Sobre a greve nas IFES: o caminho vai além do que se vê | Por Nilson Weisheimer

Nilson Weisheimer é graduado em Ciências Sociais (2001) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestrado em 2004 e doutorado em 2009 em Sociologia pela UFRGS, é professor adjunto do Centro de Artes Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais: Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento (PPGCS/UFRB), em 2010 venceu o Prêmio Capes de Teses.

Nilson Weisheimer é graduado em Ciências Sociais (2001) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), realizou mestrado em 2004 e doutorado em 2009 em Sociologia pela UFRGS, é professor adjunto do Centro de Artes Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais: Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento (PPGCS/UFRB), em 2010 venceu o Prêmio Capes de Teses.

Vivemos uma grave crise do capitalismo. Este modo de produção só tem como superá-la destruindo forças produtivas e abrindo caminho à uma crise anda maior a diante. Sabemos todos que não há ilha da fantasia! Não estamos imunes  a ela. Logo a crise da Universidade é parte desta crise sistêmica, que se faz notar em diferentes âmbitos da vida social, como o econômico, o político e o cultural. Por isto acredito que temos que intensificar as formas de resistência e inventar novas formas de luta antissistema. Para isso é preciso saber articular a cada momento o específico ao geral, a tática à estratégia, o caminho ao rumo que queremos. A greve é tradicionalmente usado pelos trabalhadores contra o capital para interromper sua produção e circulação. Aí residia sua eficácia como instrumento de pressão e luta de classes. Porém, também sabemos que, com novo regime de acumulação flexível o alcance deste instrumento tem sido cada vez mais restrito. Não me deterei nisso que forma um pano de fundo em conjunto com a realidade nacional, esta marcada por impasses internos ao projeto popular em curso e pelo acirramento da luta de classes, com ascensão visível de forças reacionárias, antidemocráticas e antipatrióticas.

Particularmente no caso da Universidade Pública a experiência vem demonstrando que as greves não estão sendo suficientemente eficazes para atingir os seu objetivos imediatos (pauta de reinvindicações específicas), quanto mais, a um possível objetivo estratégico (um Novo Projeto de Universidade vinculado à um Novo  Projeto de Nação). Não sou contra a greve! Seu objetivo atual é justo e necessário – contrapor-se ao corte de verbas para o custeio da educação pública federal provocado por um ajuste fiscal de viés conservador. Porém percebo que ela tem produzido uma desmobilização da comunidade universitária sem conseguir produzir saldos anticíclicos. Sua tática tem sido a pressão visando o “desgaste político ao governo e governantes, cujos os efeitos são bem questionáveis em termos de efetividade de resultados. Por exemplo, após a aprovação no Congresso Nacional do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2016, a tendência será a desmobilização e fim da greve. O saldo político será um reajusto a baixo do pretendido, parcelado. Para alguns se obterá o “fortalecimento” da Andes de como “entidades de luta e representativas da categoria”.

Penso que na atual conjuntura a defesa da universidade pública passa pela necessariamente pela aplicação no Plano Nacional de Educação (PNE). Mas é preciso ainda lutar por uma Reforma Universitária que esteja em sintonia com um novo projeto nacional de desenvolvimento. Um projeto nacional que valorize o trabalho, o conhecimento e os recursos naturais nacionais. Que possibilite a integração solidária entre povos. Em fim, que crie condições para um rumo socialista. Essa é a luta política central nos dias atuais. A luta em defesa em da Universidade Pública democrática, de qualidade e inclusiva só terá consequência se articulada a uma ampla luta política por um novo projeto nacional, capaz de dar coesão a imaginação e força do povo.

Concordamos com os que afirmam que, o fundamental é compreender que a luta do povo é sempre uma luta política, mesmo quando é reivindicatória. Que a luta política de sentido estratégico exige não apenas combatividade, como também sagacidade. Exige que saibamos combinar amplitude e radicalidade. Que não é hora de ampliar os alvos da resistência ou dispersar forças em embates setoriais desconexos a luta geral. Que uma saída à esquerda para a crise sistêmica – econômica, política e cultural – é aquela que, antes de tudo consiga mobilizar amplos segmentos e forças sociais em torno de um projeto de Nação que rompa com as amaras da dependência do capital externo. Deve ser, portanto, uma luta por reformas estruturais democráticas. Ou alguém acredita que a luta pela Reforma Universitária se fará independente da luta por outras reformas de base como a politica, tributária, agrária, urbana, dos meios de comunicação, dos serviços públicos e etc? Portanto é necessário que o que a Andes sai do isolamento e da estreiteza política e venha somar forças com outros movimentos que formam a nova Frente Brasil Popular. Que ela seja capaz de sintonizar a luta pela Universidade a um necessário projeto nacional de desenvolvimento. Nesse rumo é que o caminho poderá ir além do que se vê.

*Nilson Weisheimer é Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS – 2009), Pós-Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP – 2015), professor adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS/UFRB), líder dos Grupos de Pesquisa do CNPq: Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural (NEAF/UFRB) e Observatório Social da Juventude (OSJ/UFRB), e vencedor do Prêmio CAPES de Teses em Sociologia  2010.

Sobre o autor

Nilson Weisheimer
Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS – 2009), Pós-Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP – 2015), professor adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS/UFRB), líder dos Grupos de Pesquisa do CNPq: Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural (NEAF/UFRB) e Observatório Social da Juventude (OSJ/UFRB), e vencedor do Prêmio CAPES de Teses em Sociologia 2010.