Eis o cara, Carlos Marques, amigo do Rei

Carlos MarquesTomei conhecimento que o jornalista Carlos Marques acabara de lançar o seu livro de memórias “Lá sou amigo do rei” (2013). Sim, ele mesmo, o herói do meu famoso artigo. Corri para adquiri-lo, escrevi e divulguei uma resenha e… ficamos amigos virtuais.

Desencontros impediram um jantar-entrevista em Brasília, onde reside e trabalha, e deste bate-papo escreveria – escreverei – dois novos e importantes artigos sobre a sua convivência com o Mestre Irineu, em 1969.

O amigo Rodrigo Borges Conti Tavares traduziu o artigo-resenha para a língua inglesa, em 2014, e publicou no seu concorrido site ‘A Família Juramidã’.

Os republico agora.

Carlos Marques, Forrest Gump brasileiro e “apóstolo predestinado do Santo Daime

Por Juarez Duarte Bomfim

O jornalista Carlos Marques acaba de lançar o seu livro de memórias, autobiográfico, com o título “Lá sou amigo do rei”. A surpreendente e aventureira vida do autor nos traz saborosas histórias, contadas em estilo leve, que prende o leitor e torna impossível parar de lê-lo.

Forrest Gump brasileiro, Carlos Marques é aquele tipo de cara que estava no lugar certo na hora certa, e isso o faz protagonista e testemunha ocular de muitos dos principais eventos políticos, sociais e culturais do Brasil e do mundo, e o leva a colecionar amizades com muitas das principais personalidades do século XX.

Também podemos considerar que, às vezes, ele esteve no lugar errado na hora errada, ao ser preso e duramente torturado pela Ditadura Militar brasileira, por mais de uma vez, o que o impele a deixar o país como clandestino em um navio cargueiro para a França, sua segunda pátria.

Preso e duramente espancado na Argentina também, após convivência com os próceres da Casa Rosada e, paralelamente, com os guerrilheiros urbanos montaneros.

O release do livro o apresenta como “um repórter aventureiro, que enfrentou a ditadura militar, foi torturado no Brasil e na Argentina, clandestino em Paris, amigo de celebridades como Salvador Dalí, Jean Genet, Pelé, Khrisnamurti e João Paulo II, cineasta, músico, especialista em discos voadores, apóstolo predestinado do Santo Daime, embaixador da Unesco por acidente, e voltou ao país como partiu: quase anônimo e sem um tostão”.

É hilariante a narrativa do imbróglio que o autor se envolveu com o escritor e dramaturgo francês Jean Genet na sua residência carioca, quando a festejada celebridade, canonizado por Sartre como “São Genet” — que no passado foi ladrão, prostituto e condenado — é quase expulso de sua casa por insistente assédio homossexual.

Para nossa diversão conta Marques: “eu estava expulsando da minha casa um dos maiores escritores do mundo, sobre quem Jean-Paul Sartre, a inteligência suprema do século XX, havia escrito um livro de mais de 500 páginas!”

Outro causo: Marques priva da amizade do Papa João Paulo II ao passar uma semana com Sua Santidade em Castelgandolfo, a residência papal de verão. Como prova incontestável desta história, o livro traz anexo uma foto dos dois, o Santo Padre atento àquele pernambucano falante e sorridente, como quem está ouvindo uma piada de papagaio — ou de padre.

Escreve Muniz Sodré no Prefácio: … “a sua foto ao lado de João Paulo II, que me parecia estar à beira do riso. Papa não ri, a menos que compungido pelo relato de um pícaro”, isto é, pessoa picaresca, cômica, burlesca.

Estas celebridades são apenas algumas das quais ele conheceu e protagonizou situações. Aparecem outras, muitas outras na sua narrativa: o general Castelo Branco, o economista Celso Furtado, o poeta Ascenso Ferreira, a feminista Rose Marie Muraro, Caetano, Gil, Gal… “

São tantas e extraordinárias histórias envolvendo pessoas públicas de destaque, que é impossível não haver certa incredulidade de quem lê. Ao que Carlos Marques responde: “aos que perguntarem se é verdade tudo o que contei, darei a resposta de Marco Polo, quando questionado se todas as coisas extraordinárias e maravilhosas escritas no seu livro As viagens ocorreram mesmo: ‘eu não contei nem a metade de tudo o que vi’”.

O que me atraiu a conhecer a história de vida deste jornalista foi justamente a condição que lhe é dada de “apóstolo predestinado do Santo Daime” na capa do livro. Elegante frase que resume um brilhante discurso de Toinho Alves (orador oficial) na noite de 30 de abril de 2008, sede do Alto Santo (Rio Branco-Acre), onde se realizou o evento oficial no qual foi solicitado ao ministro Gilberto Gil, da Cultura, que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instaurasse o processo de reconhecimento do uso da ayahuasca em rituais religiosos como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

Discursou Toinho Alves:

— O Mestre Irineu, sabedor do passado, presente e futuro do jornalista Carlos Marques, excepcionalmente presenteou o jornalista com uma garrafa de Daime para que este a fizesse chegar às mãos do cantor Gilberto Gil, que a tomasse e conhecesse, para que, passados quase 40 anos, viesse ao Alto Santo na condição de ministro de Estado interceder por tornar a ayahuasca patrimônio imaterial da cultura brasileira (palavras minhas, registro de memória).

