Professora baiana Nelma Gusmão ganha prêmio de melhor tese nacional e lança livro em Salvador

Dra. Nelma Gusmão de Oliveira ganha prêmio de melhor tese nacional.

Dra. Nelma Gusmão de Oliveira ganha prêmio de melhor tese nacional.

A melhor tese de doutorado na área de política e planejamento urbano no biênio 2011-2012, de acordo com a Anpur-Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, acaba de ser publicada em formato de livro. A autora, Nelma Gusmão de Oliveira, é professora da UESB-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em Itapetinga. “O poder dos jogos e os jogos de poder: interesses em campo na produção da cidade para o espetáculo esportivo”, é o título do livro resultado de uma parceria entre a Editora da UFRJ e a Anpur.

Nelma Gusmão estará na Livraria Cultura, em Salvador, no próximo dia 3 de agosto, às 18h, para o lançamento da publicação que atravessa a produção de conhecimentos em áreas como arquitetura e urbanismo, economia, política, sociologia, história e desportos, entre outros. De Salvador ela segue para o Rio de Janeiro, cidade foco da tese, onde faz o lançamento dia 6 de agosto, às 19h, na Livraria da Travessa, Rua Visconde de Pirajá, 572, em Ipanema.
Ela recebeu o concorrido VIII Prêmio Brasileiro “Política e Planejamento Regional”, pela abordagem desenvolvida sobre a natureza dos megaeventos esportivos e suas relações com as cidades contemporâneas. A tese foi apresentada no Ippur-Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro. A pesquisa foi desenvolvida no próprio Ippur e na École de Design da Université Du Québec à Montreal, no Canadá, onde fez estágio doutoral vinculado ao Programe dês Futurs Leaders das les Amériques, promovido pelo governo canadense.

O estudo explora as relações de poder que envolvem o universo em que se produz o espetáculo esportivo, notadamente a Copa do Mundo de Futebol, os Jogos Olímpicos e aquele em que se produz a cidade. O recorte da pesquisa se concentra especialmente na análise das rupturas e realinhamentos produzidos na dimensão político-institucional e, de modo especial, na ordem jurídica dos países e cidades que recebem este tipo de evento.
O argumento por ela apresentado, com base em ampla documentação e narrativas de agentes relacionados ao mundo dos esportes, é o de que ao se constituir como universo social relativamente autônomo em relação a pressões externas, o campo no interior do qual se produz o espetáculo esportivo funciona como meio para submeter a cidade e seus habitantes ao campo econômico.

Ao aprofundar-se sobre o tema, em que pese a complexidade no entendimento dos “processos territoriais envolvidos na produção dos megaeventos esportivos”, a autora mergulhou fundo em toda a evolução das regras das instituições que o promovem e dos mecanismos que criaram para controlar as cidades. Para tanto, pesquisou a documentação por eles produzida durante mais de um século. Ao cruzar estas informações com acontecimentos políticos e econômicos na escala mundial, ela conseguiu realizar uma “genealogia do espetáculo esportivo” e, através da análise de mudanças nas dimensões política e jurídica nos países que receberam os eventos nas últimas décadas, ela observa como essas regras se materializam nos diferentes territórios.

Com isso, e municiada por uma plêiade de autores contemporâneos como Bourdieu, Zizek, Agamben, Vainer, Rancière, Stavrides, Swyngedouw, Logan e Molotch, ela discorre sobre a “produção espetacular dos megaeventos esportivos que atingem, na atualidade, uma audiência em torno dos 4 bilhões de espectadores, distribuídos por 220 países e sua convergência com a produção do espaço urbano dentro dos marcos do modelo neoliberal”.

Afinal, como se produz o espetáculo esportivo?

Quais são os interesses e as disputas envolvidas em sua produção nas diferentes escalas de espaço e tempo? Qual o papel das cidades anfitriãs? Que bases conferem a esse espetáculo o poder de produzir rupturas tão profundas no tecido social das cidades e países por onde passa? E mais, em que medida e de qual modo sua realização viabiliza a produção de formas autoritárias de exercício do poder e de organização da administração pública?
As respostas a essas e outras questões norteiam a premiada tese, agora convertida em livro. Nelma Gusmão de Oliveira nos leva a constatar, em meio à realização dos megaeventos, a existência de “cidades de exceção” facilitadas pela crescente autonomia política e jurídica gradualmente conquistada pela produção do espetáculo esportivo, “na medida em que se submetem ao campo econômico, em uma delicada costura que atravessa mais de um século e assume como principais protagonistas o COI-Comitê Olímpico Internacional e a FIFA- Federação Internacional de Futebol”.

Nas palavras da autora e de acordo com Cibele Saliba Rizek, professora do IAU/USP que presidiu o Júri de Teses do VIII Prêmio Brasileiro “Política e Planejamento Urbano e Regional”, na contracapa do livro: “Não é a produção do espetáculo esportivo que instaura a exceção, mas, de forma inversa, é a exceção que, ao se estabelecer como paradigma de governo atrelado ao modelo econômico neoliberal, cria as condições para a conversão da busca pelos megaeventos esportivos em estratégia de desenvolvimento. Uma vez instalada, tal estratégia vem, por sua vez, possibilitar uma radicalização da exceção que poderá se estender para além da realização dos eventos”.

A adequação entre as políticas de atração dos megaeventos e as teorias e práticas urbanísticas voltadas para o mercado têm sido assunto recorrente na literatura que trata dos estudos urbanos na contemporaneidade, seja do ponto de vista da sua apologia, seja numa perspectiva crítica.

Boa parte do estudo, entretanto, privilegia uma abordagem sobre a produção do espaço urbano. O entendimento de como se opera o encontro desses dois sistemas de produção – o do espetáculo esportivo e do espaço urbano – vistos a partir de uma perspectiva que leva em conta o funcionamento do primeiro, conferem, sem dúvida, singularidade marcante ao trabalho da autora.

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