Os motivos da crise | Por Janguiê Diniz

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.

O Brasil entrou em recessão desde o segundo trimestre de 2014, segundo um relatório da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com crescimento de 0,1% no ano passado, a economia nacional vinha mostrando declínio e que era incapaz de manter o mesmo ritmo de crescimento que presenciamos durante anos.

Inevitavelmente, há sinais da recessão econômica por todos os lados. O corte de investimentos, o baixo índice de investimentos, o aumento da inflação e outros. Sendo este último um dos principais impactos da crise econômica sobre a vida das pessoas, quando há uma perda real do poder aquisitivo dos salários e consequências para a cadeia produtiva nacional.

Infelizmente, não há perspectiva de investimentos à vista, e os direitos sociais, como o seguro-desemprego e a pensão por morte, estão sendo cortados. Os juros voltaram a subir, chegando a mais de 300% no cheque especial, e a corrupção explodiu uma de suas piores crises, envolvendo empresas como Petrobrás, BNDES e grandes consórcios, aprofundando os indicativos de uma crise política vinculada à crise econômica.

Em uma análise ampla da economia, a crise brasileira atual não é culpa do atual governo apenas, mas consequência de uma política que se mantém há 30 anos sem priorizar um planejamento de longo prazo para o País.

O Brasil viveu durante 11 anos, de 2003 a 2014, um crescimento econômico, com investimentos estrangeiros, inflação e câmbio controlados. Tudo isso aliado a uma política de crédito facilitado, desemprego baixo etc. Foi graças aos programas sociais que 36 milhões de brasileiros saíram da miséria. Entretanto, não foram feitos os investimentos necessários para manter a economia em crescimento. Um exemplo é a melhoria na infraestrutura, que iria garantir o escoamento da produção nacional, por exemplo, e que ainda se encontra em condições precárias na maior parte do país.

Em 12 anos de desenvolvimento, não se promoveu nenhuma reforma de estrutura, nem agrária, nem tributária, nem política.

Uma crise econômica em países como o Brasil, provoca, inevitavelmente, um forte ajuste na cotação do Dólar e outras moedas fortes como o Euro. Esse ajuste é resultado de um dólar que foi mantido abaixo do valor real durante algum tempo, incentivando a importação e prejudicando as exportações, o que contribuiu para a estagnação da economia nacional.

Para os economistas, as economias mundiais caminham para formação de grandes blocos nas próximas décadas. Os Estados Unidos, por exemplo, investem cerca de US$ 70 bilhões em várias tecnologias, em áreas como nanotecnologia, biotecnologia e medicina avançada, tudo para elevar  a produtividade. Podemos citar a China, que pela escassez de recursos naturais investiu na Indonésia, África e América do Sul. Cada um fazendo seus planejamentos para anos à frente.

Existe uma probabilidade que a crise econômica continue até meados de 2016. As empresas ainda sofrerão bastante com os efeitos desta crise econômica, principalmente aquelas que dependem de crédito abundante para manutenção dos seus negócios. É preciso cautela. É certo que o Brasil não vai parar, mas seguramente ainda haverá uma redução significativa do nível de atividade econômica além da que já estamos presenciando.

*Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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