Gilberto Gil tomou Daime feito pelo próprio Mestre Raimundo Irineu Serra? Como se deu isso? O amigo José Murilo, assessor do ministro Gilberto Gil e filiado à igreja daimista Céu do Planalto (Brasília-DF), não entendia quando, em conversa com o artista, o dublê de cantor e ministro de Estado jactava-se de ter bebido Daime dado pelo próprio Mestre Irineu. Talvez considerasse isso uma licença poética do autor da significativa canção “Metáfora”…

O senhor Raimundo Irineu Serra, fundador da Doutrina do Daime, é uma figura mitológica para os seus discípulos e devotos. Tanto para os antigos, que conviveram com ele, como para as gerações mais novas, não mais concentrados no Estado do Acre e sim espalhados por todo o Brasil e o mundo.

Sua biografia, seus causos, o belíssimo hinário onde expõe a sua Doutrina cantada, a introdução do uso coletivo e urbano da bebida ayahuasca, por ele, faz desse hierofante brasileiro um mito, uma lenda, digno de veneração por seus seguidores.

A pista para o entendimento do episódio do Daime bebido pelo então ministro, estava em ir juntando as poucas informações da imprensa acreana sobre a visita de Carlos Marques ao Acre em 2006, depoimentos orais e — fundamental para complementar a história — a leitura do livro de Caetano Veloso, Verdade Tropical.

Fui colando os pedacinhos e elaborei o meu artigo mais conhecido, “O Daime, Caetano e Gil”. Eis que agora podemos ler a versão da história pela pena do próprio Carlos Marques — o Forrest Gump nacional.

Interessante é que nas páginas 67 a 77, o autor muda o estilo picaresco do livro, deixa de lado qualquer comentário cômico ou maledicente e nos brinda com um testemunho jornalístico de quem esteve frente a frente com o Rei Juramidã — nome sagrado do Mestre Irineu — e que sabe contar uma boa história.

Para minha honra, a estrutura da narrativa é a mesma que uso no meu já citado artigo; por duas vezes ele se refere ao “jornalista” Juarez Duarte Bomfim, e transcreve mais de duas páginas do meu trabalho.

A história: o jornalista Carlos Marques estava com 20 anos de idade quando a direção da revista Manchete decidiu destacá-lo, na companhia de um fotógrafo, para uma reportagem sobre a distante Rio Branco, capital do Acre, no ano de 1969.

Entre os vários entrevistados, Marques conversou com o bispo italiano Giocondo Maria Grotti, que dois anos depois (1971) morreria durante acidente aéreo no município de Sena Madureira.

Ao ser perguntado sobre os problemas que enfrentava na região, o bispo reclamou da Doutrina do Santo Daime, fundada pelo negro maranhense Raimundo Irineu Serra.

Marques decidiu conhecer o Mestre Irineu Serra, que trabalhava no roçado de sua propriedade quando o jornalista foi visitá-lo.

Escreve Carlos Marques:

“Transpondo o portão, vi um casebre, em frente ao qual me aguardava um belo crioulo, imensamente alto e musculoso.

“— Mestre Raimundo Irineu? — perguntei, incerto. Mal podia crer que fosse ele, pois segundo a escassa informação que eu pudera reunir a respeito do bruxo, ele era um lavrador, filho de escravos, nascido em 1892. Ou seja, deveria estar então com 77 anos. Acontece que o homenzarrão diante de mim não aparentava mais de 50!

“Sem responder, ele me convidou a me sentar à varanda e, ao invés de dizer quem era, falou quem eu era, e em que dia nasci, e o que eu fazia. Sabia que eu fora preso, torturado e que tinha uma cicatriz na coxa direita, suvenir da hospitalidade militar. Disse várias outras coisas que só eu poderia saber. Perguntei como ele sabia tudo isso, e a resposta foi enigmática:

“— Você foi enviado a nós.

“Atordoado, entrei com ele no casebre, em cujo interior chamou-me a atenção uma parede toda recoberta pelos cipós e folhas com que era produzida a ayahuasca, decocção que remonta aos incas. Mestre Irineu, como ele preferia ser chamado, mostrou-nos os aposentos em que ficaríamos, o fotografo e eu, recomendando que descansássemos, pois à noite estávamos convidados a participar de uma cerimônia.

