Papa Francisco pede a cubanos que sirvam aos mais frágeis na sociedade

Havana, Cuba - O papa Francisco desfila na Praça da Revolução onde rezou uma missa.

Havana, Cuba – O papa Francisco desfila na Praça da Revolução onde rezou uma missa.

Vestidos de branco em sua maioria, milhares de cubanos lotaram hoje (20/09/2015) a histórica Praça da Revolução em Havana para a primeira de três missas que serão celebradas pelo papa Francisco em Cuba.

Apesar de ter tido papel determinante na reconstrução histórica das relações entre Estados Unidos e a ilha comunista, o Santo Padre não tocou no assunto durante a homilia.

Francisco chegou no papamóvel à mesma praça em que também estiveram os papas João Paulo 2º (1998) e Bento 16 (2012). Ele destacou que os cristãos cubanos devem “servir” aos mais frágeis na sociedade, não “se servir dela”. O Sumo Pontífice defendeu a rejeição de qualquer ideologia no ato de servir. “Quem não vive para servir não serve para viver. O serviço aos outros não pode ser jamais ideológico, do ponto de vista que ele não serve as ideias, mas sim as pessoas”, afirmou.

Na homilia, Francisco se referiu aos cubanos como “um povo que tem gosto pela festa, pela amizade, pelas coisas belas”. “É um povo que tem feridas, como todo povo, mas que sabe estar com os braços abertos, que marcha com esperança, porque sua vocação é de grandeza”, disse o papa.

Entre os convidados da missa, estavam a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, e o líder cubano, Raúl Castro, que tem ainda hoje uma reunião reservada com o papa. Também em Havana, Francisco terá um encontro com jovens e deverá se reunir com o ex-presidente da ilha, Fidel Castro.

Papa Francisco pede avanços nas relações entre Cuba e Estados Unidos

O papa Francisco pediu no sábado (19/09/2015) que Cuba e Estados Unidos avancem na normalização das relações bilaterais e “desenvolvam todas as suas potencialidades”. A afirmação foi feita durante discurso na chegada a Havana.

“Somos testemunhas de um acontecimento que nos enche de esperança: o processo de normalização das relações entre os dois países, depois de anos de distanciamento. É um processo, um sinal da vitória da cultura do encontro e do diálogo”, disse Francisco no Aeroporto Internacional José Marti, em Havana.

Antes do discurso do papa, o presidente de Cuba agradeceu o apoio de Francisco no restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, “um primeiro passo no processo de normalização das relações entre os países e que permitirá resolver problemas e reparar injustiças”.

“O bloqueio, que provoca danos humanos e privações às famílias cubanas, é cruel, imoral e ilegal. Deve cessar”, disse Raúl Castro à chegada do papa em Havana, cidade onde ele inicia uma visita de quatro dias à ilha.

O Airbus A330 da Alitalia transportando o papa aterrisou poucos minutos antes das 16h locais (17h, no horário de Brasília) no Aeroporto José Martí de La Habana, onde era aguardado por Raúl Castro e pelo cardeal Jaime Ortega, o maior representante da Igreja católica na ilha.

Até terça-feira (22), o papa estará em Cuba, com passagens por Havana, Holguin e Santiago, para encontros com jovens, famílias, bispos e, provavelmente, Fidel Castro.

Em seguida, ele viajará aos Estados Unidos, onde visitará o Congresso e a sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. Os dois países contaram com o apoio do papa Francisco para restabelecerem relações diplomáticas.

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