O condado dos escroques | Por Luiz Holanda

Mapa pictórico do crime organizado nos EUA, 1967. Artigo de Luiz Holanda aborda trajetória do crime organizado.

Mapa pictórico do crime organizado nos EUA, 1967. Artigo aborda trajetória do crime organizado.

O título ‘O condado dos escroques’ vem do inglês, na época em que a máfia comandava a produção de bebidas alcoólicas durante o período da Lei Seca. Al Capone já era uma estrela em ascensão quando se mudou para Cícero, cidade vizinha a Chicago, fugindo da perseguição policial. Ali ele conseguiu o apoio das autoridades para as suas atividades criminosas, já que sua popularidade lhe permitia comandar um governo subterrâneo.

Não foi à-toa, portanto, que, naquela cidade, Capone fosse chamado de o “prefeito do condado dos escroques” (Mayor of Crook County), face a corrupção das autoridades acobertada pela máfia que, na prática, exercia o poder. A roubalheira generalizada levou os americanos a perder, gradual e fatalmente, a capacidade de sua tradicional indignação moral.

Nessa época o presidente americano era Warren Harding, o 29º presidente dos Estados Unidos, cujo governo tornou-se conhecido como o mais corrupto da história do país. Harding era um “zé-ninguém”, metido a conquistador e uma ferramenta útil para a canalha política do estado onde nascera. Trouxe para a Casa Branca a família, os cabos eleitorais e os colegas de pôquer, que, de modo rápido e eficaz, transformaram o governo numa máquina de ganhar dinheiro.

Nessa época o procurador geral, Harry Daugherty, engavetava os processos contra as autoridades e cobrava por isso, através de Jess Smith, seu coletor oficial. Todas as tardes eles se reuniam com o presidente para tomar drinks no andar de cima da Casa Branca. Era comum encontrar parlamentares bêbados no Congresso, e a biblioteca do Senado era considerada o melhor bar de Washington.

Como o crime organizado tem atingido a sociedade através dos tempos, algo semelhante aconteceu entre nós desde quando Fernando Collor assumiu o poder. Em seu governo a corrupção foi tanta que ele foi obrigado a renunciar. No de Fernando Henrique ela foi colocada para debaixo do tapete. Na época, o procurador-geral era Geraldo Brindeiro, que ficou conhecido como o engavetador-geral da República. Esse senhor ficou oito anos no cargo. Como gratidão pela renovação do seu mandato engavetava todos os processos contra as autoridades e contra o presidente da República.

Em seguida veio o Lula, que se elegeu sob o discurso da ética na política, mas que entrou para a história como um governo tão corrupto quanto o de FHC, ou ainda mais. O mensalão veio demonstrar de forma bombástica as entranhas corruptas da presidência da República, cujo exemplo contaminou os demais órgãos e poderes. Foi a partir daí que o povo passou a dizer que o art. 2º da Constituição Federal devia ter a seguinte redação: “São poderes da União, independentes e corruptos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

Quando se imaginava que a corrupção terminasse com Lula, eis que surge o governo de dona Dilma, cujo nível de roubalheira supera qualquer outra fase que o país passou, incluindo a do seu antecessor. Seu governo é tão corrupto que até o aliado Ciro Gomes, em entrevista para a imprensa, disse que ela é inexperiente e governa cercada por uma equipe de quinta categoria. Realmente, a gerentona pilota uma aliança que administra o país como se fosse um condado de escroques. E ela, que nunca foi acusada de corrupta, pode terminar sendo chamada de a Mayor of Crook County. Realmente, diante de tanta podridão, a presidente, mesmo honesta, nada mais é do que uma prefeita de um condado de escroques.

Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do tribunal de Ética da OAB/BA.

Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.