“Era muito semelhante às cerimônias do candomblé, com hinos e danças ao som de maracás, bongôs e atabaques. Não vi índios lá, só pequenos lavradores e gente humilde. O ponto alto da cerimônia, como a comunhão na missa, é a ingestão da ayahuasca, ou auasca, o tal chá que, segundo dom Giocondo (bispo de Rio Branco à época), enlouquece as pessoas e as transforma em homicidas. Eu disse isso ao mestre Irineu quando ele me entregou o chá. Ele riu, exibindo a poderosa dentição branquíssima, dizendo:

“— O bispo não sabe de nada. Isso leva a Deus.

“Bebi, o gosto era amargo, mas rapidamente se transformava em algo delicioso na boca. A primeira coisa que me acometeu foi uma percepção aguçada, dos detalhes das minhas mãos, do que acontecia ao meu redor; minha visão tornou-se delirante, mas a sensação, no geral, era boa, muito boa. Senti certa levitação, certo desprendimento de mim mesmo, como se saísse do meu próprio corpo. Não vi anjos hindus, como Caetano (Veloso), mas fui tomado de uma sensação de paz e plenitude que durou quase a noite inteira”.

“… Passei três dias lá, e ao me despedir, recebi de mestre Irineu um garrafão de cinco litros de auasca, para que eu partilhasse com pessoas em busca de iluminação. Eu sabia que nunca mais o veria, e que nunca mais voltaria ao Acre, mas ele fez um prognóstico final, que achei muito improvável:

“— Você voltará.

“Quando cheguei ao Rio {…} entreguei a garrafa e o seu conteúdo ao meu amigo tropicalista Gilberto Gil, descrevendo-a como uma beberagem indígena sagrada que produzia visões deslumbrantes e estados de alma elevadíssimos”.

Naquele mesmo dia Gilberto Gil tomou uma dose da bebida, e logo após foi para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pegar a ponte aérea para São Paulo.

Já no saguão do Aeroporto de Congonhas, São Paulo, onde ocorria a inauguração de uma exposição militar, da FAB – Força Aérea Brasileira – o efeito do Daime começou a se manifestar, e Gil “captara conteúdos indescritíveis na presença dos militares”.

Era época de Ditadura Militar e a classe artística e intelectual brasileira estava sendo duramente perseguida, os próprios artistas baianos Gil e Caetano seriam logo após presos e “convidados” a se retirarem do Brasil.

Sob efeito do Daime Gilberto Gil sentiu glauberianamente “como se tivesse entendido o sentido último do momento de nosso sentido como povo, sob a opressão autoritária”… e mesmo sob o medo que então os militares provocavam… sentia que podia “amar, acima do temor e de suas convicções ou inclinações políticas, o mundo em suas manifestações todas, inclusive os militares opressores”.

A mensagem crística chegava assim ao coração do artista, apesar de todas as perseguições e temores: “Amai a vossos inimigos”. Era o Daime operando…

Depois dessa experiência solitária no voo Rio-São Paulo, Gilberto Gil reúne um grupo de amigos no apartamento do compositor Caetano Veloso e propõe que todos fizessem uma “viagem” em conjunto. Seguindo a recomendação do Carlos Marques, Gil serve a cada um dos presentes pouco mais de meio copo.

Conta Caetano: “a beberagem espessa e amarelada tinha gosto de vômito, mas não me causou náuseas”. A partir daí, a verve inspirada do poeta baiano transmite um interessantíssimo depoimento das visões e percepções do que via e sentia, da vida que percebia nos objetos inanimados, “a história de cada pedaço de matéria” de um prosaico carpete de náilon do seu apartamento, por exemplo…

Ao som do rock progressivo do Pink Floyd, no limite exíguo do vigésimo andar de um edifício paulistano, dá-se o experimento:

“Sandra (mulher de Gil) entrava e saia do quarto do som com os olhos duros e o rosto sério. Ela estava assustada. Eu a achava parecida com um índio. Gil estava com lágrimas nos olhos e falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido, não sei. Dedé (mulher de Caetano) circulava pela sala dizendo que se via a si mesma em outro lugar. Eu fiquei muito feliz de observar que as pessoas eram tão nitidamente elas mesmas… Uns pontos de luz coloridos surgiram no espaço ilimitado da escuridão… Formas circulares eram compostas por lindos pontos luminosos dançantes. Aos poucos eu sabia quem era cada um desses pontos luminosos. E em breve eles de fato se mostravam como seres humanos. Eram muitos, de ambos os sexos, todos estavam nus e tinham aspecto de indianos. Essas pessoas dançavam em círculos de desenhos complicados, mas eu não só podia entender todas as sutilezas dessa complicação como tinha tranquila capacidade de concentração para saber sobre cada uma das pessoas tanto quanto eu sei de mim mesmo ou de meus próximos mais amados”.

É dito que da(s) experiência(s) com o Daime, particularmente experiências pico como esta, de Gilberto Gil (“Gil… falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido”…) surgiram belíssimas canções do seu cancioneiro, tal como “Se eu quiser falar com Deus”.

