Cachoeira: Oficina de turbantes prepara receptivo para Flica com a valorização da cultura africana

Oficinas de Turbante é desenvolvimento de técnicas e estilos.

Oficinas de Turbante é desenvolvimento de técnicas e estilos.

Uma aula sobre técnicas, estilos e diferentes significado dos turbantes preparam a população do Recôncavo Baiano que deseja trabalhar durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira, que será realizada entre os dias 14 e 18 de outubro de 2015. Para isso, na manhã desta quarta-feira (23/09/2015), cerca de 20 pessoas se reuniram na cidade, na oficina de como usar o adereço, que continua durante a tarde, com mulheres de comunidades remanescentes quilombolas.

Este curso faz parte de uma série de cursos e workshops gratuitos que, no total, vão capacitar cerca 150 pessoas para trabalhar no receptivo, atendimento e prestação de serviços, através de uma parceria entre o Governo do Estado, Senac e com apoio da Prefeitura de Cachoeira. Até agora, os interessados já receberam aulas de atendimento ao público, boas práticas na manipulação de alimentos, além de cursos para preparação de comidas e bebidas, como drinks e coquetéis.

Atendimento na região

Para o supervisor pedagógico do Senac, Péricles Ferreira, o eixo formativo dos cursos foi pensado para capacitar e qualificar o atendimento na região. “Eles estão prontos para realizar atendimentos de qualidade, manipular alimentos e mesmo dar um ‘up’ nas comidas que são preparadas em restaurantes na região. Isso sem contar que o conhecimento não ‘expira’, a preparação é para a Flica, mas os profissionais ficam mais qualificados independente do evento”, contou o supervisor.

Significado dos Turbantes

A oficina, sob responsabilidade da psicóloga e dona da grife Neta Queiroz, Eurides Queiroz, e da instrutora Rosângela Oliveira, além de ensinar técnicas práticas de amarração, modelos e tipos de tecido, falou o significado dos turbantes. “É importante que as pessoas conheçam a simbologia dos turbantes, que além de serem esteticamente belíssimos, são uma marca das matrizes africanas da nossa cultura, é uma possibilidade das mulheres negras ressignificarem, trazer esse elemento da cultura negra”, contou a psicóloga.

Sobre as técnicas, a instrutora Rosângela acredita que, para fazer os turbantes, é preciso tentar não só uma ou duas, mas muitas vezes e seguir o próprio estilo. “Como o turbante vai ficar depende do tecido, do formato, do cabelo, e é uma coisa dinâmica, é muito difícil um ficar igual ao outro. É preciso colocar ‘mão na massa’ e praticar. É possível usar somente amarração, mas há também pequenos grampos que podem ajudar a não sair do lugar. Eu acho que é um adereço que faz saltarem a personalidade e a sensualidade de quem está usando”, comentou Rosângela.

Homem também usa turbante

Único homem entre as quase 20 mulheres que foram à oficina de turbantes, Germano Barbosa sentou na primeira fila e anotava atentamente as observações das monitoras. Ele trabalha com grupos culturais de dança e teatro no distrito de Santiago do Iguape, uma comunidade de remanescentes quilombolas e viu no curso uma oportunidade de aprender um pouco mais sobre a própria história. “Independentemente da questão de gênero, de ser homem ou mulher, saber o que significa o turbante é também pensar nele como uma forma de reafirmar nossas raízes, nossa identidade cultural, fortalecer os nossos valores enquanto povo negro na Bahia”, falou Germano.

Ainda durante a oficina, ele aprendeu um modelo de turbante usados por homens e segundo ele vai levar o que aprendeu para o trabalho profissional. “Temos, com os grupos da comunidade, um projeto de dança com balé folclórico e quero apresentar o conceito disso para os rapazes, incluir o adereço nas apresentações, mas antes de usar, vou dizer para eles o que significa”, explicou.

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