Feira de Santana: Leonardo Pedreira apresenta estudo histórico sobre Avenida Getúlio Vargas e requisita tombamento ao Iphan como patrimônio cultural

Leonardo Pedreira apresenta estudo histórico da Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana.

Leonardo Pedreira apresenta estudo histórico da Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana.

Leonardo Pedreira e Cloves Pedreira. Pesquisa revela como a sociedade feirense transformou a Avenida Getúlio Vargas em patrimônio material e imaterial.

Leonardo Pedreira e Cloves Pedreira. Pesquisa revela como a sociedade feirense transformou a Avenida Getúlio Vargas em patrimônio material e imaterial.

No centro da imagem a Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana, considerada uma das avenidas mais arborizadas do país.

No centro da imagem a Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana, considerada uma das avenidas mais arborizadas do país.

10º Caminhada do Folclore, realizada na Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana. Avenida é espaço de manifestações culturais.

10º Caminhada do Folclore, realizada na Avenida Getúlio Vargas em Feira de Santana. Avenida é espaço de manifestações culturais.

O historiador e pesquisador Leonardo Pedreira, com a colaboração de Cloves Pedreira e Carlos Melo, produziu denso estudo sobre o processo de constituição histórica da Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana. Com o título ‘Avenida Getúlio Vargas: berço da cultura, espaço da memória e história de Feira de Santana’, a pesquisa foi encaminhada em 26 de agosto de 2015  ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) com a finalidade de conquistar, para a avenida, a titularidade de Patrimônio Cultural.

Os artigos 215 e 216 da Constituição da República Federativa do Brasil (1988) define Patrimônio Cultural a partir das formas de expressão; dos modos de criar, fazer e viver; das criações científicas, artísticas e tecnológicas; das obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e dos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. A partir do pressuposto constitucional e do estudo, Leonardo Pedreira fundamenta o pedido para que a Avenida Getúlio Vargas receba a titularidade como Patrimônio Cultural do povo feirense.

Pesquisa histórica

No estudo, o pesquisador revela que a Getúlio Vargas foi projetada pelo engenheiro do município de Feira de Santana Accioli Ferreira na década de 1920. Constituindo-se na maior avenida de Feira de Santana, e uma das mais arborizadas de Brasil. O historiador revela que antes de receber o nome Getúlio Vargas, ela foi nomeada Grande Avenida, e depois Avenida Central.

Leonardo Pedreira explica que:

– As intenções políticas da época com a implantação do que era chamado de “grande avenida” eram de que a mesma pudesse transmitir – e ao mesmo tempo dar conta – os traços de modernidade e atingir o esperado progresso material da cidade a um elevadíssimo ponto que pudesse ser cada vez mais vivenciado através das notórias construções de particulares estéticas figurando a emergente e moderna cidade em ascensão a um primeiro plano na região.

O estudo demonstra que a avenida é um projeto de modernização da sociedade feirense, que foi concretizando com as edificações às margens dos recuos da calçada da Getúlio Vargas. Com a materialização da avenida, ela se tornou palco de manifestações culturais, a exemplo da micareta, tornando-se elemento de convergência social em torno de significativos eventos populares.

A pesquisa revela que a sociedade feirense, ao longo de décadas, adotou a Avenida Getúlio como palco de manifestações, a exemplo de manifestações católicas, protestantes, gays, militares, festivas, cívicas, folclóricas, ambientais e políticas. Esse processo acrescentou a materialidade da avenida, elementos da imaterialidade cultural do povo.

Leonardo Pedreira relata:

– A Caminhada do Folclore que desde a primeira edição acontece na Avenida Getúlio Vargas atraindo toda comunidade feirense e movimentando toda cidade pela arvorada avenida desde 1999, ou seja, 16 anos de história conforme;

– O tradicional desfile cívico-militar que acontece no dia 18 de Setembro em comemoração ao dia da emancipação política de Feira de Santana que aconteceu no ano de 1873 – Dia da Cidade – marcado pela massiva presença de estudantes das escolas públicas bem como das habituais fanfarras e do 35º Batalhão de Infantaria com os pavilhões, seguidos do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e da Guarda Municipal

– A Caminhada Pela Paz que esse ano completará 23 anos e sendo nacionalmente conhecido por buscar a estruturação entre paz ambiental, paz social e paz interior, visando promover na sociedade o desenvolvimento de uma cultura de paz. O evento por ser amplamente conhecido acabou sendo aderido por diversos artistas como: Nando Cordel, Márcia Porto Belchior, Gilberto Gil, Dominguinhos, Santana “O Cantador”, Elba Ramalho, Silvério Pessoa, Wanderléia, Joanna, Geraldo Azevedo, Marines, Edson Cordeiro, Carlos Pitta, Flávio José, Eliane Chagas, Robson Miguel, Waldonys, Dorival Dantas, Marlon Rossi, Tunai dentre outros;

– A Marcha para Jesus que acontece há 22 anos sendo organizado pela Associação dos Ministros Evangélicos estabelecendo-se como um evento que supera a classe evangélica da cidade atingido a toda comunidade indiscriminadamente;

– A Parada do Orgulho Gay evento, que chega a 14ª edição promovendo o estímulo à cultura da tolerância e da não violência, faz parte do calendário oficial de eventos do Município por meio da Lei 2.895/08.

Leonardo Pedreira alerta:

– Estamos falando de um espaço que se confunde com a própria história da cidade bem como de todos os feirenses e até mesmo daqueles que não são feirenses por naturalidade, mas que se consideram assim pelo sentimento de pertença que os longos anos de habitação puderam lhe proporcionar.

– Destruir, descaracterizar, modificar, deformar tal espaço implica em querer reescrever uma história tão majestosa quanto a que foi pensada lá em sua formação. Porém e, sobretudo, não implica na descaracterização e deformação apenas do espaço da Avenida Getúlio Vargas e sim na própria história de toda cidade visto que a cidade foi projetada para crescer e se fazer constituir como tal sobe o impulsionamento das artérias da avenida que está alojada no coração da própria cidade. De fato, a mesma poderia ser vista como sendo o próprio coração e artérias de Feira de Santana.

Leonardo Pedreira explica que a Avenida Getúlio Vargas se tornou “um verdadeiro e gigantesco espaço de memória e história”. Ele alerta que a modificação do patrimônio material, compromete significativamente o patrimônio imaterial, caso ocorra a implantação do Sitema BRT Feira de Santana. O historiador informa que dados da pesquisa do Instituto de Pesquisas Exatas (IPEX) apontam que o Sistema BRT “possui rejeição esmagadora de 94,5%” da população.

Baixe a íntegra do estudo realizado por Leonardo Pedreira

Avenida Getúlio Vargas: berço da cultura, espaço da memória e história de Feira de Santana

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.