“Se eu quiser falar com Deus

Tenho que ficar a sós

Tenho que apagar a luz

Tenho que calar a voz

Tenho que encontrar a paz

Tenho que folgar os nós

Dos sapatos, da gravata

Dos desejos, dos receios

Tenho que esquecer a data

Tenho que perder a conta

Tenho que ter mãos vazias

Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus

Tenho que aceitar a dor

Tenho que comer o pão

Que o diabo amassou

Tenho que virar um cão

Tenho que lamber o chão

Dos palácios, dos castelos

Suntuosos do meu sonho

Tenho que me ver tristonho

Tenho que me achar medonho

E apesar de um mal tamanho

Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus

Tenho que me aventurar

Tenho que subir aos céus

Sem cordas pra segurar

Tenho que dizer adeus

Dar as costas, caminhar

Decidido, pela estrada

Que ao findar vai dar em nada

Nada , nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Do que eu pensava encontrar “.

Em êxtase Caetano mirava os seus “anjos indianos” nessa “experiência celestial”:

“Eu alternava — com abrir e fechar os olhos — observação do mundo exterior e vivência desse mundo de imagens que se tornava cada vez mais denso… aos poucos eu reconhecia que os seres vistos com os olhos fechados eram indubitavelmente mais reais do que meus amigos presentes no quarto do som ou as paredes desse quarto e os tapetes”.

Com a consciência expandida pela miração, Caetano conhece outra concepção de espaço, diferente da corriqueira e “precária convencionalidade”; o “tempo era igualmente criticado por essa instância mais alta em minha consciência lúcida: com benevolência e sem nenhuma angústia, eu sabia que o fato de estar vivendo aquele momento era irrelevante diante da evidência de que eu já tinha — ou teria –— nascido, vivido e morrido — e também jamais existido —, embora a percepção do meu eu naquela situação fosse uma ilusão inevitável”.

O artista santamarense continua inspiradamente a narrar a sua experiência — da qual recomendamos a leitura atenta, pois não é possível transcrevê-la toda aqui — e quem discursa é também o antigo estudante de filosofia da Universidade da Bahia: diante da representação da “ideia de Deus” diz não saber se teve “o súbito retraimento de quem aprendeu que a face do Criador não pode ser contemplada”.

Surge então a dúvida no coração de quem vivenciava um extraordinário momento extático, e ao ser levado por Dedé para se olhar no espelho do banheiro, ver seu rosto “de sempre” após toda essa experiência… passou então a ter a certeza “de que estava louco”. Porém “esse eu que tinha tal certeza era como que indestrutível: esse não fica louco, não dorme, não morre, não se distrai”…

Quão bela experiência.. . vemos que foi revelada a Luz do Daime a este sensível poeta e compositor baiano e o merecimento de se ver como espírito, a vislumbrar a sua essência — que é Divina, como a de todos nós.

Inebriado do divino e maravilhoso que é Deus, brincando com as dúvidas filosóficas a la Rogério Duarte, futuro devoto hare krishna: “Eu não creio em Deus, mas eu vi!” ou ‘É óbvio que Deus não existe, mas a inexistência de Deus é apenas um dos aspectos de sua existência”… parodiando Nietzsche Caetano vai bradar para todo o Brasil: “Deus está solto!” sob as vaias da apresentação festivalesca do seu “É proibido proibir”.

Dessa vivência transcendental, Caetano reflete assim: “… por mais de um mês eu me senti vivendo como que um palmo acima de tudo o que existe. E por mais de um ano certos resquícios específicos se mantiveram. Na verdade, algo de essencial mudou em mim a partir daquela noite”.

“Quem é ateu e viu milagres como eu

Sabe que os deuses sem Deus

Não cessam de brotar, nem cansam de esperar

E o coração que é soberano e que é senhor

Não cabe na escravidão, não cabe no seu não

Não cabe em si de tanto sim

É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história

Ojuobá ia lá e via

Ojuobahia

Xangô manda chamar Obatalá guia

Mamãe Oxum chora lagrimalegria

Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia

Ojuobá ia lá e via

Ojuobahia

Obá

Quem é ateu…”

Voltando ao comecinho da nossa história… pois não é que o jornalista Carlos Marques retornou ao Acre após quase 40 anos? Ao final de uma audiência com o então governador Jorge Viana, este perguntou ao jornalista se ele já conhecia o Acre. Marques contou o que já narramos, e para sua surpresa o governador Jorge Viana mostrou ao jornalista o convite que recebera para participar dos festejos dos 50 anos de casamento do Mestre Raimundo Irineu Serra com a Madrinha Peregrina Gomes Serra, dignatária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – CICLU Alto Santo, no dia seguinte, 15 de setembro de 2006. E convenceu o jornalista a permanecer mais um dia no Acre.

Marques reencontrou a Madrinha Peregrina Serra, viúva de Irineu Serra, a quem pediu desculpas pelo conteúdo ofensivo que sua reportagem ganhou na edição da revista Manchete, pois esta publicou então várias páginas com a reportagem, onde prevaleceu na edição a versão do bispo de que se tratava de uma seita diabólica. “Foi a primeira entre tantas a desagradar Irineu Serra e seus seguidores”.

