri), quer dizer: segue o teu caminho, deixa quem quiser falar.

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.