No Brasilianas, analista político sugere que a presidenta Dilma Rousseff promova conciliação nacional

Carlos Franklin Paixão de Araújo: “está faltando um discurso unificador. Acho que esse discurso tem que ser construído rapidamente e quem tem que assumir isso é a presidenta da República”.

Carlos Franklin Paixão de Araújo: “está faltando um discurso unificador. Acho que esse discurso tem que ser construído rapidamente e quem tem que assumir isso é a presidenta da República”.

O advogado e analista político Carlos Franklin Paixão de Araújo defendeu na segunda-feira (10/08/2015) que a presidenta Dilma Rousseff promova “uma grande conciliação nacional” para que o país deixe para trás o momento de instabilidade política. Araújo, que foi militante de esquerda no período da ditadura e é ex-marido de Dilma, foi o entrevistado desta segunda-feira do programa Brasilianas.org, da TV Brasil.

“Está faltando um discurso unificador. Acho que esse discurso tem que ser construído rapidamente e quem tem que assumir isso é a presidenta da República”, afirmou Araújo. Para ele, deve haver um acordo das forças políticas para que os vencedores das eleições de 2018 possam “governar um país estruturado”. Na avaliação de Araújo, a soma de esforços nesse sentido está começando a acontecer, com sinalizações como a de entidades da indústria.e do Senado.

Segundo Carlos Araújo, o Brasil vive uma crise política decorrente da crise econômica: “Nós estamos realmente vivendo uma crise profunda, especialmente na esfera econômica e na esfera política. A [crise] da esfera política é muito decorrente das dificuldades econômicas que o governo enfrenta. O governo está tentando construir um rumo econômico para sair dessa crise. Eu acho que se a gente conseguir dar alguns passos na economia, acalma bastante a crise política”, afirmou Araújo.

Apesar do ambiente turbulento, o advogado disse não acreditar em sucesso de uma eventual tentativa de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Eu vejo que essa crise política não vai ter golpe”, opinou, acrescentando considerar difícil que a quantidade de votos de deputados e senadores atinja o necessário para um afastamento de Dilma. Araújo comentou ainda a atuação dos partidos de oposição.

Na visão dele, o PSDB – cujo candidato à presidência, Aécio Neves, ficou em segundo lugar após disputar com Dilma as eleições de 2014 – está dividido. “A facção do PSDB que Aécio dirige não tinha aliados paulistas tradicionais, [então] foi buscar aliados nos setores mais atrasados do PSDB e no DEM”, afirmou. Para o advogado, a postura de Aécio difere da de quadros do partido como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,

Durante a participação no programa, Carlos Araújo falou também sobre a sua trajetória como militante político. Filho de um advogado trabalhista, ele sonhava em militar na esquerda como o pai.

“Meu pai era comunista em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, onde só existia mais um comunista. Aos 14, 15 anos entrei na juventude do Partido Comunista. Na época, estava no governo Getúlio Vargas”, contou Araújo, que foi casado com Dilma Rousseff por 25 anos. No Rio Grande do Sul, foi deputado estadual pelo PDT e, com Dilma, ajudou a fundar o partido naquele estado.

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