— Eu não podia revelar que havia encontrado Deus — disse Carlos Marques.

Na noite de 30 de abril de 2008, na sede do CICLU Alto Santo, foi realizado um evento oficial no qual a Fundação Elias Mansour do Estado do Acre, Fundação Garibaldi Brasil do município de Rio Branco e representantes dos centros que integram os três troncos fundadores das doutrinas ayahuasqueiras (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal), que solicitaram ao ministro Gilberto Gil, da Cultura, que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instaure o processo de reconhecimento do uso da ayahuasca em rituais religiosos como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

O evento foi prenhe de êxito e um marco histórico do universo ayahuasqueiro brasileiro. No discurso de encerramento desta função religiosa de 30 de abril de 2008, já sem a presença das autoridades constituídas (ministro, governador, secretários de estado e políticos em geral), o orador oficial do CICLU – Alto Santo lembrou da singela história do jornalista Carlos Marques, concluindo que (palavras minhas, registro de memória): o Mestre Irineu, sabedor do passado, presente e futuro do jornalista Carlos Marques, excepcionalmente presenteou o jornalista com uma garrafa de Daime para que este a fizesse chegar as mãos do cantor Gilberto Gil, que a tomasse e conhecesse, para que, passados quase 40 anos, viesse ao Alto Santo na condição de ministro de Estado interceder por tornar a ayahuasca patrimônio imaterial da cultura brasileira.

Fontes: “Lá Sou Amigo do Rei”. Carlos Marques, Editora Geração;

“O Daime, Caetano e Gil”. Juarez Duarte Bomfim http://www.jornalgrandebahia.com.br/2015/08/o-daime-caetano-gil-2.html

Carlos Marques, the Brazilian Forrest Gump and “predestined apostle of the Santo Daime”

The journalist Carlos Marques has just released his autobiographical memoir entitled “Lá Sou Amigo do Rei” [There I am a friend of the king]. The surprising and adventurous life of the author brings tasty stories, told in a light style that captivates the reader and makes it impossible to stop reading.

The Brazilian Forrest Gump, Carlos Marques is the kind of guy who was in the right place at the right time, and this makes him the protagonist and eyewitness of many of the major political, social and cultural events in Brazil and the world, which leads him to collect friendships with many of the leading personalities of the twentieth century. We can also consider that sometimes he was in the wrong place at the wrong time, for example when he was arrested and more than once severely tortured by the Brazilian military dictatorship which compels him to leave the country as a stowaway on a cargo ship to France, his second homeland. He was also arrested and badly beaten in Argentina, after living with the leaders of the Casa Rosada in parallel with the urban guerrillas, the montañeros.

The press-release of the book presents him as “an adventurous reporter who faced the military dictatorship and was tortured in Brazil and Argentina; clandestine in Paris; friend of celebrities such as Salvador Dali, Jean Genet, Pelé, Krishnamurti and John Paul II; filmmaker; musician; an expert in UFOs; predestined Apostle of the Santo Daime; ambassador of UNESCO by accident and who returned to the country he left as he left it, almost anonymous and penniless”.

A hilarious story happened at his home in Rio, when the author got involved in an imbroglio with the French writer and playwright Jean Genet, and the touted celebrity, canonized by Sartre as “Saint Genet” — who in the past was a thief, a prostitute and a convict — is almost kicked-out from the author’s home due to insistent homosexual harassment.

To our amusement, Marques accounts: “I was kicking out of my house one of the greatest writers in the world and about whom Jean-Paul Sartre, the supreme intelligence of the twentieth century, had written a book of over 500 pages!”

Another story is that Marques enjoyed the friendship of Pope John Paul II when he spent a week with His Holiness at Castel Gandolfo, the papal summer residence. As undeniable proof of this story, the book brings attached a photo of the two, picturing the Holy Father attentive to that talkative and smiley native of Pernambuco as if he were listening to a priest joke.

Muniz Sodré writes in the Preface: “…his picture next to John Paul II, who seems to be on the verge of laughter. Popes don’t laugh, unless carried by the narrative of a rogue”; in other words, someone picaresque, comical, burlesque.

These are just some of the celebrities he met and starred with in situations. Some others, many others, are present in his narrative, like General Castelo Branco, the economist Celso Furtado, the poet Ascenso Ferreira, the feminist Rose Marie Muraro, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa…

The extraordinary stories involving prominent public figures are so many that it is impossible for the reader to not read them with certain disbelief. To which Carlos Marques explains, “to those who ask if it is true all that I accounted, I will give the answer that Marco Polo gave when asked if all the extraordinary and wonderful things that were written in his book ‘The Travels of Marco Polo’ really occured: ‘I have not told even half of everything I saw”.

