Presidente do PMDB da Bahia critica duramente senador Renan Calheiros e avalia que modelo de gestão do governo Rousseff é falido

Geddel Vieira Lima: “agenda de Renan é conversa fiada”.

Geddel Vieira Lima: “agenda de Renan é conversa fiada”.

Em entrevista ao jornalista Josias de Souza, publicada hoje (19/08/2015), o presidente do PMDB da Bahia e membro da Executiva Nacional, Geddel Vieira Lima, analisa a cenário político atual, fala da relação com o vice-presidente da república Michel Temer, da proposta anti-crise do presidente do Senado, Renan Calheiros, e avalia o governo Rousseff como um modelo de gestão falido.

Confira a entrevista

Geddel afirmou que Michel Temer, seu amigo de trinta anos, “vive um momento em que terá de tomar a decisão de exercer a sua função institucional de vice-presidnete da República. Ele tem que entender que não cabe ao vice-presidente ficar discutindo nomeação para delegacia do INSS nos Estados.” Ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal sob Dilma, Geddel sustenta que “esse modelo faliu.”.

Raro conhecedor do que se passa na cozinha do PMDB, Geddel diz estranhar o comportamento dos líderes do partido que ainda estendem a mão para Dilma. “O que o PMDB diz de noite não corresponde ao que certos peemedebistas fazem de dia.” Vão abaixo as declarações de Geddel:

— Reunião com Aécio Neves: Irei à reunião. Certamente mais gente participará. Mas não vou conversar com um candidato à Presidência da República. Quero conversar com líderes dispostos a dialogar, num movimento suprapartidário, sobre a vontade as ruas, que cobram um modelo diferente desse que está aí. Se Aécio for obcecado em ser candidato à Presidência, ele não será candidato. A hora é de encontrar saídas institucionais, não de focalizar interesses pessoais.

— O papel de Michel Temer: “O Michel vive um momento em que terá de tomar a decisão de exercer a sua função institucional de vice-presidente da República. Ele tem que entender que não cabe ao vice-presidente ficar discutindo nomeação para delegacia do INSS nos Estados. Esse modelo faliu. Ele é o vice-presidente da República. Essa é a função institucional dele. Precisa se colocar cada vez mais como o doutor Ulysses Guimarães, exercendo o papel de guia. Como dizia o doutor Ulysses, tem de guiar o PMDB rumo ao Sol, que é dia, não em direção à Lua, que é noite. Não dá para ele participar de artimanhas. Insisto: ele é vice-presidente da República. Nomeações para cargos não vão tirar o governo do drama em que se encontra nem vão conquistar a respeitabilidade das ruas. Michel sabe o que eu penso. Falamos com muita frequência. Sem que ele precise dizer, eu sei o que vai na alma do Michel. Seu muito bem o que o angustia.”.

— A agenda positiva de Renan Calheiros: “Nao levo essa negociação do Renan como algo que vá resultar em consequências. O PMDB agora tem um ideólogo econômico, que é o meu amigo Romero Jucá. E fica o Renan fazendo esse jogo de agenda positiva, que não vai levar a lugar nenhum. Isso é conversa fiada. A resposta à articulação de Renan foi dada pela população de Alagoas na porta da casa dele no domingo. O recado das ruas é muito claro. Não dá para imaginar que a sociedade vai continuar caindo nessa esparrela de articulação de cúpula conogressual. Dizem que melhorou a situação do governo. A articulação feita durante a semana passada não evitou nem mesmo que o Lula fosse representado na manifestação de domingo com um boneco vestido de presidiário. Não evitou também que as ruas dissessem claramente o que desejam. Noutras manifestações, pedia-se de redução de passagem de ônibus a lançamento de foguete à Lua. Agora fala-se apenas no afastamento da Dilma e na aversão ao PT. Diante disso, que peso tem a articulação de Renan?”

— Dicotomia do PMDB: “Eu conheço o que os meus colegas do PMDB pensam, sei o que meus colegas do PMDB dizem, e me escandalizo ao ver o que meus colegas do PMDB fazem em relação ao governo. O que o PMDB diz de noite não corresponde ao que certos peemedebistas fazem de dia. Eu participo das conversas. Sei o que se passa. Isso não vai ter aderência na sociedade. Não funciona. Não dá mais para uma banda do PMDB, cujos interesses não coincidem com a vontade das ruas, ficar falando como se fosse o PMDB inteiro. Não dá mais. Isso não representa o partido. Falam pelos plenários do PMDB até que eles se rebelem. Que reúnam a Executiva, que convoquem um congresso extraordinário para fazermos esse debate. Aguardamos o Congresso do partido, no final de setembro.”

— Acordão: “A sociedade brasileira não entenderá nenhum tipo de acordão. O Tribunal de Contas da União tem de cumprir o seu papel. Não vejo como a Procuradoria da República e o Judiciário possam entrar num acordão que faça com que Curitiba pare de gerar notícias desagradáveis. No meu entendimento, isso pode caminhar para algo que eu já disse e vejo o Fernando Henrique Cardoso dizendo agora: a renúncia. Seria um mínimo de grandeza que se poderia esperar de Dilma, para reconciliar o país. A Dilma perdeu a credibilidade. O país não se reconciliará com ela no cargo. Não dá para o país ser presidido por alguém que não consegue sair às ruas. Isso não existe. Ainda restam três anos e meio de mandato.”

— As manifestações: É uma tolice ficar discutindo se uma manifestação foi maior do que a outra. A CUT, para reunir meia dúzia de gatos pingados na frente do Instituto Lula, colocou ônibus à disposição e providenciou o churrasco. E as ruas se encheram espontaneamente. Só não encheram mais porque os políticos, com medo de se envolver, não mobilizaram as pessoas. As pesquisas mostram que, se houver mobilização, outras pessoas virão. Não vieram ainda porque não têm dinheiro para pegar um ônibus. Por enquanto, só foi à rua a classe média, que tem como levar suas famílias. Mas o resto do país está em casa aplaudindo.

— Mea-culpa coletivo: Fala-se muito na necessidade de um mea-culpa da Dilma. Mas nós também precisamos fazer um mea-culpa. Participamos de uma estrutura política semelhante a essa, que não se sustenta mais. E uma parte do PMDB ainda não se convenceu disso. Discute a ocupação de delegacias do INSS nos Estados. Isso não é mais aceito pela sociedade. Nós precisamos nos penitenciar por termos integrado um sistema que a sociedade aceitava, mas não aceita mais. Mudaram os parâmetros. Ou nós aceitamos isso ou não tem acordo possível.

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