Exclusiva: deputado José Carlos Araújo defende Jaques Wagner para articulação, diz que proposta da CPMF não próspera, e comenta sobre participação do PSD nas eleições de 2016 em Feira de Santana e Salvador

José Carlos Araújo é entrevistado por Carlos Augusto sobre política, economia, corrupção e eleições municipais em Feira de Santana e Salvador.

José Carlos Araújo é entrevistado por Carlos Augusto sobre política, economia, corrupção e eleições municipais em Feira de Santana e Salvador.

José Carlos Araújo: "O brasileiro não aguenta mais a carga tributária brasileira, porque ele paga uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo.".

José Carlos Araújo: “O brasileiro não aguenta mais a carga tributária, porque ele paga uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo.”.

José Carlos Araújo: "O Aloizio Mercadante, realmente entre 10 deputados, 11 não gostam dele. Nós achamos ele prepotente, achamos que ele está no lugar errado, na hora errada.".

José Carlos Araújo: “O Aloizio Mercadante, realmente entre 10 deputados, 11 não gostam dele. Nós achamos ele prepotente, achamos que ele está no lugar errado, na hora errada.”.

José Carlos Araújo: "Os políticos estão sendo execrados, e não digo que não tem razão não, tem. Os políticos, é claro que nem todos são assim, mas na hora que uma grande parte dos políticos entram nesse esquema que foi revelado é de lamentar, de realmente achar que nas eleições de 2018 o povo vai passar o Congresso a limpo.".

José Carlos Araújo: “Os políticos estão sendo execrados, e não digo que não tem razão não, tem. Os políticos, é claro que nem todos são assim, mas na hora que uma grande parte dos políticos entram nesse esquema que foi revelado é de lamentar, de realmente achar que nas eleições de 2018 o povo vai passar o Congresso a limpo.”.

José Cerqueira Neto (Zé Neto), José Carlos Araújo, Wilson Paes Cardoso e Carlos Augusto. Entrevista concedida na residência do prefeito de Andaraí.

José Cerqueira Neto (Zé Neto), José Carlos Araújo, Wilson Paes Cardoso e Carlos Augusto. A Entrevista com Araújo foi concedida na residência do prefeito de Andaraí.

O deputado federal José Carlos Araújo (PSD/BA) em entrevista ao Jornal Grande Bahia avalia a crise econômica, a intenção do governo federal de reintroduzir a Contribuição sobre Movimentação Financeira Bancária (CPMF), a relação entre o governo e o Congresso Nacional. Ele critica duramente o ministro Aloizio Mercadante, e comenta sobre a saída do vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) da articulação política.

Na sequência da entrevista, José Carlos Araújo examina os reflexos da Lava Jato no Congresso Nacional, e o fato de ter o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), envolvido no maior esquema de corrupção da história do país. Concluindo a entrevista, ele aborda a reforma política, e a participação do PSD nas eleições municipais de 2016 em Feira de Santana e Salvador.

A entrevista exclusiva foi concedida por José Carlos Araújo ao diretor e editor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, na residência do prefeito Wilson Paes Cardoso (PSB), em Andaraí, no dia 29 de agosto de 2015.

Perfil do entrevistado

José Carlos Leão de Araújo nasceu em 21 de dezembro de 1944, é natural de Salvador e formado em administração. O Atlas Político o avalia como político de direita, que faz oposição moderada ao governo. Avaliação que condiz com a trajetória política, observando que ele ocupou mandatos de deputado estadual e federal pelos partidos PFL atual DEM, PR, PDT, migrando para o PSD.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia — Como avalia a crise econômica atual do país?

José Carlos Araújo – A ordem econômica é evidente, está clara aí, a inflação subindo, o dólar indo para estratosfera a R$ 3,55. Nos últimos 12 anos o dólar nunca subiu tanto, e é óbvio que isso acarreta uma série de problemas para economia nacional. O empresariado está preocupado, os políticos também estão preocupados e o próprio governo também está preocupado.

Essas coisas têm que parar, porque isso afeta a imagem do Brasil fora daqui, no exterior, em torno da Europa, nos Estados Unidos. O Brasil que andava muito bem e tranquilo na economia, de um tempo para cá, nos últimos 3 a 4 meses, realmente é um problema que estamos muito preocupados.

JGB — Com a crise econômica, uma das possibilidades que surgiram, recentemente, foi de o governo federal reintroduzir a CPMF, que é uma contribuição tributária a partir de recursos bancários. Como avalia a possiblidade dessa proposta progredir no Congresso Nacional?

José Carlos Araújo – Não acredito que vá prosperar. Eu acho que a CPMF já nasceu morta. Foi tentada a reintrodução do tributo em governo passado, e a proposta não prosperou. O Congresso Nacional decidiu pela extinção.

O brasileiro não aguenta mais a carga tributária, porque ele paga uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo. Eu não acredito que essa ideia da CPMF prospere. Eu acho o brasileiro, Congresso – situação e oposição – Nós não acreditamos que isso vá ser implantado. Talvez isso seja uma tentativa de desviar o foco dos problemas atuais.

JGB — Com a crise econômica o governo perde sustentação popular, concomitantemente ocorre uma crise política, vários deputados da base votam contra o governo. Como avalia o cenário?