What attracted me to know the life story of this journalist was the capacity bestowed upon him, on the book cover, as “predestined apostle of the Santo Daime”. An elegant phrase that summarizes a brilliant speech made by Toinho Alves, official speaker on the night of April 30th 2008, at the headquarters of Alto Santo (Rio Branco, Acre), where the official event took place in which was asked of the Minister of Culture, Gilberto Gil, that the National Institute of Historical and Artistic Heritage (IPHAN) commence the process of recognition of the use of ayahuasca in religious rituals as intangible heritage of Brazilian culture.

Toinho Alves said:

– Mestre, knowing about the past, present and future of the journalist Carlos Marques, gifted the journalist exceptionally with a bottle of Daime so that he would pass it into the hands of the singer Gilberto Gil for him to drink and get to know it so that, after almost 40 years, he would come to Alto Santo, in the role of Minister of State, to intercede and make ayahuasca an intangible heritage of Brazilian culture (in my words, from memory).

Gilberto Gil drank Daime made by Mestre Raimundo Irineu Serra himself? How could that be? My friend José Murilo, adviser to Minister Gilberto Gil and affiliated to the Daime church Céu do Planalto (Brasilia-DF), could not understand it when, in conversation with the artist, the singer and Minister of State would brag about having drunk Daime given by Mestre Irineu himself. Perhaps he [José Murilo] considered this poetic license from the author of the meaningful song “Metáfora” (metaphor)…

Mr. Raimundo Irineu Serra, founder of the Daime Doctrine, is a mythological figure to his disciples and devotees, as much for the elders who lived with him as for the younger generations, no longer concentrated in the state of Acre, but spread throughout Brazil and the world.

His biography, his stories, the beautiful hymnbook that reveals his Doctrine through singing and the introduction by him of the collective and urban use of the brew ayahuasca makes this Brazilian hierophant a myth, a legend, and worthy of veneration by his followers.

The clue to understanding this episode of the Daime that was drunk by the then minister was in gathering the few local press reports on the visit of Carlos Marques to Acre, in 2006, oral testimony and — crucial to complement the story — the reading of the book “Verdade Tropical” [Tropical Truth], by Caetano Veloso.

I started putting together the pieces and I elaborated my most popular article, “The Daime, Caetano and Gil”, but now we can read the version of this story from the words of Carlos Marques himself — the Brazilian Forrest Gump.

The interesting thing is that from pages 67 to 77 the author changes the picaresque style of his book, leaving out any comic or gossipy comments and gives us a journalistic account from one who came face to face with King Juramidã — sacred name of Mestre Irineu — and who knows how to tell a good story. To my honor, the structure of the narrative is the same as I use in my aforementioned article. Twice he refers to the “journalist” Juarez Duarte Bomfim and transcribes more than two pages of my work.

The story: journalist Carlos Marques was 20 years old when the board of the Manchete magazine decided to send him — in the company of a photographer – to write an article about distant Rio Branco, capital of Acre, in 1969.

Among the various interviewees, Marques spoke with Italian bishop Giocondo Maria Grotti, who two years later (1971) would die during an air crash in the district of Sena Madureira. Asked about the problems faced in the region, the bishop complained about the Santo Daime Doctrine, founded by the black man, natural of Maranhão, Raimundo Irineu Serra.

Marques decided to meet Mestre Irineu Serra, who was plowing the land of his property when the reporter visited him. Carlos Marques writes:

“Upon crossing the gate, I saw a hut in front of which awaited me a beautiful Creole, immensely tall and muscular.

– Mestre Raimundo Irineu? — I asked, uncertain. I could hardly believe it was him, because according to the little information that I had been able to gather about the sorcerer, he was a farmer, a son of slaves, and born in 1892. Which meant, he should be 77 years old. It turns out that the big man in front of me did not look over 50!

Without answering, he invited me to sit on the porch and, instead of saying who he was, he told me who I was, in what day I was born and what I did. He knew that I had been arrested, tortured and that I had a scar on my right thigh — a souvenir of military hospitality. He said several other things that only I would know. I asked how he knew all this, and the answer was enigmatic:

– You have been sent to us.

Stunned, I walked with him into the hut; inside what caught my attention was a whole wall covered by the vines and leaves from which the ayahuasca was made, a decoction dating back to the Incas. Mestre Irineu, as he preferred to be called, showed us the rooms where we would stay– the photographer and I –, recommending that we get some rest because at night we were invited to attend a ceremony.

“It was very similar to the ceremonies of Candomblé, with hymns and dances to the sound of maracas, bongos and drums. I saw no Indians there, only small farmers and humble people. The highlight of the ceremony, like the communion at a Mass, is the ingestion of ayahuasca, or auasca, the so called brew that, according to Don Giocondo (Bishop of Rio Branco at the time), drives people crazy and turns them into murderers. I said this to Mestre Irineu when he handed me the tea. He laughed, showing powerful white teeth, saying:

– The bishop knows nothing. This leads to God.

