Lixões: o que aprendemos com o Congresso no Equador para mudar essa realidade | Por Francisco Oliveira

Francisco Oliveira é Engenheiro Civil e Mestre em Mecânica dos Solos, Fundações e Geotecnia e fundador da Fral Consultoria.

Francisco Oliveira é Engenheiro Civil e Mestre em Mecânica dos Solos, Fundações e Geotecnia e fundador da Fral Consultoria.

Gerir e administrar adequadamente os aterros sanitários é tarefa que pode ser executada perfeitamente quando há uma integração entre governos. Sempre que um projeto é bem elaborado e executado, consequentemente, resulta em custos acessíveis, além de inúmeros benefícios quanto à redução de impactos ambientais.

O problema do lixo ganhou no começo do mês de setembro, na cidade de Sangolquí, no Equador, o Congresso Internacional de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e Responsabilidade Empresarial. Participei do evento com o intuito de trazer ideias novas, debatidas ao lado de profissionais, sobre a utilização de tecnologias relacionadas à gestão, tratamento e destinação de resíduos sólidos. O principal foco de todo o evento era pensar trazer mudanças para os cenários atuais.

Minha palestra foi sobre construção e separação de aterros sanitários. Falei sobre cases de sucesso e troca de experiências, evitando erros passados e copiando acertos dentre todos que estavam lá, como profissionais da área civil.

A partir dessas experiências trouxe para casa algumas novas expertises, principalmente envolvendo os temas mais recorrentes, e tidos como melhores soluções para os problemas atuais. Uma delas é da implantação de recicladores, iniciando o tratamento do resíduo em diversos níveis sociais, partindo da separação do mesmo na sua origem, melhores condições para os profissionais que fazem sua coleta, reciclagem da parte possível do resíduo e o descarte correto do restante.

A sustentabilidade também foi amplamente debatida nos dias do congresso, como uma parte fundamental do manuseio diário com os resíduos. Afinal o tratamento do lixo lida com o cenário que já existe, mas a sustentabilidade prevê meios de não permitir que esses cenários se repitam, implementando melhorias para o futuro.

A informação à população e o ensino da educação ambiental de forma contínua e em diversos níveis sociais, assim como a integração social dos profissionais de limpeza pública, e práticas de sustentabilidade econômica foram os pilares dessa discussão.

Investimento em salários e melhores condições de trabalho e vida para os profissionais da área foi um dos temas mais abordados. É preciso se dar conta de que esses profissionais lidam com algo extremamente impactante para a sociedade. Se práticas como a reciclagem, descarte adequado e uso dos resíduos para fins energéticos, são um cenário ideal, então primeiramente temos que pensar no profissional qualificado para fazer isso acontecer.

As empresas que trabalham com projetos de engenharia focados em aterros e  tratamento de resíduos também entram nessa lista. É preciso uma parceria maior entre os governos e essas empresas. O investimento tem de vir das camadas públicas, afinal, o cidadão que paga seus impostos tem o direito a uma destinação correta para seus descartes.

Para conscientizar o cidadão comum, uma das conclusões do congresso, foi que se fazem necessárias campanhas de conscientização, e que o melhor meio de chegar a esse público é através das redes sociais. O uso da internet e da constante presença do público nas redes sociais, pode ser o início de uma oportunidade para levar informação a todos, melhorando a gestão de resíduos dentro das casas e na consciência política de cada um.

*Francisco Oliveira é Engenheiro Civil e Mestre em Mecânica dos Solos, Fundações e Geotecnia e fundador da Fral Consultoria.

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