José Carlos Araújo – Esse cenário é perigoso. Como é que eu avalio? Avalio o tratamento do governo com os parlamentares, e observo que está faltando interlocutor entre o governo e o Congresso Nacional. Eu sinto falta.

O Aloizio Mercadante, realmente entre 10 deputados, 11 não gostam dele. Nós achamos ele prepotente, achamos que ele está no lugar errado, na hora errada.

Não é porque ele é da Bahia, mas nós achamos que o homem certo, na hora certa, no momento exato, chama-se Jaques Wagner. Também não é só porque eu sou da Bahia que defendo essa posição, é o Congresso Nacional, em geral, que acredita que Jaques Wagner é um cara que a gente sabe que tem trato, sabe dizer um não dando risada, brincando, conversando, e a gente sai de lá satisfeito. Era assim no governo do estado e foi assim como ministro. Então eu acho que a presidência esta pecando em manter o ministro Aloizio Mercadante no lugar que ele está [na articulação do governo com o Congresso].

JGB — O vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) assumiu essa relação institucional com o Congresso, e recentemente ele renunciou essa posição dizendo que ia cuidar de uma relação digamos sobre grandes temas. O quê que aconteceu de verdade?

José Carlos Araújo – Michel Temer é um cara político, educado, firme, é um cara que tem muito tato, mas Michel Temer é do PMDB. No meu entender o próprio PMDB que está dividindo, não contribuiu para a sustentação do Michel Temer.

JGB — Ainda nesse cenário de crise, um outro elemento é acrescentado, e ele vem justamente das revelações do caso Lava Jato. Recentemente, a procuradoria-geral da República (PGR), conseguiu autorizações do Supremo Tribunal Federal para iniciar investigações com relações a senadores, Fernando Collor seria um dos senadores, e um deputado federal que é o presidente da Câmara. Como é que o senhor avalia essa situação? Ter um presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB) envolvido no maior esquema de corrupção da história?

José Carlos Araújo – Olha, isso aí são sucessivos erros. Mas, não é só da Lava Jato, foi o Mensalão lá atrás, foram todas as coisas que aconteceram anteriormente. A denúncia do presidente da Câmara é grave, nós sabemos, mas temos que aguardar o que o Supremo vai dizer, se vai aceitar a denúncia e se vai processar o presidente da Câmara, a partir daí nós vamos ver o que é que vai acontecer. É óbvio que isso vai gerar mais uma crise política, eu não tenho menor dúvida que isso vai trazer.

É muito ruim para o Brasil, é muito ruim para os políticos. Os políticos estão sendo execrados, e não digo que não tem razão não, tem. Os políticos, é claro que nem todos são assim, mas na hora que uma grande parte dos políticos entram nesse esquema que foi revelado é de lamentar, de realmente achar que nas eleições de 2018 o povo vai passar o Congresso a limpo.

JGB — A reforma política ainda está em curso, está no Senado, mas já foi votado na Câmara Federal. Até o momento tem sido uma reforma que decepciona a sociedade. Como o senhor avalia o que foi votado, como o senhor avalia essa questão do financiamento público, financiamento privado de campanhas que é aonde parece se identificar um grande sistema de corrupção?

José Carlos Araújo – No meu entender, a reforma política é um arremedo de reforma. Não existe reforma política. Veja o seguinte, querem mudar a fidelidade partidária de um ano para seis meses, se isso acontecer, se o Senado mantiver isso, acabou a fidelidade partidária. Faltando seis meses para as eleições o político muda de partido, então não dá tempo de ser caçado, não dá tempo de tomar providências cabíveis na justiça para pedir mandato de um deputado ou vereador por infidelidade partidária. Diminuir o papel e o tempo da fidelidade partidária é querer tapar o sol com a peneira.

JGB — Então, considera que o deputado Eduardo Cunha conduziu muito mal essa questão?

José Carlos Araújo – A questão da reforma política não foi Eduardo Cunha que conduziu mal. Eu acho que a Câmara dos Deputados e o Senado também está conduzindo mal, porque não se fez um pacto com a finalidade de aprovar uma reforma política ampla. Estão fazendo um remendo de reforma política. Quiseram dar uma satisfação ao povo e aos políticos, e fizeram uma reforma que na verdade é um arremedo de reforma, pois eu não considero isso uma reforma política.

JGB — Gostaria de falar sobre as eleições municipais de 2016. O PSB é oposição ao governo municipal em Salvador e em Feira de Santana. Como o partido pretende se posicionar nesses dois municípios, que são os dois maiores colégios eleitorais da Bahia?

José Carlos Araújo – O presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, costuma se posicionar dentro do quadro do partido, então nós temos deputados tanto em Salvador como em Feira de Santana que fazem política, então é óbvio que esses deputados serão ouvidos, o partido vai ouvir esses deputados e vai ver o que é cabível. É muito provável que em Feira de Santana o partido possa ter candidato próprio.

JGB — Concluindo a entrevista. Existe uma perspectiva de a crise econômica perdurar até 2016. Na sua visão, essa crise vai até quando?

José Carlos Araújo – Se eu soubesse e pudesse vaticinar até quando a crise econômica pode perdurar, eu tenho certeza que seria o ganhador da loteria esportiva do próximo domingo.

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