I drank, it tasted bitter, but quickly turned into something delicious in my mouth. The first thing that struck me was a keen awareness of the details of my hands, of what was happening around me. My vision became delirious, but the feeling in general was good, very good. I felt certain levitation, a certain detachment from myself, as if I left my own body. Unlike Caetano Veloso, I did not see Hindu angels*, but I was filled with a sense of peace and fulfillment that lasted almost the whole night.

*Caetano Veloso later on recounts his own experience with the Daime.

… I spent three days there, and upon leaving I received from Mestre Irineu a five liter jug of auasca to partake with people seeking enlightenment. I knew I would never see him again, and that I would never return to Acre, but he made a final prognosis, which I thought very unlikely:

– You will come back.

When I arrived in Rio (…) I gave the bottle and its contents to my friend tropicalista Gilberto Gil, describing it as a sacred indigenous brew that produced breathtaking visions and very high states of mind.

That same day Gilberto Gil took a dose of the drink and soon after he went to Santos Dumont Airport, in Rio de Janeiro, to take the shuttle to São Paulo. While in the lobby of Congonhas Airport, in Sao Paulo, where there was taking place the inauguration of a military exhibition of the FAB — Brazilian Air Force — the effect of the Daime began to manifest and Gilberto Gil “in the presence of the military, perceived indescribable things”.

It was the time of the military dictatorship and the Brazilian artistic and intellectual class was being severely persecuted, and the artists from Bahia themselves — Caetano Veloso and Gilberto Gil — were arrested soon after and “invited” to leave Brazil.

Under the effect of the Daime, Gilberto Gil felt, in a Glauber Rocha state of mind, “as if he had understood the ultimate meaning of our sense as Brazilians in that moment, under authoritarian oppression” … and even then, under the fear cast by the military, he felt that he could “love — above fear and their beliefs or political leanings — the world in all its manifestations, including the military oppressors”.

The Christic message came so in this way to the heart of the artist despite all the persecution and fears: “Love thy enemies”. It was the Daime operating…

After this solitary experience in the Rio-São Paulo flight, Gilberto Gil gathers a group of friends in the apartment of the composer Caetano Veloso and proposes to everyone to make a “trip” together. Following the recommendation of Carlos Marques, Gil serves each of those present just over half a cup.

Caetano recounts: “the thick and yellowish brew tasted like vomit, but did not cause me nausea”. From there, the inspired verve of the poet from Bahia conveys an interesting statement about the visions and perceptions of what he saw and felt; the realization of life in inanimate objects and, for example, “the story of every single piece of matter” of an ordinary nylon carpet in his apartment…

The experiment takes place in the narrow limits of the twentieth floor of a building in São Paulo, at the sound of the progressive rock of Pink Floyd:

“Sandra (Gilberto Gil’s wife) came in and out of the music room with hard eyes and a serious face. She was scared. I thought she looked like an Indian. Gilberto Gil was in tears and said something about dying or having died, I do not know. Dedé (wife of Caetano) circulated around the room saying that she was seeing herself elsewhere. I was very happy to see that people were so clearly themselves… Spots of colored light appeared in the infinite space of darkness … Circular forms were composed of beautiful bright dancing spots. Gradually I knew who each of these points of light were. And soon they actually showed themselves as human beings. There were many, of both sexes, all were naked and looked like they were from India. These people danced in circles of complex design, but not only could I understand all the subtleties of their complexity, I also had this serene focused capacity to know each person as far as I know myself or my closest loved ones.”

It is said that from his experience (s) with the Daime, particularly peak experiences such as this, that Gilberto Gil (Gil said something about dying or having died) came up with beautiful songs for his repertoire, such as “Se eu quiser falar com Deus” [If I want to talk to God].

“If I want to speak with God

I have to be alone

I have to turn off the lights

I have to be quiet

I have to find peace

I have to untie the knots

Of my shoes, of my necktie

Of my desires, of my fears

I have to forget the date

I have to lose count

I have to have empty hands

Have the soul and body naked

If I want to speak with God

I have to accept the pain

I have to eat the bread

That the devil kneaded

I have to turn into a dog

I have to lick the floor

Of the palaces, of the castles

Magnificences of my dream

I have to see myself sad

I have to find myself hideous

And despite an evil so big

Rejoice my heart

If I want to speak with God

I have to be adventurous

I have to climb up to the skies

Without ropes to secure me

I have to say farewell

Turn my back, walk

Resolved, along the road

Which in the end reaches nothing

Nothing, nothing, nothing, nothing

Nothing, nothing, nothing, nothing

Nothing, nothing, nothing, nothing

Of what I thought I would find.”

(If I want to speak with God – Gilberto Gil)

In bliss, Caetano gazed at his “angels from India” in this “heavenly experience”:

“I alternated — upon opening and closing my eyes — the observation of the outside world and the experience of this world of images that became increasingly dense… I gradually recognized that the beings seen with closed eyes were undoubtedly more real than my friends present in the music room or its walls and the carpets on the floor.”

