Intelectuais da USP assinam manifesto em defesa da democracia e contra tentativas de depor Dilma Rousseff da presidência da República

Presidenta Dilma Rousseff. Intelectuais emitem manifesto em defesa da democracia e da legitimidade eleitoral do governo Rousseff.

Presidenta Dilma Rousseff. Intelectuais emitem manifesto em defesa da democracia e da legitimidade eleitoral do governo Rousseff.

Professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH – USP) lançaram um manifesto que reafirma a defesa da democracia e repudia as tentativas de retirar Dilma Rousseff da presidência e fraudar o resultado das eleições de 2014.

O manifesto defende a manutenção da ordem constitucional no pais e a salvaguarda das instituições democráticas. “É preciso reafirmar que quaisquer tentativas de retirar a presidenta Dilma Rousseff, eleita democraticamente, antes do fim de seu mandato pode levar o país a uma situação insustentável do ponto de vista social e político. O Brasil não precisa disso, muito menos seu povo, que enfrenta as duras consequências de uma crise econômica e financeira que afeta o mundo hodierno”, diz o documento.

Manifesto pela Democracia

Editoriais e manifestações de políticos de oposição procuram ampliar o escopo de um golpe na Democracia brasileira. É preciso estar alerta e pronto a evitar ameaças à vontade popular, expressa nas últimas eleições presidenciais. O caos que uma ação dessa ordem traria pode afetar radicalmente os rumos do país. Por isso, é uma irresponsabilidade social e política inflar um movimento que pode causar profundas rupturas na sociedade brasileira, com consequências econômicas, sociais, culturais e políticas que podem ser desastrosas.

Nos últimos anos, partidos progressistas foram eleitos em vários países da América Latina. Ainda que muitos deles propusessem uma pauta moderada frente ao quadro de desigualdade social presente no mundo atual, conseguiram aplicar reformas que as diminuíram. Além disso, implantaram programas sociais que aumentaram a capacidade de emitir opinião de camadas sociais que não tinham como aferir sua situação no mundo diante da condição de miséria, desinformação e fome que viviam.

De modo articulado, assistiu-se um roteiro que seguiu os dirigentes progressistas de países da América do Sul, com agressões duras contra a Democracia. Governos eleitos na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na Argentina e no Paraguai enfrentaram momentos difíceis que resultaram em países polarizados.

Esse modo de operar chegou ao Brasil, mas com uma agravante: um ódio descabido ao partido que aplicou as mudanças sociais no país. Como a história só se repete como farsa e como a política possui especificidades nacionais, causa muita preocupação o acirramento de tensões que, de algum modo, estavam acomodadas. No caso brasileiro, a irracionalidade trazida pelo ódio já tem resultado em agressões verbais e até físicas de cidadãos que simplesmente ostentam roupas de cor vermelha em situações as mais inusitadas. Isso não pode continuar.

É preciso aprimorar o uso do potencial energético, dos recursos naturais e da capacidade produtiva no campo e nas cidades brasileiras para melhorar a vida da população por meio da criação de novas relações sociais e com o ambiente. O Brasil possui enormes vantagens nessa corrida tecnológica dada suas condições naturais, que garantem reservas de biodiversidade, petróleo, água, solo, sol e vento. Esses atributos devem ser usados de modo inteligente para alçar o país a um novo patamar de produção e distribuição de riqueza em vez de manter-se como simples provedor de produtos primários.

É preciso reafirmar que quaisquer tentativas de retirar a Presidente Dilma Rousseff, eleita democraticamente, antes do fim de seu mandato, pode levar o país a uma situação insustentável do ponto de vista social e político. O Brasil não precisa disso, muito menos seu povo, que enfrenta as duras consequências de uma crise econômica e financeira que afeta o mundo hodierno.

O momento exige responsabilidade e discernimento para propor alternativas sérias de combater os efeitos da crise mundial e não alimentar a instabilidade política por meio de ameaças ao voto popular.

1) Wagner Costa Ribeiro – Professor – Departamento de Geografia – USP

2) Flavio Aguiar – Professor – USP

3) Adrián Pablo Fanjul – Professor – Departamento de Letras Modernas – USP

4) Marcello Modesto – Professor – Departamento de Linguística – USP

5) Ligia Chiappini Moraes Leite – Professora – USP

6) Fabio Cesar Alves- Professor – DLCV – USP

7) Gloria Alves – Professora – Departamento de Geografia – USP

8) Rita Chaves – Professora – DLCV/FFLCH – USP

9) Marcos Silva – Professor – Departamento de História – USP

10) Luis Roncari – Professor – DLCV – USP

11) Ricardo Musse – Professor – DS – USP

12) Olga Ferreira Coelho Sansone – Departamento de Linguística – USP

13) Homero Santiago – Departamento de Filosofia – USP

14) Ieda Maria Alves – DLCV – USP

15) Tercio Redondo – DLM – USP

16) João Adolfo Hansen – DLCV- FFLCH- USP

17) Luís César Oliva – Professor USP

18) Neide Maia González – FFLCH – USP

19) Heloísa Pezza Cintrão DLM/FFLCH/USP

20) Kabengele Munanga Dpto.Antropologia – USP

21) Beatriz Raposo de Medeiros – FFLCH – USP

22) Cilaine Alves Cunha – Literatura Brasileira – FFLCH – USP

23) Renato da Silva Queiroz – FFLCH-USP

24) Rosangela Sarteschi – DLCV – USP

25) Sheila Vieira de Camargo Grillo – DLCV – USP

26) Marta Inez Medeiros Marques – DG – USP

27) Sylvia Bassetto – DH – USP

28) Beatriz Daruj Gil – DLCV – USP

29) Gustavo Venturi – DS – USP

30) Paula Marcelino – professora – Departamento de Sociologia – USP

31) María Zulma M. Kulikowski – DLM – USP

32) Elisabetta Santoro – DLM – USP

33) Vima Lia de Rossi Martin – DLCV – USP

34) Pablo Schwartz – DLCV – USP

35) Fabio Contel – DG – USP

36) Léa Francesconi, professora, DG-FFLCH-USP

37) Valeria De Marco – DLM/FFLCH-USP

38) Adma Muhana – FFLCH-DLCV-USP

39) José Pereira de Queiroz Neto – DG – USP

40) Manoel Luiz Gonçalves Corrêa – DLCV – FFLCH – USP

41) Waldir Beividas – DL- USP

42) Rita de Cássia Ariza da Cruz – Departamento de Geografia – FFLCH/USP

43) Ivan Marques – DLCV / FFLCH – USP

44) Mónica Arroyo – DG – USP

45) Homero Freitas de Andrade – DLO – FFLCH – USP

46) Maria Helena Pereira Toledo Machado – FFLCH – USP

47) André Martin – DG – USP

48) Iris Kantor – DH – USP

49) Fernanda Padovesi Fonseca – DG – USP

*Com informações da Rede Brasil Atual.

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