With his consciousness expanded by the visions, Caetano acknowledges another conception of space, different from ordinary and precarious conventionality: “time was also judged by the highest instance in my lucid consciousness: with grace and without any trouble, I knew that the fact of living that moment was irrelevant in the face of the evidence that I already had — or would have — been born, lived and died — and also never existed –, although the perception of myself in that situation was an inevitable illusion.”

The artist from Santo Amaro keeps narrating his experience with inspiration, of which we recommend a careful reading because it is not possible to transcribe it all here; and who also talks is a former philosophy student of the University of Bahia who, faced with the representation of the “idea of God”, did not know whether he had “the sudden withdrawal of one who had learned that the face of the Creator cannot be contemplated”. Thus arises the doubt in the heart of one who had experienced an extraordinary and ecstatic moment and, upon being taken by Dedé to look himself in the bathroom mirror and seeing his “everyday face” after all that experience, was certain then “to be crazy”. Although “that self that had such certainty was likewise indestructible: it does not go crazy, does not sleep, does not die, does not get distracted”…

Such a beautiful experience… We see that the light of the Daime was revealed to this sensitive poet and composer from Bahia with the merit of seeing himself as a spirit, to glimpse his essence — which is Divine, like all of us.

Inebriated by the divine and wonderful that God is, playing with the philosophical questions likewise Rogério Duarte, a future Hare Krishna devotee: “I do not believe in God, but I’ve seen it!” Or “It’s obvious that God does not exist, but the absence of God is only one aspect of its existence”… Parodying Nietzsche, Caetano would shout to the whole of Brazil: “God is at loose!” under the jeers of the festival presentation of his song “É Proibido Proibir” [It’s forbidden to forbid].

From this transcendental experience, Caetano reflects thus: “…for more than a month I felt like I was living a foot above all that exists. And for over a year certain specific traces remained. Actually, something essential has changed in me from that night on.”

The one who is godless and saw miracles as I did

Knows that gods without God

Constantly arise, don’t get tired of waiting

And the heart that is sovereign and is the lord

Doesn’t fit in slavery, doesn’t fit in your “no”

Is beside itself with so much “yes”

It is pure dance and sex and glory, and floats beyond history

Ojuobá went there and saw

Ojuobahia

Xangô orders me to fetch guide Obatalá

Mother Oxum cries tears of joy

Iemanjá’s petals Iansã-Oiá went

Ojuobá went there and saw

OjuoBahia

Obá

The one who is godless…”

(Miracles from the People – Caetano Veloso)

Going back to the very beginning of our story… It turns out that the journalist Carlos Marques did return to Acre after almost 40 years. At the end of an audience with the then Governor Jorge Viana, the latter asked the journalist if he knew Acre. Marques told him what we have already recounted and, to his surprise, the Governor Jorge Viana showed the journalist the invitation that he had received to participate in the celebration of the 50th wedding anniversary of Mestre Raimundo Irineu Serra and Madrinha Peregrina Gomes Serra, dignitary of the Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – CICLU Alto Santo, for the next day, September 15, 2006. And he persuaded the journalist to stay for one more day in Acre.

Marques reunited with Madrinha Peregrina Serra, widow of Irineu Serra, to whom he apologized for the offensive content that his article had carried in the Manchete magazine’s edition, because it was published amongst several pages in which the bishop’s version prevailed, and which said that it was a diabolical sect: “It was the first among many other articles to displease Irineu Serra and his followers.”

– I could not reveal that I had found God — Carlos Marques said.

On the night of April 30, 2008, at the headquarters of CICLU Alto Santo, an official event was held in which the Fundação Elias Mansour, of the State of Acre; the Fundação Garibaldi Brasil, of Rio Branco district; and representatives of the centers that integrate the three root lineages of the ayahuasca doctrines (Santo Daime, Barquinha and União do Vegetal), requested of the Minister of Culture, Gilberto Gil, that the Institute of Historical and Artistic Heritage (IPHAN) begin the process of recognition of the use of ayahuasca in religious rituals as an intangible heritage of Brazilian culture.

The event was full of success and a landmark for the Brazilian ayahuasca universe. In the closing speech of this religious function of April 30, 2008, already without the presence of the constituted authorities (minister, governor, secretary of state and politicians in general), the official speaker of CICLU – Alto Santo remembered the simple story of the journalist Carlos Marques, concluding that (in my words, from memory) Mestre, knowing about the past, present and future of the journalist Carlos Marques, gifted the journalist exceptionally with a bottle of Daime so that he would pass it into the hands of the singer Gilberto Gil for him to drink and get to know it so that, after almost 40 years, he would come to Alto Santo, in the role of Minister of State, to intercede and make ayahuasca part of the intangible heritage of Brazilian culture.

Fonte: http://afamiliajuramidam.org/english/community/text/Carlos%20Marques,%20the%20Brazilian%20Forrest%20Gump.html

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.